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Mesmo com Move Brasil produção de caminhões recua 27% no bimestre

Para o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, resultado pode demorar meses a aparecer na indústria e nos emplacamentos
PARIS, FRANCE - AUGUST 7: Augusto Akio during the Men's Park Final on day twelve of the Olympic Games Paris 2024 at Place de la Concorde on August 7, 2024 in Paris, France. (Photo by Rodolfo Buhrer/Eurasia Sport Images/Getty Images)

São Paulo – O lançamento do programa Move Brasil, que busca socorrer a indústria de caminhões ao oferecer crédito a juros subsidiados com recursos do Tesouro e do BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, ainda não trouxe impactos significativos ao setor. Dados da Anfavea mostram que, no primeiro bimestre, a produção de 14,6 mil unidades recuou 27% com relação ao mesmo período em 2025, quando 20 mil unidades saíram das fábricas.

Quando analisado apenas fevereiro, em que 7,8 mil caminhões foram produzidos, o número está 14,5% acima dos 6,8 mil de janeiro mas 35% abaixo do resultado do segundo mês do ano passado, 12 mil unidades.

O presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, reconheceu que a reação mensal pode estar relacionada ao programa, ao ponderar que, embora o vice-presidente e ministro do MDIC, Ministério do Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tenha relatado a contratação de R$ 4,2 bilhões por meio do Move Brasil, existe um tempo do faturamento ao emplacamento:

“Este intervalo de tempo costuma se estender por sete a doze semanas. Só então veremos melhor os números, nos próximos meses, provavelmente depois que o programa estiver encerrado. Há relatos de que pedidos de avaliação de crédito cresceram 50% de um mês para outro”.

Calvet destacou, ainda, que há questões relacionadas ao programa que são impeditivos, em menor escala, como o fato de ele ser aplicado a apenas um CNAE de transportador, o 4390, que abrange 65% do mercado, mas ao mesmo tempo são excluídos 35% dos compradores.

Vendas de pesados recuam 36,3% no bimestre

Foram comercializados no primeiro bimestre 13,1 mil caminhões, 28,7% a menos do que os 18,4 mil dos dois meses iniciais de 2025. Em fevereiro os 6,7 mil emplacamentos ficaram 3,3% acima dos 6,4 mil de janeiro mas 25,7% abaixo de igual período no ano passado, quando as vendas alcançaram 9 mil unidades.

Quanto aos caminhões pesados, os mais afetados, devido ao custo mais elevado, a Anfavea mostrou que o tombo é ainda maior, de 36,3% no acumulado do ano, 5,5 mil unidades, enquanto que no mesmo período de 2025 foram 8,7 mil unidades.

No mês passado houve estabilidade frente a janeiro, com 2,8 mil emplacamentos, leve alta de 0,5%. Com relação aos 3,9 mil na comparação anual a queda é de 28,2%.

“Os números ainda não mostram, mas vamos começar a ver, dado o valor negociado, que os resultados aparecerão”, assinalou Calvet, ao destacar que o número de empregos perdidos nas fabricantes de caminhões tem diminuído, ao totalizar 180 postos no bimestre, uma vez que no ano passado os cortes chegaram a setecentos profissionais, o que também é um indicativo. 

Renovação de frota pode ser destravada com recursos da Petrobras?

Perguntado sobre a possibilidade de o programa tornar-se perene, como sinalizou recentemente Alckmin, a partir do uso de um fundo com recursos da Petrobras, o presidente executivo disse que a entidade não foi consultada, mas que soube de conversas a respeito.

Em reportagem da Agência AutoData publicada no fim de fevereiro, fontes disseram que circulam nos bastidores de Brasília, DF, que o plano é estabelecer definitivamente programa de renovação de frota após o término da validade do Move Brasil, o que agora ganha mais força quando o vice-presidente da República sinaliza de onde poderia sair a verba.

“Não temos tanto conhecimento quanto às bases legais, aparentemente pode ser algo relativo a dispêndios em P&D. Mas precisaríamos deste arcabouço legal para perenizar a iniciativa”, apontou Calvet. “Não sei se é algo envolvendo apenas a Petrobras. Imagino que para ser definitivo seriam necessários diálogos intersetoriais, envolvendo toda a indústria de combustíveis.”

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