Taipé, Taiwan – Na virada da década de 2010 para 2020 Taiwan começou a ver em suas ruas um crescente interesse por veículos elétricos da Tesla, hoje líder isolada de carros com este tipo de propulsão, com quase a metade do mercado. Sua primeira montadora local, Luxgen, não tardou a firmar parceria com quem é referência global na fabricação de eletrônicos: a gigante e cinquentenária Hon Hai Technology, mais conhecida pela marca Foxconn e por montar o iPhone, além de outros produtos da Apple, Sony e Microsoft. Nasceu assim o primeiro veículo elétrico made in Taiwan: o SUV elétrico n7, produzido pela Foxtron, nome escolhido pela joint venture da Foxconn com a Luxgen, que pertencia ao Grupo Yulon, responsável por produzir carros da Nissan e da Mitsubishi.
Agora o n7 será aposentado e o Model C passará a ser comercializado em seu lugar. Apresentado no estande da Foxconn durante a feira 360º Mobility Mega Show, realizado no Taipei Nangang Exhibition Center, em Taipé, o novo modelo ainda não tem preço anunciado. A nova geração será introduzida ainda este ano.

Algumas novidades com relação à anterior são mudanças no exterior e interior, como banco de couro branco, puxador tradicional, como os de carros a combustão, e não aqueles embutidos, típicos de automóveis elétricos, que são acionados ao toque, e a presença de botões, em vez de apenas acesso digital na enorme tela de infoentretenimento na posição vertical.

A reportagem da Agência AutoData conversou com um dos demonstradores do estande, que arriscou dizer que seu preço será menor que o de um Volvo, por exemplo, e a qualidade superior a de um Tesla. Como trunfos para fazer frente à concorrência traz embarcado Adas nível 2, autonomia de até 700 quilômetros com uma única recarga, que alcança 80% em meia hora.
Já foram feitos 1 mil pedidos do Bria em Taiwan
Também mostrado ao público, o crossover Bria, ou Model B, começou a ser emplacado no fim do ano passado em busca de garantir um lugar ao sol no mercado taiwanês como o segundo modelo da marca Foxtron. Com pegada mais esportiva e cintos de segurança vermelhos o modelo tem um painel minimalista, bem pequeno, segundo o expositor “para reunir apenas o essencial”, com tela de infoentretenimento horizontal mas com alguns botões físicos também.

“Nós começamos a vender este modelo em dezembro, e os carros começaram a chegar aos clientes em fevereiro. Temos, até agora, aproximadamente quinhentos carros vendidos e mais de 1 mil pedidos realizados.”
Durante a conversa com a reportagem, frente ao comentário de que, ao menos em Taipé, parecia ser mais comum ver o n7 circulando, que ainda não tinha avistado nenhum Bria, ele afirmou que a maior parte das unidades vendidas estão rodando em Hsinchu, a cidade mais populosa da ilha.

Seu preço gira em torno de US$ 28,6 mil a US$ 36,5 mil, dependendo da versão, o que dá cerca de R$ 143 mil a R$ 182,5 mil. Sua autonomia é de até 516 quilômetros no ciclo NEDC.
O Bria é também o escolhido pela joint venture para ser um modelo tipo exportação. Está sendo embarcado para a Austrália e para a Nova Zelândia, onde já existe uma presença por meio dos veículos Mitsubishi fabricados na ilha.

Tesla lidera e Luxgen aparece em terceiro
No ano passado foram comercializados 414,8 mil veículos em Taiwan, dos quais pouco menos da metade, 199,1 mil unidades, fabricados localmente. Do total, fatia de 8,1% ou 32,6 mil, foram elétricos. Foi o que apontou relatório da ARTC, Centro de Pesquisa e Testes Automotivos.
O modelo mais vendido foi o Tesla Model Y, com 13,3 mil unidades, equivalente a 41,1% do total, o que o elevou ao posto de primeiro veículo a bateria a ultrapassar 10 mil unidades comercializadas na ilha em um ano. O segundo lugar coube ao Luxgen n7, com 3,4 mil unidades. Para fechar o ranking novamente aparece a Tesla, com 2,6 mil unidades de seu Model 3.
No geral a montadora estadunidense liderou os emplacamentos de veículos a bateria, somando 16,6 mil unidades ou 47,2% do total em 2025, seguida pela BMW, com 3,7 mil ou 10,6%, e Luxgen, com 3,4 mil ou 9,8%.
Toyota lidera com folga mercado de Taiwan

Considerando as 199 mil unidades emplacadas de fabricantes locais, apesar de ter havido redução de 15%, conforme dados da TTVMA, associação que reúne as montadoras, quem segue firme na liderança é a Kuozui Motors, que detém a licença da Toyota para fabricar modelos em Taiwan, com com fatia de 46% ou 93,1 mil veículos.
Não à toa é visível a quantidade expressiva de carros da marca nas ruas, com sortimento impressionante aos olhos brasileiros, acostumados com poucas opções da marca por aqui. A maioria é movida a combustão ou com tecnologia híbrida, lembrou o expositor: “Os taiwaneses querem manter o valor do carro e as pessoas mais velhas acham que a Toyota é uma relíquia. Então, quando você quer vender, é possível fazê-lo a um preço mais alto. Meu pai é um exemplo: ele teve diversos modelos da marca, como Corolla, Camry, RAV4 e NX [este um Lexus], é fã assumido”.
É a mais pura demonstração da coexistência do passado com o futuro no mercado automotivo de Taiwan, o qual, no que depender da Foxconn, contará com cada vez mais modelos movidos a bateria.

A Foxtron demonstrou na feira seus próximos passos: o carro conceito Model D, uma minivan elétrica de sete lugares, que ainda não começou a ser produzida e não tem data para ser lançada, assim como o o Model U, um microônibus a bateria — desde 2022, outro ônibus, maior, o Model T é usado para transporte público na ilha.





