Montadoras negociam produzir peças para respiradores

São Paulo – As empresas fabricantes de veículos anunciaram paradas nas linhas de produção, mas é possível que parte da sua capacidade volte a operar em meio à pandemia. No momento, algumas fabricantes articulam com o Governo Federal e empresas do setor de saúde a utilização de seus ativos para produzir partes e peças de respiradores hospitalares. 

 

De acordo com a Anfavea o movimento é embrionário e deriva de conversas que presidentes de algumas montadoras, mantêm com o Executivo, em Brasília, DF. Uma das propostas apresentadas é a da utilização de impressoras 3D das fábricas já inseridas no contexto da indústria 4.0 para a produção de peças para os respiradores. Segundo a Agência AutoData apurou, a General Motors é uma das que negocia medidas do tipo.

 

A entidade afirma estar à frente da coordenação dos trabalhos de forma a saber quais são as demandas das empresas de sáude e como a indústria automotiva pode colaborar por meio de seu aparelho produtivo que começa a ficar ocioso por causa da parada das máquinas. Algumas montadoras estão seguindo caminho semelhante nos Estados Unidos e na Europa.

 

Outra frente é a da logística. Segundo a Anfavea, montadoras estão empregando suas frotas de veículos no transporte de funcionários de empresas da área de saúde envolvidas no tema Covid-19. A entidade não revelou quais são as companhias, mas informou que as atividades, que envolvem automóveis e veículos comerciais, deverão ser estendidas a todos as fabricantes.

 

Foto: Divulgação.

Autopeças precisam mais do Governo Federal

São Paulo – Com as montadoras anunciando paradas na produção, as empresas fabricantes de autopeças que pertencem à cadeia de fornecedores ligaram o sinal de alerta: não bastasse o ano ter iniciado com queda de quase 7% na receita, agora é o avanço do coronavírus que aparece no horizonte do setor como mais um entrave.

 

Com a paralisação das linhas é certo que a demanda por componentes cairá. O que é incerto, e paira sobre o setor como importante interrogação, diz respeito às formas que as empresas dispõem para suportar as vendas menores projetadas. “Não é possível, neste momento, fazer estimativas quanto aos efeitos no setor nem na economia geral”, disse à Agência AutoData o presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe.

 

Para ele, ainda assim, é preciso acompanhar as movimentações da indústria em tempos de Covid-19. Enquanto o quadro é de estagnação, o setor avalia como importantes as medidas de socorro a economia anunciadas pelo governo federal. Porém, segundo Ioschpe, “outras, provavelmente, serão necessárias”.

 

Na semana passada o Ministério da Economia anunciou série de ações que, em tese, podem dar fôlego financeiro às empresas, como o adiamento do pagamento de dívidas junto a bancos estatais e privados. O Banco Central ainda reduziu, mais uma vez, a taxa básica de juros, a Selic

 

A Zen, que mantém fábrica em Brusque, SC, é uma das empresas que foram em busca de recursos no mercado para enfrentar o período de baixa demanda. Segundo Gilberto Heinzelmann, seu presidente, o panorama nos bancos, ao contrário do que as medidas governamentais indicavam, é de juros crescentes:

 

“Fizemos contato com quatro bancos e não tivemos nenhuma resposta clara de nenhum deles a respeito de como operar as linhas de crédito do BNDES. Precisamos de uma agilidade maior e não estamos sentindo isso. Estão na contramão da Selic com proposição de juros bem acima aos que estavam sendo oferecidos antes da crise”.

 

A empresa tem paralisação da produção programada para quarta-feira, 25, e se vê em meio ao cancelamento de pedidos no mercado de reposição, responsável por 70% do seu faturamento anual, e às incertezas no segmento OEM: “As fabricantes de veículos anunciaram parada na produção e o que nos dá insegurança é não ter a certeza se voltarão a operar no prazo estipulado ou se haverá prorrogação”.

 

A projeção é a de que a receita, nem março, caia cerca de 40%. Para Heinzelmann as propostas do Ministério da Economia são importantes, devem ajudar, mas são consideradas insuficientes:

 

“O volume de recursos destinado à indústria brasileira [R$ 5 bilhões] é muito pequeno perante o número de empresa. Outro ponto: é preciso retomar as discussões em torno da desoneração da folha, mas não de forma emergencial e, sim, de forma definitiva”.

