Começa a corrida pelo Prêmio AutoData 2017

Está começando o Prêmio AutoData 2017. O grupo de jornalistas da AutoData Editora reuniu-se na semana passada, em São Paulo, e definiu, por meio de votação, todas as empresas, produtos e executivos que, por seus méritos e realizações ao longo dos últimos doze meses, se destacaram e, assim, se credenciaram para participar da eleição final do Prêmio deste ano.

O Prêmio AutoData é o principal reconhecimento empresarial do setor automotivo brasileiro e chega, este ano, à sua décima- oitava edição. Este ano o processo de escolha sofreu algumas alterações na sua estrutura, com o lançamento de novas categorias e o fato de que as empresas participantes serão homenageadas em evento único, que será realizado no início de novembro, em São Paulo, que marcará, também, o ponto alto das comemorações dos 25 anos da AutoData Editora.

Em sua nova estrutura o Prêmio terá dezessete categorias, sendo onze destinadas a destaques empresariais, cinco de produtos e o Personalidade do Ano, para executivos. Todas estas empresas, produtos e executivos já são automaticamente homenageados com o título de Melhores do Setor Automotivo 2017.

Como novidade importante deste ano foram criadas três categorias, duas empresariais e uma de produtos: Powertrain, que substitui a categoria de motores, Marketing, Comunicação e Propaganda e Veículos Importados. As categorias de Produtores de Carroçarias de Ônibus e Produtores de Implementos Rodoviários foram reunidas em uma só, batizada agora de Produtor de Carroçarias e Implementos.

Este ano os jornalistas da AutoData Editora escolheram 41 empresas, vinte veículos e quatro executivos para receber o título de Melhores do Setor Automotivo e, assim, concorrer ao Prêmio AutoData cujo processo eletivo começa em setembro. A relação completa segue abaixo e também será publicada na edição 336 de AutoData de agosto. Como sempre os cases correspondentes a cada indicação serão publicados na edição de setembro de AutoData.

Os vencedores de cada categoria são eleitos pelo voto direto dos leitores de AutoData, da revista e da Agência AutoData de Notícias, além dos participantes do Congresso Perspectivas 2018, evento que será realizado em São Paulo em 16 e 17 de outubro.

Para votar o assinante de AutoData acessará ambiente especial, hospedado no novo site. Até o fim deste mês este espaço estará disponível para visualização dos cases e para o processo de votação eletrônica, mais uma novidade desta edição do Prêmio. Os participantes do Congresso também votarão por meio eletrônico ao longo dos dois dias do evento.

Veja a lista dos Melhores do Setor Automotivo do Prêmio AutoData:

NSK dribla crise com clientes cativos

A fabricante de rolamentos NSK tem estado longe da crise. Com atuação no setor automotivo e industrial aumentou sua produção em 1 milhão de unidades com relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 3,5 milhões em julho. E a meta para até o fim do ano é crescer em mais 500 mil.

Carlos Storniolo, presidente da NSK Brasil e Argentina, disse que o bom desempenho se deve ao fornecimento para montadoras como Toyota e Honda, que mantiveram seus volumes, e a novos contratos, principalmente com a Vale e a ArcelorMittal:

“Eu tento explicar, para nossos executivos no Japão, que a unidade brasileira está crescendo apesar do momento de crise. Ganhamos 4 pontos porcentuais de participação em um mercado cujas vendas caíram mais de 20%. Nossos clientes automotivos, notadamente Honda e Toyota, mantiveram seus volumes durante a crise”.

Atualmente, nos dois segmentos, automotivo e industrial, a participação da NSK é de 30%. O executivo contou que metade da produção de rolamentos é destinada aos clientes industriais e os outros 50% para as montadoras: “Exportamos parte da nossa produção de rolamentos para indústria para Argentina, Paraguai e Uruguai e parte da produção automotiva segue para os Estados Unidos”.

