São Paulo — Cinco anos após lançar seu primeiro chassi de ônibus urbano elétrico desenvolvido e produzido no Brasil, o eO500u, a Mercedes-Benz apresenta agora o eCity, versão a bateria do clássico modelo OF. Com autonomia de até 150 quilômetros por recarga, e preço de 20% a 30% abaixo de seu antecessor, a montadora aponta a mira para pequenas e médias cidades para ampliar sua presença na eletromobilidade.
O lançamento do eCity foi feito na Lat.Bus 2026. O produto chegará ao mercado em meados de 2027 e, de acordo com Walter Barbosa, vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços Ônibus da Mercedes-Benz, a expectativa é emplacar ao menos cem unidades no ano que vem.
Fabricado em São Bernardo do Campo, SP, o eCity será sempre encarroçado pela Caio em Botucatu, SP, e faturado pela Mercedes-Benz. Ou seja: trata-se de um ônibus completo, já encarroçado, algo que não era feito pela empresa há vinte anos, quando ainda montava monoblocos na antiga unidade de Campinas, SP — onde a chinesa Sany montará caminhões e máquinas pesadas.
“Vamos ampliar a família OF, nosso carro-chefe no Brasil, que conta com 5 mil veículos vendidos”, afirmou Barbosa, ao completar que, ao optarem por vender o chassi encarroçado, o prazo de entrega do produto é reduzido de tradicionais seis meses, em média, para quatro. “O objetivo é acelerar a eletromobilidade e introduzi-la em cidades menores, por exemplo, do Interior de São Paulo, em Salvador e em Fortaleza. Por isto o ônibus terá menor autonomia e, consequentemente, menor custo.”

Autonomia pode ser estendida a 250 quilômetros
O eO500u roda 250 quilômetros com uma recarga. Já o eCity, por causa do menor conjunto de baterias, percorre 150 quilômetros após carregar por cerca de três horas. Porém, se receber uma recarga de oportunidade de 30 minutos a uma hora no meio do dia, no ponto final, estende sua autonomia para 250 quilômetros, segundo Barbosa.
A diferença de ambos se dá pela potência da bateria. Enquanto o eO500u usa conjunto de 390 kW, e de 590 kW no caso do articulado, fabricados pela BorgWarner, no eCity é de 190kW. As baterias são produzidas pela WEG, assim como o motor.
“O eCity é ideal para municípios que não têm corredores de ônibus nem vias preparadas para piso baixos, estão acostumados a comprar carros prontos e dispõem de orçamentos mais enxutos”, afirmou o executivo. “Por ser mais barato e ter retorno de pagamento em até seis anos, em vez de dez, como ocorre com o outro modelo elétrico, acreditamos ser mais viável ao operador.”
Com 12 metros de comprimento, piso alto e interior totalmente plano o modelo difere do eO500u, com piso baixo, adequado para atender às exigências de grandes capitais, como São Paulo, onde há 350 unidades rodando e outras quinhentas vendidas.
Quanto à versão articulada eO500UA a empresa anunciou, também durante a Lat.Bus, o início das vendas para o Brasil e a América Latina.