 

Enquanto algumas empresas produtoras de autopeças analisam possíveis reflexos gerados pela crise do coronavírus – como é o caso da Meritor que, inclusive, avalia manter, ou não, investimento de R$ 200 milhões em nova fábrica em Roseira, SP – outras empresas seguem anunciando interrupção da produção de peças e componentes.

 

A Denso suspenderá temporariamente suas atividades a partir da terça-feira, 24. A paralisação seguirá, a princípio, até 6 de abril. A Pirelli, por meio de comunicado, anunciou parada “em vista a emergência relativa ao Covid-19 e à significativa queda da demanda do setor automotivo” nas fábricas instaladas no Brasil e na Argentina.

 

A Schaeffler interrompeu a produção em Sorocaba, SP, na segunda-feira, 23, e tem retorno previsto para 13 de abril. A Bosch concederá férias coletivas a partir de 30 de março, e o retorno às atividades será a partir de 20 de abril, “dependendo do desenvolvimento do tema no País”.

 

Foto: Divulgação.

Indústria de máquinas segue produzindo

São Paulo – As fábricas de máquinas agrícolas seguem com produção normal, sem previsão de interrupção. Diretamente ligada ao agronegócio, que está em plena colheita, a indústria não pode deixar de atender às demandas dos produtores por máquinas e, principalmente, as peças de reposição, que são produzidas nas mesmas unidades fabris.

 

Procuradas pela Agência AutoData, Caterpillar, John Deere e Grupo AGCO – que somam onze unidades produtivas no País – informaram que promoveram mudanças em suas operações para aumentar a prevenção contra o coronavírus, mas seguem produzindo. A CNH Industrial, que produz as máquinas da Case IH e New Holland, optou por não se manifestar sobre o assunto.

 

“Temos que tomar muito cuidado com qualquer decisão de suspender a produção, para não causar impacto direto sobre toda a cadeia de alimentos”, disse Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea. Segundo ele a decisão de manter ou suspender a produção cabe a cada empresa – e mesmo que pare de produzir, a fabricante deixará estoque suficiente para atender aos produtores, bem como montará plano de atendimento de pós-vendas para seus clientes.

 

Medidas de higiene foram tomadas. O Grupo AGCO, que acompanha diariamente a evolução e os impactos do coronavírus, reforçou as atividades de limpeza em todas as suas operações e orientou seus funcionários com relação aos cuidados pessoais para evitar a transmissão do vírus. Caterpillar e John Deere também adotaram maior cuidado com limpeza e higiene dos colaboradores.

 

Para Miguel Neto todas as mudanças na rotina das empresas são necessárias para manter a segurança e a saúde de seus funcionários, assim como a redução de pessoas circulando nas unidades. Para isso o Grupo AGCO, que possui quatro fábricas, uma no Estado de São Paulo e outras três no Rio Grande do Sul, aderiu ao home office para os que podem fazer suas funções de casa – cerca de 1,2 mil pessoas estão trabalhando remotamente.

 

No caso da John Deere, que mantém quatro operações, uma em São Paulo, outra em Goiás e duas no Rio Grande do Sul, quase todos os funcionários das áreas administrativas e escritórios estão trabalhando de casa. A Caterpillar, com fábrica em Campo Largo e Curitiba, PR, e Piracicaba, SP, segue na mesma linha com seus colaboradores.

 

Foto: Divulgação.

ZF entrega transmissões de sua maior venda em 2019

São Paulo – A ZF iniciou a entrega de 1 mil 275 transmissões automáticas Ecolife, vendidas no ano passado para equipar ônibus do Sistema Integrado de Transportes de Bogotá, Colômbia. A negociação foi a maior da empresa no mercado sul-americano em 2019.

 

No Brasil a companhia também avançou com as vendas da transmissão Ecolife: as entregas já somam 435 unidades, aplicadas em ônibus que operam em Curitiba, PR, e São Paulo. Segundo a ZF esse modelo de transmissão pode reduzir o consumo de 3% a 6%, dependendo da operação.

 

Foto: Divulgação

As medidas que as montadoras tomaram por causa da covid-19

São Paulo – AutoData reuniu, aqui, as medidas informadas pelas empresas a respeito do Covid-19. Essa página será atualizada conforme novas informações forem divulgadas.

 

Última atualização em 24 de abril, às 16h30.

