Segundo dados da ABVE carros 100% a bateria são maioria e participação no mercado de leves chega a 17,3%
São Paulo – Com 190,4 mil emplacamentos de janeiro a maio, a venda de automóveis e comerciais leves eletrificados mais do que dobrou com relação ao mesmo período do ano passado, em que foram registradas 92,7 mil unidades. O avanço foi de 105,4%, segundo dados divulgados pela ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico.
A participação no mercado brasileiro, considerando todas as formas de propulsão, BEV, PHEV, HEV e MHEV, saltou de 10% para 17,3% nos cinco meses iniciais do ano. Destaque para a comercialização de veículos 100% a bateria, que seguem liderando os emplacamentos dos eletrificados no acumulado do ano, com 69,5 mil unidades. Na sequência vêm os híbridos plug-in, 58,2 mil, os híbridos tradicionais, 39,7 mil, sendo os flex maioria, com 20,3 mil, e os híbridos leves, de 12V e 48V, com 23 mil carros.
Em maio foram vendidos 51,6 mil eletrificados, o que correspondeu a quase 20% dos veículos leves. Com relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram comercializados 22,2 mil, houve avanço de 132,4% e, frente a abril, 43,4 mil unidades, alta de 18,9%.
Participação de eletrificados nacionais chega a 39%
De acordo com a ABVE a participação de eletrificados importados no total de emplacamentos caiu de 94% em maio de 2025 para 61% no mês passado. E a fatia de veículos fabricados ou montados no Brasil saltou de 6% para 39% no período.
Para a entidade tal evolução demonstra como as fabricantes que investiram na produção local de veículos elétricos e eletrificados já estão reconfigurando o mercado automotivo brasileiro. Dentre elas BYD em Camaçari, BA, GWM em Iracemápolis, SP, Pace em Horizonte, CE, que fabrica modelos Chevrolet, BMW em Araquari, SC, Toyota em Sorocaba, SP, Stellantis em Betim, MG, e Goiana, PE, e a fabricante brasileira de comerciais leves Hitech, em Campo Largo, PR.
Para o presidente da ABVE, Ricardo Bastos, este é o início de “um notável círculo vicioso”:
“A produção nacional já começa a impulsionar a eletrificação da frota. São os primeiros movimentos de uma revolução na indústria automotiva brasileira, com efeitos em outros segmentos industriais”.
Segundo Bastos o processo de eletrificação liderado pelo setor automotivo traciona crescimento exponencial do setor de recarga, baterias e infraestrutura elétrica, além de reforçar a expansão dos ônibus elétricos, da micromobilidade elétrica e até a renovação da indústria nacional de autopeças: “Não tenho dúvidas de que este é processo irreversível de transformação industrial”.