Uma produção sustentada pelos novos mercados

O ano de 2017 ficou marcado pelos reflexos das exportações na produção nacional de veículos. Se anos antes a capacidade instalada era ocupada em maior parte pelas demandas do mercado interno, com as quedas nas vendas por aqui foi hora de as empresas buscarem oportunidades em novos mercados para garantirem sustentação à operação de suas fábricas instaladas no País. Não raro executivos entrevistados por AutoData ao longo do ano reconheceram um equívoco: ter concentrado todos os esforços no mercado brasileiro poderia tornar menor qualquer chance de retomada da produção agora.

 

Mas o setor parece ter percebido a tempo o que parece ter sido um erro de estratégia. Fabricantes de automóveis intensificaram a atuação nos mercados vizinhos e buscaram negócios em outros por meio de acordos bilaterais costurados pelo governo. No segmento de caminhões e ônibus, as exportações significaram uma sobrevida após meses a fio de quedas de produção, cenário que levou fabricantes a reterem investimentos, cortarem custos e, invariavelmente, pessoal. Os esforços no comércio exterior criaram um cenário inédito no País: nunca se exportou tantos veículos em toda a história do setor automotivo nacional.

 

A retomada da produção no País, porém, não se deu apenas pelas mãos das exportações. Para surpresa da indústria, as vendas internas começaram a dar sinais de melhora a partir de março em função da volta da confiança do consumidor, da queda dos juros e outros fatores econômicos. A alta afetou positivamente o setor de peça e movimentou também as vendas diretas. Em agosto, o melhor mês em termos de vendas, o volume de emplacamentos superou as 200 mil unidades e o ritmo fora mantido assim nos meses seguintes. Ainda que a base de comparação, o trágico ano de 2016, seja pequena, e a quantidade de veículos vendidos termine o ano aquém dos registrados em 2014, por exemplo, o setor comemorou o respiro ou, pelo menos, a possibilidade de melhora em 2018.

 

Confira abaixo, em ordem cronológica, as principais notícias que AutoData publicou sobre os temas em 2017:

 

PRODUÇÃO

 

Produção de veículos cresce 17,1% em janeiro

Veículos comerciais aquecerão produção em 2017

Fabricantes aceleram produção à espera das águas de março

O de veículos, um dos segmentos mais ociosos em SP

Mercedes-Benz moderniza fábricas e cuida dos fornecedores

Confiança e capacidade instalada aumentam em março

Produção é crescente, mas ociosidade permanece em alta

Produção de aço cresce em março

Confiança revisada

Produção de caminhões cresce no ano

Produção já é 28,5% maior em 2017

Produção de veículos cresce 27,1% no ano

Produção de veículos em quinta marcha

Produção mantém emprego estável em setembro

 

EXPORTAÇÕES

 

Brasil fecha acordo para exportar 20 mil veículos ao Paraguai

GM renovará portfólio para ganhar espaço no mercado chileno

Nissan: 20 mil veículos exportados a partir do RJ

Exportações: mais um recorde quebrado

MAN planeja dobrar as exportações

Exportações quebram recordes

Exportações na América Latina já crescem 10%

Exportações da Volkswagen crescem 76% em setembro

Exportações batem recorde histórico

Scania: vendas crescem na América Latina

 

VENDAS

 

Crescimento das vendas supera projeção

Vendas: média diária segue acima das 10 mil unidades em novembro

Venda de consórcio para automóveis cresce 14,7%

Fabricantes registram mais vendas diretas

Vendas de caminhões retomam nível de 2015

Mercedes-Benz projeta alta de 20% nas vendas de caminhões

Segundo semestre terá vendas diárias maiores

Rede Ford Caoa realiza pré-reserva do Mustang

 

A Rede Ford Caoa abriu a pré-reserva do Mustang, que se estenderá até meados de março do ano que vem. O modelo desembarcará no País no final de março.

 

Com preço de lançamento de R$ 299,9 mil, a pré-reserva pode ser feita em qualquer concessionária da rede, realizando o pagamento do valor da entrada de R$ 30 mil, o que corresponde a 10% do preço do veículo.