 

AGCO – As fábricas de Canoas, Ibirubá e Santa Rosa, RS, e Mogi das Cruzes, SP, que produzem máquinas Fendt, GSI, Massey Ferguson, Valtra e Precision Plarting param no início de abril até o dia 16. O centro de distribuição de peças em Jundiaí, SP, segue operação normal, cumprindo os protocolos de saúde.

 

Audi – A operação conjunta com a Volkswagen em São José dos Pinhais, PR, está parada desde 23 de março. As linhas ficarão sem operar, pelo menos, até o fim de abril.

 

BMW – Férias coletivas na fábrica de Araquari, SC, e Manaus, AM, a partir de 30 de março, com retorno previsto em 4 de maio.

 

Caoa – A produção em Jacareí, SP, foi suspensa em 23 de março, a princípio por duas – semanas. Em Anápolis, GO, a produção também foi interrompida em 23 de março e não há prazo estimado para retorno.

 

CNH Industrial – Todas as unidades operam normalmente.

 

DAF – A produção em Ponta Grossa, PR, foi paralisada de 24 de março, atendendo orientação global da Paccar, sua controladora. A retomada das operações, prevista para 6 de abril, foi postergada.

 

FCA – As fábricas de Betim, MG, Campo Largo, PR, e Goiana, PE, reduzem gradualmente a produção até parar, completamente, em 27 de março. Operações programadas para retornar em 21 de abril.

 

Ford – Desde 23 de março as fábrica de Camaçari, BA, Taubaté, SP, e a unidade da Troller em Horizonte, CE, estão sem produzir veículos, motores e componentes. A retomada está prevista para 30 de abril.

 

General Motors – Em 20 de março parou a fábrica de Gravataí, RS, em 23 de março as de Mogi das Cruzes e São Caetano do Sul, SP, o Campo de Provas de Cruz Alta, em Indaiatuba, SP, e a fábrica de motores em Joinville, SC. A unidade de São José dos Campos, SP, parou em 24 de março. O retorno está previsto para junho, pois a companhia acertou a suspensão do contrato de trabalho em todas as unidades.

 

Honda – Trabalhadores das fábricas de automóveis de Itirapina e de Sumaré, SP, entram em férias coletivas em 25 de março com retorno em 28 de abril. A produção de motocicletas em Manaus, AM, está suspensa de 27 de março a 4 de maio.

 

HPE – Linhas que produzem modelos Mitsubishi e Suzuki em Catalão, GO, pararam em 23 de março por sessenta dias, inicialmente.

 

Hyundai – Fábrica de Piracicaba, SP, fechou em 20 de março, após um trabalhador da área de suporte à produção relatar suspeita de Covid-19. Assim permanece até 25 de março, quando os funcionários entram em férias coletivas, programadas inicialmente para vigorar até 13 de abril, mas estendidas por mais duas semanas: retorno, agora, será em 27 de abril. O teste do funcionário deu negativo para o vírus, descartando o risco de contaminação com pessoas que tiveram contato nas últimas semanas.

 

Iveco – Fábrica de Sete Lagoas, MG, começou a parar gradativamente de 25, suspendendo totalmente as operações em 27 de março. Não foi estimado prazo para retorno.

 

Jaguar Land Rover – Produção em Itatiaia, SP, suspensa desde 25 de março.

 

JCB – Operação normal.

 

John Deere – As fábricas de Horizontina e Porto Alegre, RS, pararam em 25 de março. No dia 30, produção interrompida em Indaiatuba, SP, Catalão, GO, Canoas e Montenegro, RS. Não há previsão de retorno.

 

Mercedes-Benz – As operações de Iracemápolis e São Bernardo do Campo, SP, e Juiz de Fora, MG, param em 23 de março. Um dia depois será a vez dos trabalhadores de Campinas, SP. Em 30 de março todos entram em férias coletivas até 19 de abril, com retorno previsto para 22 de abril, a depender da situação. A fabricante, no entanto, prolongou as férias coletivas e estipulou para retorno o dia 4 de maio. Em paralelo, quer conversar com os sindicatos para negociar alternativas durante a parada.

 

Nissan – A produção na fábrica de Resende, RJ, parou em 25 de março. Acertado redução de jornada e salário e retorno dos trabalhadores previsto para 21 de maio.

