A transformação da indústria automotiva não acontece apenas nos veículos e nas tecnologias que chegam ao mercado. Ela também passa pelo perfil de quem comanda as operações. Na BorgWarner, Melissa Mattedi representa essa mudança: é a primeira mulher a assumir a direção de uma fábrica da companhia no Brasil.
Diretora Geral da BorgWarner Turbos and Thermal Technologies no País, Melissa está à frente da unidade de Itatiba, SP, operação que se consolidou como a maior produtora de turbocompressores para motores flex da América Latina. Atualmente, cerca de 50% dos motores turboflex de baixa cilindrada fabricados no Brasil utilizam turbocompressores produzidos na planta.

Sua gestão busca associar os indicadores industriais à transformação da cultura da empresa, com iniciativas voltadas à inclusão, formação profissional e sustentabilidade. “A transformação da indústria passa pela tecnologia e pela evolução dos processos, mas também pela maneira como desenvolvemos pessoas e construímos ambientes capazes de incorporar diferentes experiências e perspectivas”, afirma Melissa.
Um dos reflexos dessa estratégia está na maior participação feminina. Em 2022 as mulheres representavam 21,8% dos profissionais da fábrica de Itatiba. Em 2025 a participação chegou a 33%, avanço de 51,4% no período.
Para ampliar esse movimento a BorgWarner criou programas de capacitação em atividades como usinagem e almoxarifado, com metade das vagas reservada às mulheres. A política de inclusão também contempla profissionais surdos, com intérpretes de Libras, capacitação de colegas e adaptações visuais no ambiente industrial.

“Diversidade precisa estar acompanhada de oportunidades concretas. Quando identificamos barreiras de acesso ou desenvolvimento, precisamos criar condições para que mais pessoas possam se preparar, participar e crescer profissionalmente, explica a executiva”
Eficiência também passa pela sustentabilidade
Outro eixo da operação está na combinação entre produtividade e menor impacto ambiental. A fábrica reduziu em 40% o consumo de energia elétrica por peça produzida e em 69% as emissões de CO₂ provenientes de combustíveis fósseis.
Entre 2021 e 2025 houve ainda redução de aproximadamente 70% das emissões de CO₂ e de 50,4% no consumo de água. A operação utiliza atualmente energia 100% renovável e todos os resíduos gerados recebem tratamento.
Em 2025 a planta conquistou a certificação ISO 50001, voltada à gestão e eficiência energética. Suas instalações também contam, desde 2015, com soluções reconhecidas pelo selo Green Building da certificação LEED.
Os indicadores locais acompanham a estratégia global da BorgWarner. Em 2024, 87% do portfólio da companhia contribuía para redução de emissões, por meio do aumento da eficiência dos sistemas de combustão ou de tecnologias destinadas à propulsão elétrica. No mesmo período 91% dos produtos comercializados eram recicláveis e cerca de 37% dos insumos provinham de materiais reciclados ou remanufaturados.
Para Melissa, a mudança do perfil das lideranças ocorre justamente em um momento no qual a indústria precisa administrar simultaneamente transformações tecnológicas, ambientais e culturais.
“Liderar uma operação industrial hoje significa entregar os resultados do presente e, ao mesmo tempo, preparar pessoas, processos e tecnologias para o futuro. Uma empresa competitiva precisa estar aberta à transformação e criar condições para que diferentes talentos façam parte dela”, resume.