 

Os clientes também contam com um site exclusivo, o www.mustangford.com.br para ter mais informações sobre o veículo ou sobre a reserva.

Wabco investe US$ 10 milhões no setor elétrico

A Wabco, um dos principais fornecedores mundiais de tecnologias e serviços que melhoram a segurança, a eficiência e a conectividade dos veículos comerciais, anunciou na quinta, 20, investimento estratégico de US$ 10 milhões na Nikola Motor Company, empresa da área de concepção e fabricação de veículos hidrogênio-elétricos, componentes de veículos, sistemas de armazenamento de energia e transmissão de veículos elétricos com sede em Salt Lake City, Utahm, Estados Unidos.

 

A transação, diz a empresa no comunicado, “demonstra o compromisso da Wabco em avançar o desenvolvimento de veículos comerciais elétricos e altamente automatizados na América do Norte e em todo o mundo”. A Wabco e Nikola assinaram também um acordo para acelerar o desenvolvimento de tecnologias de segurança líderes do setor especificamente projetadas para veículos comerciais elétricos, incluindo sistemas de freio eletrônico, além de tecnologias de controle de tração e estabilidade.

 

Para Jacques Esculier, presidente da Wabco, à medida que os veículos se tornam cada vez mais autônomos, elétricos e conectados, a Wabco continua a ser a vanguarda da inovação tecnológica inovadora: “Estamos entusiasmados em investir na Nikola Motor Company para ajudar a indústria a perceber nossa visão conjunta de caminhões, ônibus, reboques e veículos off-road eletrificados e autônomos”.

 

As empresas planejam começar os testes dos seus caminhões de emissão zero com frotas de veículos comerciais no final de 2018 e lançar a produção total em 2021.

 

Foto: Divulgação.

Actur renova frota de fretamento com 13 Volksbus

A Actur, empresa de fretamento, renovou sua frota com 13 chassis Volksbus 17.230 OD. Os veículos percorrem cerca de 300 quilômetros no trajeto de ida e volta dos funcionários de Belo Horizonte a empresas localizadas em Sete Lagoas, MG.

 

O Volksbus 17.230 OD é indicado para severas operações de transporte urbano e fretamento, adapta-se a carrocerias de até 13,2 metros, une robustez e versatilidade. Com polia adicional de série, facilita a instalação do ar-condicionado. Equipado com motor MAN D08 EGR, que dispensa o uso do Arla 32, o chassi é utilizado com sucesso em diversos lugares no mundo.

 

O modelo ainda traz embreagem de 395 mm de diâmetro e caixa de transmissão ZF 6S 1010 BO de seis velocidades com servo-assistência e troca de marchas acionada por cabos, o que garante maior conforto e durabilidade de todo o conjunto.

 

Foto: Divulgação.

Rota 2030: a saga para sair do papel

Um dos temas mais recorrentes nas discussões dentro do setor automotivo, o Rota 2030, a política industrial que substituirá o Inovar-Auto a partir de janeiro, movimentou toda a cadeia produtiva em torno de sua concepção. Definidas as diretrizes pelas diversas frentes, um diálogo que reuniu à mesa fabricantes, autopeças e uma comissão técnica formada por engenheiros, em meados de junho, o documento seguia para a última e dramática parte do processo de aprovação, o qual já vinha se estendendo desde agosto – passar pelo crivo da Fazenda não seria fácil.

 

A meta orçamentária planejada pelo governo para o ano que vem se mostrou conflitante com as pretensões da indústria em termos fiscais. De um lado, o setor favorável à manutenção das bases do Inovar-Auto, que previa sobretaxar em 30 pontos porcentuais às empresas que não atingissem metas de eficiência energética. Do outro, o Estado irredutível em conceder renúncias fiscais e, assim, deixar de arrecadar tributos. O entrave chegou a contar com a mediação do presidente em sua reta final, no último trimestre, quando o setor, por meio da Anfavea, afirmou que o Rota 2030 sairia do papel por meio de uma medida provisória. O que se sabe, por ora, é que falta a assinatura do Executivo em Brasília para reger o setor automotivo pelos próximos 15 anos.

