Querichelli, da Iveco, Podgorski, da Scania, e Cortes, da VWCO, participaram do Congresso Megatendências
São Paulo – Fabricantes de veículos comerciais seguem preocupados com as incertezas do mercado uma vez que, mesmo com o programa Move Brasil e o crédito de R$ 10 bilhões a juros subsidiados, as vendas de caminhões encolheram 28,7% no primeiro bimestre, totalizando 13,1 mil unidades. Para impulsionar os emplacamentos é necessária a renovação da iniciativa, o que estaria sendo preparado pelo governo.
Márcio Querichelli, da Iveco. Fotos: Bruna Nishihata
Foi o que demonstraram, em uníssono, durante o Congresso Megatendências 2026, realizado por AutoData na segunda-feira, 6, o presidente da Iveco na América Latina, Márcio Querichelli, o presidente e CEO da Scania na América Latina, Christopher Podgorski, e o presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes.
Os executivos estão esperançosos quanto a um anúncio de restauração do Move Brasil, que tem possibilidades de vir de forma definitiva como programa de renovação de frota, e fazem coro quanto à necessidade de incluir à iniciativa implementos rodoviários e ônibus, além de ampliar as oportunidades aos autônomos, que acabam arcando com juros um pouco maiores.
Christopher Podgorski, da Scania. Fotos: Bruna Nishihata.
Cortes lembrou que, “diferentemente de automóveis, o setor de caminhões envolve uma decisão de investimento. E, em um contexto tão incerto, com dificuldades econômicas e guerras, a compra é postergada”.
Querichelli complementou que os recursos do Move Brasil terminaram em um período complicado, no fim de março, e que, frente à expectativa de que o programa seja restabelecido, tem-se mais um motivo para segurar a decisão acerca da aquisição do veículo: “Isso nos preocupa bastante, pois os juros ainda estão bastante elevados, o que afeta principalmente o segmento de extrapesados”.
Cadeia de fornecedores
Em paralelo ponto citado foi a preocupação com a competitividade dos fornecedores. Podgorski ressaltou que o negócio de transporte começou muito desafiador em 2026, e que as margens estão bastante estreitas, o que complica mais o cenário: “Investimentos locais também são importantes para que a cadeia torne-se mais competitiva”, afirmou, ao reforçar que, apesar dos percalços, o custo ainda vale a pena frente a outras partes do mundo, inclusive da China, que também tem “seus pênaltis logísticos”.
Cortes, da VW Caminhões e Ônibus. Fotos: Bruna Nishihata
Para Cortes o que mais preocupa é a escala, o que acaba sendo prejudicado pelo custo Brasil: “Nós não podemos ser oportunistas e dizer que compraremos tudo da China e da Índia. Até porque, quando voltarmos ao patamar de 200 mil unidades, o que espero que seja logo, precisamos ter um parque fornecedor bem estabelecido”.
No ano passado saíram das linhas de produção 124,1 mil unidades, 12,1% menos que as 141,3 mil unidades de 2024.