Um importante – e ousado – passo foi dado para que a empresa consiga ampliar sua presença globalmente. Após hiato de seis anos a retomada da participação no EICMA, um dos principais salões de motocicletas e acessórios do mundo, realizado anualmente em Milão, Itália, em 2024, abriu janelas de oportunidades à empresa. A primeira delas foi a exportação de pneus para a Ásia, especificamente para a Filipinas.
Contrariando a lógica de que o continente é o maior exportador de pneus do mundo, com preços dificilmente de serem alcançados, a Rinaldi conseguiu um distribuidor como cliente que se interessou não pelo custo, mas pela qualidade do produto, a Lyr Motorparts. Foi enviado um primeiro contêiner de pneus e a expectativa inicial é de um volume de 6 mil unidades, o que representa cerca de US$ 150 mil em mercadorias, de produtos fora-de-estrada para motos de competição e para o uso de lazer.
“Ele nos conheceu no EICMA, viu o posicionamento da marca e entendeu que temos possibilidades de crescimento”, contou à Agência AutoData André Ricardo Fiorese, gerente de exportação da Rinaldi. “A Lyr, que é ligada ao setor de off-road, demandou amostras, fizemos investimento bem expressivo para enviar conjuntos de pneus, via aéreo, e ela realizou testes com pilotos. Então surgiu a possibilidade de fazermos negócios.”
Em junho será realizado o lançamento da marca nas Filipinas e a expectativa é aproveitar a viagem para ampliar contatos, inclusive com outros países do continente. Para este ano a fabricante espera que 14% da receita provenha de exportações, enquanto que no ano passado eram 11%. Em volume, significa embarcar 400 mil unidades, sendo que em 2025 foram 350 mil unidades. Até 2028 a meta é mais que dobrar este número, para 840 mil.
Contêiner já foi enviado para as Filipinas e expectativa expectativa inicial é de um volume de 6 mil unidades. Foto: Divulgação.
Preço não é a chave para ampliar presença na Ásia
Fiorese deixou claro que a empresa entende que não tem como competir mais por preço neste mercado. “Estamos, então, trabalhando forte na qualidade de produtos e em desenvolvimento. Queremos posicionar a marca de forma global como produto premium, de alta qualidade, que concorre com grandes empresas.”
Para o executivo é justamente esta aposta em pneus de qualidade e alto rendimento que fará a diferença na aceitação nos mercados, inclusive nos asiáticos. Para se ter ideia, os preços, se comparados a produtos fabricados na Ásia, podem ser de 70% a 100% mais caros. “Não existe uma receita para lidar com isso. O que existe é um planejamento, um conjunto de fatores que estamos trabalhando para fazer a prospecção da marca, um posicionamento a nível global e que começa a gerar demandas. Já tivemos cotações para o Japão e trabalhamos com a Austrália. São oportunidades que não deixamos passar.”
Rinaldi estuda estabelecer escritório na Europa
Para dar um maior suporte a este plano de ampliação das exportações e estar mais próxima aos distribuidores internacionais, a Rinaldi estuda estabelecer um escritório na Europa, possivelmente em Portugal, Espanha ou Itália, o que ainda não está definido, a partir do ano que vem.
O andamento do projeto, porém, depende do desenrolar das volatilidades geopolíticas e até mesmo da estabilidade na economia global.
Quanto ao centro de distribuição nos Estados Unidos, que acabou engavetado em meio ao tarifaço de Donald Trump, Fiorese disse que a iniciativa voltará a ser reativada em momento mais oportuno.
Enquanto isso a empresa, no mercado há 56 anos, está investindo para ampliar o centro de distribuição da fábrica em Bento Gonçalves, a fim de comportar melhor a projeção de crescimento do volume a ser comercializado no País e também o embarcado. “Já ampliamos em 50% o espaço e vamos expandir mais esse ano e no próximo, quando será concluída a obra.”
Atualmente a Rinaldi está presente em Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Colômbia, Bolívia, Peru, Venezuela, Equador, Costa Rica, México, Guatemala, Guiana, Haiti, Cuba, Letônia, Portugal, Suécia, Itália, Espanha, Bélgica, Finlândia, Chipre, Tchéquia, França, Alemanha, Estados Unidos, Turquia, Inglaterra, Polônia e, agora, também, nas Filipinas.
Como parte de sua estratégia internacional, a Rinaldi mantém agenda ativa de aproximação com mercados externos. Fiorese contou que a missão internacional prevê a realização de duas viagens por ano para visitar pelo menos vinte países, com o objetivo de estreitar o relacionamento com clientes e compreender as demandas locais. Os principais focos são os mercados da Europa, Ásia e África.