São Paulo – Um em cada quatro veículos leves vendidos no mês passado foi utilitário esportivo. Os SUVs já são, atualmente, os automóveis mais procurados pelos brasileiros: até outubro foram 403,1 mil unidades licenciadas, volume 16,4% menor do que em igual período do ano passado. O mercado, no geral, apresentou recuo bem maior, de 30% na mesma base de comparação. E o segmento SUV foi o que menos caiu dentre os mais volumosos. Passou a líder em participação: 26,8% das vendas em 2020 foram SUVs, ante 24,8% dos hatches, que, no período, registraram queda de 40,2% nas vendas.
De janeiro a outubro do ano passado o cenário era inverso: 28,6% das vendas de veículos leves no Brasil foram modelos hatch, ante 22,2% de SUVs. Os utilitários esportivos haviam superado os sedãs, que representavam em 2019 21,2% das vendas – até outubro de 2020 a participação dos sedãs recuou ainda mais, indo a 18,4%. Os SUVs roubaram participação de quase todos os segmentos.
Muito se lembra das picapes, cuja demanda estaria acelerada pela força do agronegócio, mas não é o que aponta os números da Fenabrave: os utilitários perderam participação de 2019 para 2020, caindo de 13% para 12% das vendas.
Ao analisar os números, outra máxima muito repetida por gente que acompanha o setor é desmentida: os veículos de entrada mantêm sua fatia no mercado brasileiro. De janeiro a outubro foram 161 mil unidades comercializadas, recuo de 29,3% sobre o mesmo período de 2019 – queda inferior, portanto, à média do mercado. A participação deles subiu de 10,5% para 10,7% de um ano para o outro.
Os brasileiros compraram, também, mais esportivos: de janeiro a outubro do ano passado foram contabilizados 1,5 mil emplacamentos destes modelos de alto valor. Em 2020, até outubro, já foram mais de 1,8 mil unidades vendidas, quase 20% de crescimento.
O comentário de executivos do setor é que os brasileiros estão "se premiando" com carros caros, uma vez que, com a pandemia, as viagens para o Exterior e outros gastos foram postergados.
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