Reposição – Segundo ele a empresa também expandiu seus negócios e adotou nova estratégia no aftermarket automotivo, para duas e quatro rodas, cujos resultados foram “acima do esperado”. A empresa, desde 2012, exerce a fidelização dos clientes por meio do seu programa de gerenciamento de ativos, que visa a prolongar a vida útil dos seus rolamentos:

“Em vez de vender novos rolamentos propomos soluções para utilizar o produto adequado para cada tipo de situação, gerando economia para nossos clientes”.

Até agora 628 projetos já foram validados gerando economia de R$ 35,9 milhões aos clientes.

A NSK produz diferentes tipos de rolamentos para a indústria automotiva, presentes em várias partes de um veículo, como rodas, alternadores, transmissões e bancos. Um modelo Volkswagen Gol, por exemplo, contém cerca de sessenta rolamentos na sua fabricação.

História – Este mês a NSK completa 45 anos da fabricação de seu primeiro rolamento no Brasil e o início de suas operações em Suzano, SP, a primeira construída fora do Brasil. Hoje a fábrica emprega mais de quinhentos funcionários.

A NSK tem 64 fábricas em doze países, catorze centros tecnológicos em nove países e 120 escritórios de vendas em trinta países. Seu faturamento global, em 2016, foi de US$ 8 bilhões 93 milhões.

RS cria plano de resgate

O governo do Rio Grande do Sul apresentará, esta semana, plano para atrair negócios para as empresas que formam o desaquecido setor automotivo do Estado, composto em sua maioria de companhias ligadas à produção de carrocerias e implementos. O programa de fomento, batizado como Plano Mult, contará com incentivos fiscais, investimento direto e promoção de parcerias do setor com instituições de pesquisa e desenvolvimento.

Segundo a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia o documento será finalizado até a sexta-feira, 21. Ainda estão pendentes itens como os recursos do Estado disponíveis para aportar no setor, projetos prioritários e empresas e instituições que serão participantes do Programa Mult. Mesmo com lacunas tem sido tema de discussão do governo com as empresas gaúchas desde o ano passado.

Na visão do governo o plano surge como meio para elevar o nível tecnológico das empresas ainda que não seja uma característica da região, mas do setor de autopeças brasileiro como um todo, como disse George Rugitsky, presidente da Freudenberg-NOK e conselheiro do Sindipeças:

“O setor enfrenta nacionalmente os mesmos obstáculos para que as empresas sejam mais competitivas. As ações devem corrigir as estruturas da indústria e não questões sazonais”.

O Rio Grande do Sul, hoje, é responsável por cerca de 60% da produção nacional de carrocerias e por 12% da de chassis, ambos para ônibus, de acordo com dados de 2016 do governo estadual. Também tem 50% de participação no mercado nacional de implementos rodoviários e de 50% no de tratores de rodas e esteiras. Uma das medidas estudadas para aquecer a indústria local é conceder incentivos às fabricantes de veículos que investirem diretamente em melhorias nos seus fornecedores, seja na compra de máquinas ou transferindo processos às suas linhas de produção.

O plano é visto no Estado como forma de ajudar o segmento de implementos e carrocerias a ganhar competitividade, inclusive nas exportações. O setor sentiu diretamente os reflexos das quedas das vendas de caminhões e ônibus no mercado interno e buscou no Exterior negócios que dessem sustentação às suas operações. Apostar nas exportações já mostrou resultados positivos, ainda que insuficientes para fazer o segmento voltar a crescer.

De acordo com dados divulgados pela Anfir, associação das fabricantes de implementos, os emplacamentos diminuíram 20,5% no acumulado de janeiro a junho em comparação com iguais meses do ano passado, para pouco mais de 25,3 mil unidades, leves e pesadas. É o menor indicador negativo registrado pela indústria até agora.

