Poucas empresas traduzem tão bem a dimensão alcançada pela indústria automotiva sul-americana quanto a Stellantis. Desde sua criação, em 2021, a companhia já comercializou 4,4 milhões de veículos na região, acumulando crescimento de 22%. Mas sua presença vai muito além dos números de mercado.
A estrutura reúne seis plantas de veículos na América do Sul – Betim, MG, Porto Real, RJ, Goiana, PE, Córdoba e El Palomar, na Argentina, e Nordex, no Uruguai –, além de quatro unidades de componentes e quatro centros de Pesquisa & Desenvolvimento. São mais de 35 mil colaboradores diretos e cerca de 200 mil indiretos.

Essa estrutura garante à Stellantis autonomia para projetar e desenvolver veículos alinhados às características do mercado regional. São mais de 4 mil engenheiros dedicados ao desenvolvimento automotivo na América do Sul. Somente em Betim, o Tech Center South America dispõe de mais de 60 laboratórios.
Essa capacidade ganhou ainda mais importância diante do novo ciclo da indústria. Em 2025, a Stellantis produziu 993 mil veículos na América do Sul e se tornou a primeira fabricante a superar 1 milhão de unidades comercializadas na região em um único ano. No Brasil, foram mais de 750 mil emplacamentos e 29,3% de participação. As exportações superaram 158 mil unidades, crescimento de 165% sobre 2021.
A transformação, porém, não acontece apenas em volume. Em Betim, o Safety Center South America ganhou estrutura dedicada a testes de colisão de veículos híbridos e elétricos. Instalado em 2019, o centro já ultrapassou mil crash tests e ampliou a autonomia tecnológica da engenharia regional.
Outro movimento está na economia circular. O Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças, em Osasco (SP), tornou a Stellantis a primeira fabricante da América do Sul a investir em uma operação dedicada ao desmonte de veículos. Em seu primeiro ano, foram desmontados 1.150 veículos, comercializadas mais de 11 mil peças e destinadas 862 toneladas de materiais ao reaproveitamento e à reciclagem.
Agora, a companhia avança sobre um novo ciclo de expansão. O plano de R$ 32 bilhões em investimentos na América do Sul até 2030 prevê mais de 40 novos produtos e o desenvolvimento de tecnologias de descarbonização. Apenas em 2026 são 16 modelos e atualizações, incluindo seis veículos com tecnologia Bio-Hybrid, que já ultrapassou 50 mil unidades produzidas.
Parte importante desse movimento passa pelos polos brasileiros. Goiana, que completou dez anos, receberá R$ 13 bilhões e tem capacidade para produzir 280 mil veículos por ano. Betim, que celebra cinco décadas de operação junto com os 50 anos da Fiat no Brasil, receberá R$ 14 bilhões até 2030. A unidade já produziu mais de 18 milhões de veículos e exportou mais de 4 milhões.
Em Porto Real, o ciclo de R$ 3 bilhões entre 2025 e 2030 já ganhou um novo capítulo com o Jeep Avenger. Sua chegada levou à contratação de mais de 800 profissionais e à abertura do segundo turno da fábrica.

São movimentos que materializam o FaSTLAne 2030, estratégia baseada em competitividade, ofensiva de produtos, complementaridade entre marcas e parcerias. Mais do que ampliar capacidade, a Stellantis prepara sua estrutura sul-americana para uma indústria que será cada vez mais eletrificada, conectada e desenvolvida a partir das necessidades do próprio mercado regional.