 

PSA – Produção de modelos Peugeot e Citroën em Porto Real, RJ, interrompida de 23 de março a 31 de maio. No período foram concedidas férias coletivas e redução da jornada e salários.

 

Renault – Os 7,5 mil trabalhadores do Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, PR, pararam em 25 de março. As férias coletivas prosseguem durante todo o mês de abril, com retorno previsto para 4 de maio, após o feriado de dia do Trabalho.

 

Scania – Férias coletivas aos trabalhadores de São Bernardo do Campo, SP, de 23 de março a 27 de abril.

 

Toyota – Em 24 de março param as fábricas de Indaiatuba, Porto Feliz, São Bernardo do Campo e Sorocaba, SP. Em todas as unidades ficou acertada a suspensão do contrato de trabalho por dois meses, a partir de abril — retorno só em junho.

 

Volkswagen – Atividades suspensas até o fim de abril nas fábricas de São Bernardo do Campo, São Carlos e Taubaté, SP, e São José dos Pinhais, PR, a partir de 23 de março. Na primeira semana as folgas serão administradas por meio de banco de horas, e nas seguintes passam a vigorar férias coletivas.

 

Volkswagen Caminhões e Ônibus – Produção na fábrica de Resende, RJ, parada de 23 de março a 27 de abril, com férias coletivas e bancos de horas. Após, contratos de trabalho suspensos por sessenta dias para o excedente de produção — que ainda não foi definido.

 

Volvo – Férias coletivas de quatro semanas aos 3,7 mil funcionários que produzem caminhões, ônibus, motores, transmissões e cabines em Curitiba, PR, a partir de de 30 de março.

 

Yamaha – Atividades fabris no Polo Industrial de Manaus, AM, estão suspensas de 31 de março a 29 de abril.

 

Foto: NIAID.

Fabricantes de veículos antecipam paradas das fábricas

São Paulo – Após pressão de sindicatos de trabalhadores algumas fabricantes decidiram antecipar as paradas nas fábricas, estendendo período de férias coletivas ou adotando o banco de horas para deixar seus funcionários em casa.

 

Na General Motors trabalhadores de Gravataí, RS, São Caetano do Sul, Mogi das Cruzes e do Campo de Provas da Cruz Alta em Indaiatuba, SP, além da fábrica de motores em Joinville, SC, estão em casa. Na fábrica da família Onix desde a sexta-feira, 20, e nas demais desde segunda-feira, 23. A partir da terça-feira, 24, os funcionários de São José dos Campos, SP, estão dispensados. A companhia não estipulou prazo para retorno às atividades.

 

A Mercedes-Benz também antecipou para a segunda-feira, 23, a parada em Iracemápolis e São Bernardo do Campo, SP, e Juiz de Fora, MG. Na terça-feira, 24, param os trabalhadores em Campinas, SP. Em 30 de março todos entram em férias coletivas até 19 de abril, com retorno previsto para 22 de abril, a depender da situação do País.

 

A suspensão da produção de veículos Renault no Complexo Ayrton Senna em São José dos Pinhais, PR, foi antecipada para a segunda-feira 23 – o prazo inicial era a quarta-feira, 25. Os 7,5 mil trabalhadores retornam ao trabalho, inicialmente, em 14 de abril. Da mesma forma a Volkswagen Caminhões e Ônibus, em Resende, RJ, decidiu parar na quarta-feira, 25, antecipando a programação de segunda-feira, 30.

 

Fechada desde sexta-feira, 20, após um trabalhador da área de suporte à produção apresentar suspeita de Covid-19, a fábrica da Hyundai em Piracicaba, SP, estará em férias coletivas até 13 de abril. Inicialmente a montadora previu o retorno às operações na quinta-feira, 26, mas acabou optando por estender a parada.

 

Outra a anunciar parada foi a Jaguar Land Rover em Itatiaia, RJ: da quarta-feira, 25, até 27 de abril. Poucos quilômetros distante, a Nissan anunciou que a produção em Resende para de 25 de março a 22 de abril. A BYD, em Campinas, dará férias coletivas de terça-feira, 24, a 13 de abril.

 

Confira aqui as medidas tomadas por fabricantes de veículos por causa do coronavírus.

 

Foto: Divulgação.

