Sindicatos pressionam e mais montadoras param a produção

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Foto Jornalista  André BarrosFoto Jornalista Bruno de Oliveira

Por André Barros

e Bruno de Oliveira

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19/03/2020

São Paulo – Os sindicatos dos metalúrgicos pressionaram, o fluxo menor nas concessionárias colaborou, e mais montadoras decidiram interromper a produção em suas fábricas brasileiras. A Ford anunciou que suspenderá as operações no Brasil e na Argentina na semana que vem e Scania e Volvo interromperão a produção no fim do mês. A Volkswagen adiantou a parada em uma semana: deixa de produzir em todas as fábricas a partir de segunda-feira, 23.

 

Mais empresas deverão aderir nos próximos dias: em nota a Anfavea afirmou no fim da tarde de quinta-feira, 19, que “em função do agravamento da crise gerada pelo Covid-19 todas as nossas empresas associadas estão analisando e se preparando para tomar ações de paralisação das suas fábricas no Brasil, discutindo caso a caso com seus respectivos sindicatos”.

 

Pela manhã o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que representa os trabalhadores de um importante polo automotivo, divulgou comunicado ameaçando entrar em greve caso montadoras e fabricantes de autopeças da região não parassem de produzir: “Ou as empresas param até o dia 30 ou nós paramos as empresas”, dizia a manchete da Tribuna Metalúrgica, publicação que circula nas fábricas. “Não adianta uma empresa parar e a outra não, pois muitas empresas fornecem para mais de uma montadora”.

 

A entidade afirmou ter protocolado junto ao Sinfavea e e ao Sindipeças pedido para que as montadoras parassem a produção até o dia 30. O Sindipeças confirmou ter recebido o ofício e afirmou que muitos fornecedores deverão parar por algumas semanas em abril em razão das férias já anunciadas por algumas montadoras. A Tupy concedeu férias coletivas por dez dias, decisão que alcançou os 8,5 mil trabalhadores brasileiros, além de 1,5 mil terceirizados.

 

Dias atrás o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, SP, pediu licença remunerada às empresas da região. A General Motors informou na quarta-feira, 18, que colocará os trabalhadores em férias coletivas a partir de 30 de março – medida considerada insuficiente pela entidade, que quer a licença imediata.

 

Em Curitiba o sindicato local pressionou e a Volvo foi a primeira a anunciar que interromperá as atividades por quatro semanas na produção de caminhões, ônibus, motores, transmissões e cabines a partir de 30 de março. A medida atinge 3,7 mil trabalhadores. Segundo a entidade Renault, CNH Industrial e Bosch estão analisando o tema.

 

A Ford divulgou nota informando que as fábricas de Camaçari, BA, Taubaté, SP, e a unidade da Troller em Horizonte, CE, deixarão de produzir a partir da segunda-feira, 23, com retomada das atividades previstas para 13 de abril. Na Argentina, por causa do feriado nacional, a interrupção começa em 23 de março e se encerra em 6 de abril.

 

A parada, alegou a empresa, “tem como objetivo principal manter os funcionários em segurança e ajudar a limitar a propagação do vírus, além de ajustar os volumes de produção à redução na demanda dos consumidores gerada por essa situação sem precedentes”.

 

Apesar de ter protocolado junto ao Ministério do Trabalho pedido de férias coletivas a partir da terça-feira, 31, a Volkswagen resolveu antecipar e interromperá a produção na segunda-feira, 23, concedendo folga por banco de horas – depois, férias coletivas. As fábricas de São Bernardo do Campo, São Carlos e Taubaté, SP, e São José dos Pinhais, PR, ficarão três semanas fechadas. A medida, segundo a VW, “visa preservar a saúde de seus empregados”.

 

Uma fonte confirmou à reportagem que a parada da Scania em São Bernardo do Campo será de 30 de março a 13 de abril. Procurada, a companhia não respondeu até o início da noite da quinta-feira, 19.

 

Mercedes-Benz e General Motors já haviam anunciado paradas na quarta-feira, 18.

 

A reportagem foi atualizada às 20:30 para acrescentar informações da parada na Volkswagen.

 

Foto: Divulgação.