São Paulo – Aos 42 anos Fernanda Giacon, responsável pelo marketing da ZF na América do Sul, prepara-se para para enfrentar um novo desafio em sua carreira: a partir de 1º de setembro assume a posição de chefe global de marketplace em Barcelona, Espanha. Lá está um dos principais centros de digitalização da companhia e caberá a ela estruturar, do zero, escritório dedicado ao desenvolvimento do marketplace B2B na Europa.
Nascida em Limeira, SP, Giacon é graduada em propaganda e publicidade pelo Instituto Superior de Ciências Aplicadas, pós-graduada em gestão empresarial pela FGV e tem cursos de digitalização e comércio digital. Para conquistar a oportunidade participou de processo seletivo por mais de um ano. Eram considerados à vaga, inicialmente, apenas profissionais de comércio digital, prioritariamente europeus: mas ela, única concorrente da América do Sul, obteve o posto após concorrer com outros três finalistas, todos homens.
É resultado de trabalho desenvolvido a partir da integração de TRW e ZF, em 2016. Há 23 anos na empresa Giacon ingressou na TRW como estagiária de marketing. Quando tornou-se responsável pelo marketing da ZF seu primeiro desafio foi comunicar a união das duas grandes empresas:
“As linhas de produtos eram diferentes. Eu tinha mais experiência com a linha leve, mas acabei aprendendo muito com a linha pesada. A integração começou pela América do Sul porque a ZF entendeu que seria uma boa ter região piloto, menor e com menos risco, ao processo. Fomos a cobaia. Era uma página em branco, não tínhamos receita de bolo”.
Naquela época falava-se que o mecânico não tinha acesso a computador na oficina, nem à internet. Mas, em pesquisa encabeçada pelo marketing, descobriram que era o contrário: os profissionais tinham no YouTube fonte de conhecimento.
“Foi quando lançamos nosso trabalho online por meio do Amigo Bom de Peça, em abril de 2017, em que oferecíamos treinamento técnico de todas as marcas das empresas. Deu tão certo que vimos os números de cadastros crescer muito rápido, e a América do Sul tornou-se polo de digitalização da ZF.”
Giacon atribui o movimento ao fato de que no Brasil, diante de maior carência de informações, as pessoas aprendem o ofício com o pai e a “correr atrás”, enquanto que na Europa é tudo tão organizado que, a exemplo da Alemanha, o mecânico não abre oficina sem um curso preparatório: “Aqui a relação de confiança é mais forte. É um mix de necessidade, curiosidade, proximidade e conexão. Temos coragem para fazer as coisas. Entendemos o desafio, erramos e acertamos e seguimos”.
Foi este espírito que fomentou a expansão do programa, hoje rebatizado de ZF Pro Amigo, e com 9 milhões de visualizações, 200 mil certificados emitidos, 40 mil profissionais registrados na plataforma e 150 vídeos – material que Giacon optou que fossem gravados sem ninguém aparecendo, a fim de não relacioná-lo a alguma cultura. Eles são legendados para países como Argentina, Chile e Colômbia.
O passo seguinte foi ampliar a família: foi então que surgiu o ZF Pro Tech, para auxiliar o dono da oficina na parte de gestão e marketing. Um aplicativo de uso gratuito de agendamento de serviços, que conta com 10,3 mil estabelecimentos, foi criado para isto. A solução foi apresentada na Automechanika, na Alemanha, do ano passado para ter alcance global.
O mais recente lançamento, que data de dois anos, foi o marketplace ZF Pro Parts, em que o mecânico, ao receber a demanda da manutenção e fazer o check list dos reparos, tem acesso ao estoque de distribuidores e varejistas para facilitar sua busca pelas peças. Hoje a plataforma reúne 600 mil ofertas com mais de 400 mil part numbers diferentes. E é feita a ponte entre quatrocentas oficinas e noventa varejistas e distribuidores, sendo que existem cerca de 100 mil oficinas e 30 mil varejistas e distribuidores:
“Ou seja, o potencial é enorme. Trata-se de processo de digitalização que imprime mudança de cultura, requer integração de sistemas com dados de estoque e preços online, sem contar a parte de logística”.
Por enquanto a iniciativa opera somente no País mas o plano é ampliar para outras regiões: “Quando chegar a Barcelona começarei a fazer os planos de negócios. Olhando o perfil do Brasil o mais próximo ao nosso é o México.”
A executiva está de mudança com sua família, seus filhos Mariana, 11, e Gustavo, 18, que faz faculdade de Ciência do Esporte e transferiu o curso para a cidade. Seu marido, que aqui trabalha no ramo imobiliário, continuará gerindo os negócios à distância e, quem sabe, os expandirá para a Catalunha.