Redbus, do Chile, instala carregadores elétricos ABB

São Paulo – A operadora de transporte público Redbus, de Santiago, Chile, anunciou a instalação de oito carregadores elétricos pesados da ABB, chamados HVC, para abastecer frota composta por 25 veículos. Santiago tem agora 411 ônibus elétricos em funcionamento, mais do que qualquer outra cidade latino-americana, informou a ABB.

 

Para Henri Rohard, gerente comercial e de desenvolvimento da Transdev Chile, controladora da Redbus Urbano, a seleção da ABB como fornecedora foi baseada na “interoperabilidade de suas soluções de carregamento”, o que significa que elas podem operar com veículos de diferentes fabricantes.

Adiado Workshop AutoData Máquinas Agrícolas e de Construção

São Paulo — A evolução da pandemia do Covid-19 está literalmente parando o Brasil. E não é para menos: a saúde de todos precisa ser preservada a qualquer custo. Por isso a AutoData Editora decidiu adiar o Workshop Perspectivas de Máquinas Agrícolas e de Construção, que deveria ser realizado no fim de março, em São Paulo.

 

A iniciativa tem como objetivo evitar aglomerações que possam disseminar o vírus. Assim, estamos estudando alternativas para tratar dos temas urgentes dos segmentos de máquinas agrícolas e de construção. Neste momento a criatividade é uma grande aliada, assim como a internet. Então, esperamos muito em breve anunciar um novo formato para este workshop.

Coronavírus é soco no queixo de indústria automotiva que saía de crise

São Paulo –  Há poucas semanas, durante reunião mensal para apresentar os resultados da indústria automotiva, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, acendeu a luz amarela com a possibilidade de desabastecimento das linhas de montagem.

 

A imprensa noticiou, mas é verdade que nem a mídia e, talvez, nem os líderes do setor, esperavam um efeito tão devastador e tão rápido dessa escalada da pandemia do coronavírus no Brasil.

 

As ações agora são para reduzir a dispersão do Covid-19 pelo País. Dessa maneira, além do fechamento do comércio – parte dele até agora – as empresas começam a reduzir as atividades de suas fábricas.

 

General Motors e Mercedes-Benz já anunciaram férias coletivas a todo o chão de fábrica – embora a primeira não as tenha relacionado ao coronavírus, mas a “ajustes de estoque”.

 

Para a Mercedes-Benz o motivo alegado foi a pandemia, assim como a Volkswagen, que oficialmente não confirma as férias mas que protocolou intenção no Ministério do Trabalho e avisou sindicatos e fornecedores.

 

Tudo leva a crer que a pandemia acertou um soco no queixo da indústria que ainda se recuperava de uma crise de proporções enormes nos últimos anos, resultado da própria situação econômica do País.

 

Segundo a Fenabrave até o fim da quinzena os resultados de vendas ainda não haviam sido influenciados pela situação, mas a tendência é, obviamente, de redução nos emplacamentos – afinal grande parte da população está em casa, sem sair.

 

A Fenabrave admitiu que revisará suas projeções de vendas para o ano. É inevitável que a Anfavea faça o mesmo. A crise, que poderia ser de abastecimento, tornou-se uma crise de demanda. A indústria nacional foi contaminada pela pandemia.

 

Não só aqui. A produção brasileira não será a única a sofrer: na Europa e nos Estados Unidos fábricas estão sendo fechadas para evitar a proliferação do vírus. Na Argentina, por enquanto, o ritmo segue normal – mas já podemos perguntar: até quando?

 

A indústria recupera. Marcos de Oliveira, presidente do Iochpe-Maxion, disse que a indústria automotiva tem capacidade de recuperar volumes não produzidos. Mas tem que haver demanda para isso.

 

Auditório vazio. Mais importante lançamento Chevrolet do ano o SUV Tracker foi apresentado a um auditório vazio. A poucos dias do evento a companhia precisou alterar a forma de divulgação e transmitiu tudo pela internet, via streaming.

 

Cancelados. Não foi a única a ter seus planos alterados: a Iveco cancelou um lançamento e a Fiat está estudando o adiamento da apresentação da nova Strada. Muito provavelmente para o segundo semestre.

 

Megatendências. A pedido da Anfavea a AutoData Editora adiou seu seminário Megatendências do Setor Automotivo: os Novos Desafios de 2020. A cautela sanitária exigida pelo momento impediu a presença dos presidentes palestrantes confirmados ao evento.

