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Com paciência Omoda Jaecoo estrutura sua operação brasileira

Peng Hu, responsável geral pelas operações no Brasil, concedeu entrevista exclusiva para a Agência AutoData

São Paulo – Parte do Grupo Chery, um dos pioneiros automotivos da China a chegar ao Brasil, a operação da Omoda Jaecoo, iniciada em abril por aqui, toma rumo distinto ao de sua outra marca, a Chery, que começou explorando a base do mercado – e depois acabou fazendo parceria com a Caoa e mudou seu planejamento. Sua proposta é outra: oferecer produtos com tecnologia, design atraente e de qualidade ao consumidor.

O foco na qualidade, conforme contou Peng Hu, responsável geral pelas operações da Omoda Jaecoo no Brasil em entrevista exclusiva para a Agência AutoData, não está só nos produtos: as duas marcas, que operam em bandeira unificada, pretendem oferecer também excelência em serviço:

“O cliente brasileiro é muito exigente. Ele conhece os carros e exige bons produtos, bons preços e bons serviços. Então nossa proposta não é a de trazer um carro de baixa qualidade e baixo preço, mas um com qualidade elevada e oferecer serviço de alto padrão, para construir uma marca muito boa”.

É inevitável a comparação com a BYD, a chinesa que mais balançou o mercado nos últimos anos. Mas esta comparação para com a origem delas: segundo Hu altos volumes não são a prioridade no momento, apesar de celebrar a venda de mais de 1 mil unidades em pouco mais de três meses de início de operação.

O que mais preocupa a Omoda Jaecoo nestes primeiros meses de operação é em construir sua boa reputação. Uma de suas preocupações foi estruturar o pós-venda antes de os carros começarem a retornar às concessionárias para as primeiras revisões. Investiu R$ 13 milhões para preparar um galpão em Cajamar, SP, para atender seus clientes.

O marketing explora a alta autonomia: “Nosso sistema híbrido supera os 1,2 mil quilômetros com um tanque. Viajamos com um Jaecoo 7 de São Paulo a Foz do Iguaçu [PR] sem parar para abastecer. Alguns clientes relatam conseguir mais de 1,4 mil quilômetros de autonomia”.

Planos e produção local

Ao Jaecoo 7 PHEV e o Omoda 5E, 100% elétrico, se juntarão até o fim do ano o compacto híbrido Omoda 5 e o híbrido plug-in Omoda 7. Serão todos SUVs? : “Os brasileiros gostam de SUV. Estamos considerando outros tipos de carroceria, mas não posso entrar em pormenores”.

Também não estão desconsiderados, segundo Hu, modelos com motor a combustão. Hoje alguns engenheiros brasileiros estão colaborando no desenvolvimento de tecnologia flex, que será aplicada nos carros, sejam eletrificados ou não, vendidos no mercado local.

Outro ponto em debate é a produção local. O que Hu garantiu à reportagem é que ela está confirmada, mas falta decidir quando, onde e outros pontos. A fábrica de Jacareí, SP, onde foram produzidos os primeiros Chery nacionais e depois entrou na negociação com a Caoa – e que hoje está sem operar – não está descartada.

“Jacareí é uma das nossas opções. Não é a principal, mas é uma delas. Temos muitas opções e não posso dizer o prazo exato, mas queremos produzir no Brasil o mais rápido possível. Pode ser no fim deste ano ou no começo do ano que vem.”

A parceria com a Caoa também não é vista como empecilho. Hu explica: “Somos parte do Grupo Chery, que é um grupo automotivo como a Stellantis, Volkswagen. A Caoa Chery é uma marca e nós somos outra, temos estrutura diferente, áreas financeiras diferentes. Nós somos bons e eles também são bons, mas somos independentes”.

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