Volkswagen vai parar a produção por causa do coronavírus

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Foto Jornalista Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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17/03/2020

São Paulo – A produção das quatro fábricas que a Volkswagen mantém no País será interrompida por dez dias por causa do coronavírus, a partir de 31 de março. A empresa informou o Ministério do Trabalho da decisão na segunda-feira, 16, protocolando documento que indica suas intenções de conceder férias coletivas no período. Não houve comunicação de sua parte aos funcionários, papel que coube aos sindicatos dos metalúrgicos locais desempenhar.

 

O movimento é similar ao realizado pela casa matriz na Europa, onde suas catorze fábricas interromperão as atividades por duas semanas a partir da sexta-feira, 20. Por aqui conceder férias coletivas é considerado pela montadora como uma medida preventiva. Por meio de sua assessoria de imprensa a Volkswagen informou à reportagem da Agência AutoData que protocolar pedido de férias mostra que a companhia "avalia a evolução do quadro no País", mas que o documento não representa, de fato, certeza de que haverá paralisação, e que o pedido, assim, poderá ser revogado diante de eventual melhora do cenário.

 

De qualquer forma a interrupção por dez dias da produção das fábricas de São Bernardo do Campo, São Carlos e Taubaté, em São Paulo, e da unidade de São José dos Pinhais, no Paraná, é dada como certa pelos sindicatos locais e fornecedores. Tanto que avisos já foram divulgados nos quadros das quatro fábricas informando as datas e o motivo das férias: Covid-19. Na cadeia de suprimentos empresas já estão provisionando estoques e pagamentos, no caso daqueles que mantêm quadro terceirizado na VW.

 

“As férias concedidas são de dez dias, mas podem chegar a mais caso a situação da pandemia se agrave nos próximos meses”, disse à reportagem fonte que não quis se identificar. “A montadora avaliou o seu estoque de veículos montados e o volume registrado pesou na decisão de conceder as férias sem que, de alguma forma, atrapalhasse as vendas que possam ocorrer neste instante.”

 

O Ministério do Trabalho, por meio de nota, informou que a concessão das férias coletivas é de decisão unilateral do empregador, e “que deve ser comunicada com quinze dias de antecedência ao ministério e ao sindicato representativo da categoria”. Afora isso, seguiu a nota, “a medida pode ser aplicada em setores específicos da empresa e é possível concedê-la em até dois períodos, que não podem ser inferiores a dez dias”.

 

A paralisação abrange os quadros administrativos e da linha de montagem das fábricas. Na unidade de São Carlos, onde são produzidos motores e transmissões para atender demandas internas e do Exterior, trabalham 950 funcionários em dois turnos. Em fevereiro a unidade registrou 20 milhões de motores produzidos ali.

 

Em Taubaté, onde são fabricados os modelos considerados de alto volume, como up!, Voyage e Gol, trabalham 3,2 mil funcionários em três turnos, com ritmo de produção de 775 unidades/dia. Nessa fábrica a paralisação começa no dia 31 de março com retorno previsto para 14 de abril, pois, no período, um feriado local será emendado.

 

Em São Bernardo do Campo, onde são produzidos, por ora, os modelos Polo, Virtus, a picape Saveiro em breve o SUV Nivus, são cerca de 8 mil funcionários em atividade, em dois turnos. Em São José dos Pinhais, fábrica que produz os modelos Fox e T-Cross, os trabalhadores, segundo o sindicato local, ainda não foram informados oficialmente das férias coletivas, embora já estejam sabendo.

 

Na Argentina, onde a Volkswagen mantém fábrica em Pacheco, Província de Buenos Aires, informações da Adefa indicam que as fabricantes combinaram, em bloco, não interromper a produção por tempo indeterminado.

 

Na Europa, a empresa se prepara para fechar a maioria de suas fábricas no continente por um período de duas a três semanas, a partir da sexta-feira, devido à pandemia. “A produção será interrompida em nossas fábricas da Espanha, na de Setúbal, em Portugal, a de Bratislava, na Eslováquia e nas fábricas italianas de Lamborghini e Ducati antes do fim de semana”, disse o presidente do grupo, Herbert Diess.

 

O executivo disse, ainda, que as outras fábricas na Alemanha e na Europa também se preparam para suspender a produção, provavelmente durante as próximas duas ou três semanas.

 

Foto: Divulgação.