 

O topo. Objetivo da GM: tornar o Tracker o número 1 dos SUVs compactos. Pacote recheado de itens de segurança, entretenimento e conforto de série o credencia a alcançar os degraus mais altos do segmento.

 

Novo presidente. João Oliveira, da Volvo Cars, foi eleito em chapa única para presidir a Abeifa, associação que representa os importadores. Sucede a José Luiz Gandini, da Kia Motors.

 

Menos imposto. A principal plataforma de mandato do novo presidente da Abeifa é manter a luta para reduzir o imposto de importação de veículos dos atuais 35% para 20%, alíquota equivalente à TEC, Tarifa Externa Comum do Mercosul.

 

25 milhões. A Moto Honda da Amazônia alcançou a marca de 25 milhões de motocicletas produzidas em Manaus, AM. Nenhuma montadora brasileira tem números mais elevados.

 

Este texto foi publicado originalmente no UOL, onde AutoData mantém uma coluna publicada todas as sextas-feiras

 

Foto: Divulgação.

O vírus que parou a indústria automotiva

São Paulo – A Hyundai fechou a fábrica de Piracicaba, SP, na sexta-feira, 20. Um funcionário com suspeita de Covid-19 fez com que a empresa adotasse a medida, ainda preventiva, para higienizar e desinfetar as áreas da unidade – o trabalhador, da área de suporte à produção, está em casa e até a tarde desta sexta-feira aguardava o resultado dos exames. A expectativa é a de retomar a produção na terça-feira, 24, mas a companhia não descarta antecipar férias coletivas, a exemplo do que tem feito algumas fabricantes.

 

Só na sexta-feira confirmaram parada na produção a BMW, em Araquari, SC, a FCA, em Betim, MG, Campo Largo, PR, e Goiana, PE, a Honda, em Itirapina e Sumaré, SP, a PSA, em Porto Real, RJ, a Renault, em São José dos Pinhais, PR, a Toyota, em Indaiatuba, Porto Feliz, São Bernardo do Campo e Sorocaba, SP, e a Volkswagen Caminhões e Ônibus, em Resende, RJ.

 

Juntam-se a Ford, General Motors, Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen e Volvo, que já haviam confirmado paralisações durante a semana. Segundo apurou a reportagem da Agência AutoData, BYD, DAF e Nissan seguem com operação normal e a HPE com as linhas de Catalão, GO, operando, mas o escritório em São Paulo fechado. A Caoa Montadora, a Iveco e a Jaguar Land Rover não responderam o questionamento.

 

O efeito da pandemia de coronavírus já reflete nas projeções do governo. Na sexta-feira o ministério da Economia reduziu a projeção do crescimento do PIB de 2,1% para 0,02% – estagnação, na prática. O presidente Jair Bolsonaro reuniu-se, por meio de videoconferência, com alguns representantes do setor produtivo nacional e prometeu medidas para tentar atenuar a crise econômica.

 

A parada na BMW, com férias coletivas aos trabalhadores, será de 30 de março a 22 de abril. A FCA começa a parar gradualmente na semana que vem e interrompe a produção das suas três unidades e qualquer outra atividade – lançamentos, cursos, apresentações, etc – de 27 de março a 21 de abril.

 

Na Honda, Sumaré e Itirapina param de 25 de março a 14 de abril, podendo estender-se até 27 de abril. Diz a nota: “A retomada da produção dependerá das orientações dos governos federal e estadual, das condições de segurança dos colaboradores e dos impactos da pandemia no mercado de automóveis”.

 

Do mesmo modo condicionou o retorno às operações a PSA: a parada está confirmada, inicialmente, de 23 de março a 21 de abril, mas “a produção será então reiniciada dependendo da futura situação no País”. A Renault suspenderá as atividades fabris no complexo Ayrton Senna de 25 de março a 14 de abril.

 

A Toyota fechará suas quatro fábricas de 24 de março a 6 de abril e a Volkswagen Caminhões e Ônibus de 30 de março a 20 de abril, mas já cortou as horas extras e o expediente aos sábados, “mantendo a operação em níveis mínimos para abastecer concessionários e importadores”.

 

As operações de motocicletas da BMW e Honda em Manaus, AM, seguem normal por ora. Alguns fornecedores, como Pirelli e Tupy, também anunciaram também paradas, bem como a Marcopolo e a Randon.

 

Colaboraram Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

 

Foto: Divulgação.