Com aporte que gira em torno de R$ 5 milhões o plano é, a partir de outubro, estar mais próximo à ArcelorMittal, maior fornecedora de aço da companhia, e assim obter ganho logístico e reduzir os desembolsos com frete. Hoje é utilizado entreposto em Caxias do Sul, RS, como apoio. Com a aquisição também ficará mais fácil enviar a sucata à siderúrgica.
A informação foi dada pela CEO da Librelato, Simone Martins, em entrevista à Agência AutoData. Há seis meses no cargo, a executiva ingressou na companhia em 2018 como diretora administrativo-financeira, em sucessão a Roberto Lopes Júnior, que em setembro de 2024 sucedeu a José Carlos Sprícigo, hoje responsável pelas relações institucionais da Librepar.
“Trata-se de uma operação pequena, mas que tem o propósito de diminuir a sucata, que vendemos para a própria ArcelorMittal, e de internalizar processo que auxiliará tanto a Librelato quanto a Ibero [em Itaquaquecetuba, SP]. A partir do ano que vem estimamos ganho de eficiência de 1% no total do que compramos de aço durante o ano todo.”
Martins disse que esta deverá ser uma das últimas aquisições da Librepar, uma vez que já internalizou a fabricação do eixo e de peças para os implementos rodoviários: “Pode ser que haja um item ou outro, mas o que era de mais importante nós fizemos. Aquisições, agora, só se surgirem boas oportunidades. Não está no nosso radar fazer grandes investimentos na verticalização de autopeças”.
Diante do aumento da demanda pelo segmento de carga fechada, motivada pelo varejo e e-commerce, principalmente o baú alumínio, que historicamente tinha participação de 8% e, no mês passado, disparou para 22%, este será um dos carros-chefes da unidade paulista, ao lado do sider. O espaço também fará as vezes de hub, e poderá armazenar produtos a pronta entrega para facilitar negócios no Estado e na Região Nordeste.
“A ideia agora é amadurecer todos esses investimentos até 2026. Os aportes previstos para o ano que vem serão injetados na continuidade da melhoria dos processos, em mais automação, qualidade e eficiência.”
Projeção para este ano é de queda de 20% no faturamento
Simone Martins tornou-se a número 1 da Librelato em momento de crise econômica, com a escalada da taxa de juros, em que, na carona da queda nos emplacamentos de caminhões, também encolheu a procura por implementos rodoviários. Em linha com o mercado a projeção é a de que o faturamento seja reduzido em 20% este ano: “Se antes vendíamos 12 mil implementos, agora ficaremos próximos de 10 mil”.
Ela ressaltou que a empresa acompanha o setor mesmo sem volume significativo de baú alumínio. E é aí que reside a aposta de ampliar a oferta deste produto, com o intuito de conquistar maior participação de mercado. “Se houvesse mais produto venderíamos mais”, assinalou, ao lembrar que produtos como basculante e graneleiro despencaram 40% por causa do agronegócio.
“Em 2026 o mercado não deverá crescer. Mas graneleiro e basculante não ficarão dois anos estagnados, deverão subir gradativamente. Talvez no segundo semestre e no ano que vem vejamos movimento diferente.”
“Falávamos em 2028. Dadas as dificuldades de mercado podemos considerar 2030. Minha bandeira é que tenhamos uma marca admirada pelos clientes e funcionários. Além de todo este processo de integração, que não foi fácil, e não está no fim, temos o desafio de voltar a crescer.”
Hoje a Librelato é a terceira maior fabricante de implementos rodoviários, atrás de Randon e Facchini. Martins afirmou não ter a ambição de ocupar o segundo lugar: o que busca é manter a posição no pódio: “Eles têm, cada um, de 20% a 25% do mercado. Almejar 20% e manter o terceiro lugar acho que é algo possível.”
Dos principais valores da empresa familiar de 56 anos com gestão profissionalizada desde 2011, quando houve a participação do fundo CRP como sócio, que saiu em 2021, a executiva ressalta a ousadia e, ao mesmo tempo, a simplicidade:
“Temos preservado raízes tradicionais mesmo sendo um empresa moderna, mas com características mais humanas. E é preciso continuar crescendo para alcançarmos o plano de que a companhia seja centenária”.