Fabricante encara a concorrência dos chineses com vendas crescentes acima da média na América do Sul e no Brasil
São Paulo – Ao menos por enquanto a Volkswagen segue superando a concorrência dos veículos chineses e, mesmo sem entrar em guerra de preços, continua a contabilizar crescimento de vendas acima da média de mercado no Brasil e na América do Sul. A empresa terminou 2025 praticamente sem carros para entregar, revelou o CEO Ciro Possobom: “Após as férias coletivas entramos em janeiro com o menor nível de estoque de nossa história, limpamos o pátio, e só não vendemos mais porque não conseguimos produzir o suficiente”.
As vendas da Volkswagen no Brasil totalizaram 436,3 mil unidades em 2025, em crescimento de 9% sobre 2024, porcentual mais de três vezes superior à média do mercado brasileiro, de 2,6%. Com isto a marca ganhou 1 ponto porcentual de market share, chegando a 17,1%. E no primeiro trimestre deste ano, mesmo com o pátio quase vazio, o avanço continua, afirmou Possobom: “Vamos continuar aumentando nossa participação este ano”.
O executivo avaliou que a Volkswagen adota tática acertada para encarar a concorrência dos veículos chineses, que chegam com preços mais baixos: “Estamos no jogo certo, lançamos novos produtos de sucesso e crescemos sem entrar em guerra de preços”.
No momento, ele disse, a demanda pelos carros da marca acima da oferta está sustentando as vendas e protege os preços da linha de produtos da marca, o que garante maior valor residual de revenda “e faz o cliente voltar à Volkswagen na hora de trocar o carro por um novo”.
Força dos SUVs
A principal força da Volkswagen no mercado brasileiro é a ampla linha de SUVs, com cinco modelos – três nacionais e dois importados do México –em uma elástica faixa de preços que vai de R$ 100 mil a R$ 300 mil. No seu topo a gama está sendo completada este ano com a chegada ao Brasil da terceira geração do Tiguan, apresentado na terça-feira, 24, à imprensa e concessionários.
Possobom destacou que a Volkswagen segue liderando as vendas de SUVs no País, com 41 mil unidades já emplacadas no primeiro trimestre e viés de alta. O T-Cross segue sendo o SUV mais vendido do mercado brasileiro com 15 mil unidades emplacadas este ano. O Tera, lançado em 2025, vem logo atrás na segunda posição com 14 mil emplacamentos.
“Não vendemos mais porque não conseguimos produzir.”
O SUV compacto está sendo produzido em dois turnos na fábrica de Taubaté, SP, com horas extras e trabalho aos sábados. Apesar da demanda acima da oferta, no momento, não há intenção de adotar um terceiro turno: “Esperaremos para ver como a economia e o mercado se comportarão. É uma decisão difícil de tomar e, por enquanto, esta situação está protegendo o preço e o valor residual do Tera”.
Possobom também destacou o bom desempenho do campeão de vendas da Volkswagen no País, o Polo, que com mais de 18 mil emplacamentos no primeiro trimestre segue sendo o carro de passeio mais vendido.
“Pelo que já temos e pelo que ainda lançaremos [ainda faltam dez dos 21 lançamentos prometidos até 2028] a tendência é continuar crescendo e ganhar mais market share”, afirmou o CEO, ressaltando a chegada, em 2027, da picape média monobloco Tukan, que será o primeiro modelo híbrido produzido pela Volkswagen no Brasil, com índice inicial de nacionalização de 76%, e de 85% na versão flex.
Força da América do Sul
O bom desempenho no mercado brasileiro também garantiu um bom ano para a Volkswagen na América do Sul, única porção do mundo em que as vendas da marca cresceram dois dígitos, 15% sobre 2024, destacou Alexander Seitz, chairman executivo da fabricante responsável pelas operações na região SAM, South American Markets.
Segundo apontou o executivo, em 2025, pela primeira vez a produção de carros Volkswagen na região ultrapassou a média dos últimos dez anos, chegando a 583 mil unidades, 539 mil nas fábricas instaladas no Brasil e 46 mil na Argentina. O crescimento acumulado desde 2022 chega a 40%.
Seitz observou também que as vendas de veículos na América do Sul está prestes a superar os níveis pré-pandemia, chegando a 4,3 milhões em 2025, com uma fatia de 13,3% da Volkswagen. Com 569 mil unidades vendidas no ano passado a região representa o terceiro maior mercado global da marca, atrás da China [2 milhões] e da Europa [1,3 milhão].