Osasco, SP – Mais do que greenwashing – termo criado para identificar a maquiagem que muitas empresas fazem propagandeando práticas sustentáveis que, na verdade, pouco agregam à preservação de recursos naturais – a economia circular está integrada ao negócio da Stellantis. Inclusive no que diz respeito a gerar recursos financeiros para a companhia.
Hoje a Sustainera, como a empresa batizou sua divisão verde, gera receita por meio de vendas de peças e componentes reciclados, remanufaturados e até de segunda mão: “É um bom negócio, que também deixa consumidores satisfeitos”, afirmou Laurence Hansen, vice-presidente global de economia circular da Stellantis.
Ela esteve no Brasil para acompanhar o primeiro aniversário do CDV, Centro de Desmontagem Veicular, de Osasco, SP. E, claro, calibrar o planejamento da área que ganha cada vez mais importância na região. Em conversa com jornalistas adiantou um importante passo:
“Nós vamos produzir peças remanufaturadas internamente. Ainda não posso dizer quando nem onde, mas será para impulsionar este segmento que está crescendo”.
A Stellantis já compete neste mercado com sua Circular Autopeças, que garante componentes de 30% a 40% mais baratos do que um novo, mas os itens são remanufaturados por empresas parceiras. O planejamento da companhia, liderado por Hansen, é assumir a industrialização destes componentes, que são reformados a partir de peças usadas.
A América do Sul é o terceiro principal mercado de economia circular da Stellantis. A Europa, naturalmente, é o primeiro, impulsionado pela regulação local que existe há anos. Em segundo, por seu alto volume, é a América do Norte, mas quase todo o processo é feito com fornecedores terceirizados. Hansen ressaltou, também, que a região é instável na questão regulatória.
Por aqui a Stellantis está assumindo um ecossistema próprio para aproveitar o rápido crescimento destacado por Hansen. Hoje mantém o CDV, para a reciclagem do veículo e suas peças, em Osasco, promove reforma de veículos usados para venda no mercado de seminovos em Betim, MG, e agora passará a produzir suas próprias peças remanufaturadas. Tendo tudo em mãos é mais garantido o controle de qualidade e lucratividade.
A área de economia circular já garante bons resultados para a companhia, mas Hansen não pode divulgar os números. Ela garantiu, porém, que os dados apresentados ao CEO Antonio Filosa o impressionaram.
Dentro de alguns meses a executiva estará em Poissy, França, onde participará da inauguração do quarto CDV da companhia, que fará companhia a Mirafiori, Itália, Casablanca, Marrocos, e Osasco. Seu retorno ao Brasil já está confirmado para 2027, porém. Oficialmente para acompanhar o desenvolvimento dos planos da divisão na região, mas quem sabe, também, para inaugurar a produção local de peças remanufaturadas.