 

Confira abaixo, em ordem cronológica, as principais notícias que AutoData publicou sobre o tema em 2017:

 

Rota 2030 substituirá Inovar-Auto

Política específica para autopeças está prevista na cartola do Rota 2030

Híbridos receberão incentivos do governo via Rota 2030

Rota 2030 também será utilizada por outros setores industriais

Governo teme queda da arrecadação de impostos com Rota 2030

Acordo com EU pode inviabilizar Rota 2030

Setor automotivo aguarda definição sobre Rota 2030

Fazenda e indústria rediscutem o Rota 2030

Fazenda reluta em aprovar Rota 2030

Rota 2030: 15 dias para o final do ano e muitas incertezas

Rota 2030: meta de eficiência energética será de até 12% em cinco anos

Prazo para Rota 2030 nem é tão importante, diz Ioschpe

Brasil e Argentina se comprometem a padronizar seus veículos

Rota 2030, este ano, só terá marco legal

À espera da devolução do IPI e de acordo sobre vendas diretas

Herdeiro de respeitável saga familiar dedicada à vida associativa Luiz Eduardo Guião, desde 2016 presidente da Assobrav, que reúne os concessionários Volkswagen no Brasil, tem boas notícias para a rede neste fim de ano:

 

  • já há entendimento fechado com a Volkswagen a respeito da devolução do IPI retido pela empresa. Resta, agora, decisão junto ao STF para modular a ação e tê-la transitado em julgado; e

 

  • já existe negociação avançada com o novo presidente da Volkswagen, Pablo Di Si, visando a entendimento com relação às vendas diretas de veículos.

 

“Temos buscado, e continuaremos buscando, sempre, em conjunto com a Volkswagen, a melhor alternativa para os interesses da rede. O caso do IPI, por exemplo, é um caso resolvido que quase só depende da burocracia, de um recurso para o âmbito de decisão.”

 

Guião é filho de pioneiro presidente da Assobrav, Ruy Flávio Chúfalo Guião, e sobrinho de igualmente pioneiro presidente da Acav, que representa os concessionários de caminhões e ônibus Volkswagen, Augusto Penna de Barros Cruz. No negócio da família, o Grupo Santa Emília, de Ribeirão Preto, SP, conheceu todos os desvãos das atividades, e na própria entidade desde há muito tempo integrou-se ao mundo dos jovens sucessores. Na presidência sucedeu a Sérgio Reze, hoje diretor executivo do Grupo Disal.

 

Reeleito recentemente montou a mais jovem diretoria da história da Assobrav, composta também de mulheres e de um jovem sucessor – de certa forma sua gestão começa, mesmo, nos primeiros dias de janeiro, depois de dois anos que misturaram pequenos incêndios, como falta de produtos por falta de fornecimento de peças e componentes.

 

O Jovem Guião reconhece que esses últimos anos foram de crise para a rede Volkswagen, “uma crise profunda”, que afetou confiança e, particularmente, a rentabilidade.

 

Ele considera, também, que as vendas diretas efetuadas pela Volkswagen, objeto de muito questionamento, ofendem alguns princípios da Lei 6 729 reformada e personificam “assunto muito sério”, mas acredita que a porta aberta com o novo presidente da Volkswagen também levará essa negociação a porto seguro para todos.

 

“Realmente é difícil conviver com descontos que extrapolam as nossas próprias margens de rentabilidade.”

 

Guião recorda que, no caso da Rede Volkswagen, cerca de 25% das vendas diretas – coisa de 47,9% de suas vendas totais até outubro, que somaram 220 mil 212 unidades, de acordo com dados do Renavam – são realizadas para pequenos negócios, pequenas empresas e microempresas, taxistas, pessoas com necessidades especiais.

 

“Acredito que 2018 venha a ser um ano realmente útil para os negócios Volkswagen e para a Rede Volkswagen, e confio muito no nosso novo portfólio, com Polo e Virtus à frente.”

 

Foto: Divulgação.

