Sertãozinho, SP – Com a evolução da sua fábrica em Camaçari, BA, próxima a entregar os prédios de ferramentaria, estamparia e pintura, a BYD não imagina um cenário de renovação da isenção de alíquota de importação para veículos desmontados em kits SKD e CKD no ano que vem. Foi o que disse à Agência AutoData Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD.
“O que é combinado não é caro. Ficou combinado com o governo que a isenção iria até o fim deste ano. Se isto mudar estaria fugindo da minha responsabilidade daquilo que ficou acordado”.
Ele reafirmou que a extensão da isenção do imposto de importação para kits semi e completamente desmontados respeitou os critérios do Gecex, de que deveria haver um cronograma de auditoria para avaliar os compromissos assumidos pelas empresas, não só a BYD, quanto aos investimentos e a instalação no Brasil de processos produtivos.
Reportagem de AutoData havia esclarecido, na véspera da decisão do Gecex, no final de junho, que a BYD cumpriu as exigências estabelecidas e esperava um parecer favorável do comitê executivo de gestão: “Na verdade o que nós queríamos é que o prazo que não foi cumprido de fevereiro a junho, para as cotas pactuadas, fossem reaplicadas no segundo período, que eram os seis meses subsequentes”.
Baldy enfatizou que nunca solicitou benefícios adicionais nem uma nova negociação: “Nunca houve novo pedido. O pedido sempre foi o mesmo e o compromisso sempre foi o mesmo”.
Segunda onda
Durante o lançamento do Song Pro híbrido plug in flex, o primeiro modelo eletrificado bicombustível vendido pela BYD no Brasil, Alexandre Baldy classificou como improvável uma revisão desta definição do Gecex, independente do cenário político que se apresentar em 2027.

Ele acredita que assim como a Volkswagen, a General Motors e a Fiat, dentre praticamente todas as outras fabricantes que vieram depois tiveram algum apoio dos governos para se instalar no Brasil, as marcas de origem chinesa com visão que investiram nos últimos dois anos também precisaram trabalhar junto com Estado:
“Quem não enxergou o Brasil como potencial em 2023 e não investiu, vai pagar um preço por isto. Porque a BYD, a GWM e outras empresas que investiram no Brasil acreditaram nesse diálogo que foi construído com o Estado”.
Ele disse que houve uma negociação com fases estabelecidas com o governo federal: “Foi uma transição pactuada, do CBU e do SKD. É uma transição que exigiu um faseamento. O governo cumpriu integralmente CBU e SKD. Então, quem chegou atrasado perdeu a transição. Vai ter que fazer um investimento adicional para ser competitivo. Uma fábrica não leva um mês para ficar pronta, nem um ano”.

Agora, o executivo espera que os acordos sejam respeitados: “A previsibilidade é tudo no mundo privado para viabilizar um investimento deste tamanho. Se eu prorrogo algo que não estava previsto, estou desconstruído um planejamento”.



