Mercedes-Benz firma sociedade com o TruckPad

A Mercedes-Benz fechou parceria com TruckPad, aplicativo que conecta o caminhoneiro autônomo à carga. Oficializado em dezembro, o negócio reconhece os benefícios que a startup pode trazer para a fabricante de veículos comerciais, de forma rápida e informal, usando sua expertise em tecnologia, logística e inteligência de mercado, conforme disse a fabricante em comunicado oficial divulgado na terça-feira, 19.

 

As empresas não divulgam qual o valor do investimento. Em comunicado, a Mercedes-Benz diz que, “por ser o primeiro marketplace de contratação de caminhoneiros do País, o TruckPad possui um enorme banco de dados com informações sobre os motoristas de caminhão que circulam por todo o País.  A inteligência do app consegue mapear e saber muito sobre o comportamento dos caminhoneiros nas estradas, suas necessidades e preocupações”. Atualmente, são mais de 600 mil downloads do app e mais de oito mil empresas que utilizam essa plataforma.

 

Empresas de transportes, indústrias, atacadistas e comerciantes se beneficiam do trabalho do TruckPad com o aumento do nível de serviço operacional e reduzindo custos com transporte de cargas. Isso é possível porque a plataforma elimina atravessadores neste processo de contratação. Do outro lado, caminhoneiros chegam a faturar até 50% a mais com seus caminhões quando passam a utilizar o app para localizar um próximo frete.

 

A parceria entre as duas empresas existe desde 2016, com a participação do TruckPad no programa de aceleração Startup AutoBahn, um canal de via rápida de relacionamento das empresas do grupo com startups. A iniciativa do programa é da Daimler, grupo fabricante de veículos comerciais mundia, o qual a Mercedes-Benz faz parte. Naquele momento, o TruckPad concorreu com cerca de 300 outras empresas e ficou entre os oito finalistas, sendo o único brasileiro.

 

Foto: Divulgação.

Sindirepa espera entrada de 15 milhões de veículos no mercado até 2023

O setor de reparação de veículos no Brasil espera crescer nos próximos anos, impulsionado pelo aumento da frota circulante e pela inspeção veicular que, segundo o Sindirepa, sindicato que representa os reparadores, deverá ser implantado em todo o País a partir de 2019. Antonio Fiola, presidente do Sindirepa, acredita na “entrada de 15 milhões de veículos no mercado até 2023, sendo 22% de 0 a 3 anos de idade, 45%, de 4 a 10 anos, 21% de 11 a 20 anos e 12% com mais de 20 anos. Com a aprovação da inspeção veicular os proprietários de veículos vão deixar de efetuar só o básico”.

 

Fiola também destacou a expectativa da produção global de veículos para 2025: “70% serão de motores a combustão interna, sendo que 45% deles terão sistema start-stop, 15% de híbrido plug-in, 10% de híbridos puros, 3,5% elétricos e 1,5% movidos a célula de combustível”.

Valeo anuncia duas novas fábricas no Brasil

A Valeo Sistemas Automotivos anunciou investimentos para a instalação de duas novas unidades na Região Metropolitana de Porto Alegre, RS. Com expectativa para iniciar as atividades em 2019, os empreendimentos devem gerar em torno de 150 novos empregos.

 

Uma das unidades será instalada em Gravataí para atender ao novo projeto da General Motors, que, no mês de agosto, comunicou a aplicação de R$ 1,4 bilhão para a produção de uma nova família de veículos na região. A outra fábrica será aberta em Cachoeirinha, também em 2019, e voltada à refrigeração de cargas para caminhões e carretas.

 

As informações foram transmitidas ao governo do Estado por Reginaldo Hermogenes, presidente da Valeo do Brasil, Laurent Ohana, diretor financeiro, Luis Sacco, diretor-geral, e Rafael Galperin, diretor comercial. A Valeo já opera no Rio Grande do Sul por meio de unidade localizada em Caxias do Sul, a antiga Spheros, adquirida pelo grupo mundialmente.

 

A Valeo está presente em mais de 32 países com 155 plantas produtivas. Tem foco na concepção, produção e venda de componentes, sistemas integrados e módulos para a indústria automotiva mundial. Ainda detém 58 centros de pesquisa e desenvolvimento.

 

Foto: Luiz Chaves/Palácio Piratini.