Segundo Antônio Jorge Martins, professor do curso de gestão da cadeia automotiva da FGV, Fundação Getúlio Vargas, a proposta do Mult é ambiciosa porque em determinados termos é inédita no País:

“Atuar na relação do cliente com o fornecedor é algo relativamente novo no Brasil. O setor pensa que, nesses casos, ocorra a transferência de responsabilidades de alavancar os negócios em determinada indústria. Mas, se confirmados os incentivos aos elos com maior poder de investimento na cadeia, não há dúvidas de que será benéfico”.

Táxis elétricos chegam a BH

Táxis elétricos fabricados pela BYD foram apresentados em Belo Horizonte, MG, pela BHTrans, Empresa Municipal de Transporte e Trânsito, na última semana, ao sindicato dos taxistas. Segundo o site Flash de Motor, da Venezuela, os táxis devem começar a circular na Capital mineira nos próximos dias.

O modelo escolhido pela BYD foi o e6. Reinaldo Avelar, gerente de controle de permissões da BHTrans, disse que veículos, híbridos, já estão em operação no serviço de táxi premium e que empresa busca por tecnologias sustentáveis para os serviços de transporte da cidade:

“O carro da BYD atende bem aos parâmetros do serviço de táxi, como conforto, dimensões e potência. O destaque é a emissão zero de carbono. Apresentamos e homologamos essas novas tecnologias, deixando livre para que os taxistas possam escolher e decidir”.
Em São Paulo já há treze táxis elétricos da BYD rodando e a expectativa da empresa é vender 2 mil unidades até o fim de 2018.

72 meses para financiar – O e6 é um carro elétrico com autonomia de 400 quilômetros por carga, que pode ser feita em casa ou em um eletroposto, onde a carga total demora duas horas. Em casa, se a voltagem utilizada for 220 volts, o tempo de carga é de seis horas. A bateria tem vida útil de quarenta anos e 60 kWh de capacidade.

Adriano Caputo, gerente comercial da BYD, disse que o taxista que optar pelo modelo e6 terá até 85% de redução de custo com combustível. O investimento para adquirir o veículo é de R$ 270 mil, mas a empresa oferece linha de financiamento para taxistas no valor R$ 174 mil, sendo R$ 5 mil de entrada e os R$ 169 mil divididos em 72 vezes. Adquirindo o carro o taxista ganha um carregador para uso doméstico: “A BYD já trouxe ônibus elétricos para Belo Horizonte. Agora estamos apresentando aos taxistas um veículo que atende todas as necessidades para a prestação do serviço, mas com muita economia”.

Renault e seu recorde de vendas

O Grupo Renault aumentou suas vendas em 10,4% no mundo no primeiro semestre deste ano em mercado que cresceu 2,6%. Com isso sua participação chegou a 4,1%. As informações são do Flash de Motor, da Venezuela.

As vendas, de 1 milhão 879 mil 288 veículos, foram recordes no período. Thierry Koskas, diretor comercial do grupo, disse que o crescimento das marcas, incluindo Renault e Dacia, aconteceu em todos os mercados onde atua:

“Estabelecemos um novo marco para o semestre. Nossa estratégia, de renovação do portfólio e expansão geográfica, tem dado frutos”.

Na Europa os licenciamentos do grupo têm crescido mais rápido do que o mercado. O aumento de janeiro a junho foi de 5,6% enquanto o mercado avançou 4,4%, o que representa volume de 1 milhão 25 mil 146 veículos. A participação chegou a 10,8% na Europa. No segmento de veículos elétricos a Renault segue líder com participação de mercado de 26,8%, e suas vendas aumentaram 34%. O Renault ZOE continua como o carro elétrico mais vendido da Europa e o crescimento de suas vendas foi de 44%.

Na França a empresa obteve os melhores resultados semestrais dos últimos seis anos, com os modelos Twingo, Clio, Talisman e Espace liderando em seus segmentos.

Fora da Europa, em todas as regiões a empresa aumentou seus volumes e sua participação. Na América Latina, por exemplo, as vendas subiram 14,6% em um mercado que registrou crescimento de 8,3%, o que deu à Renault uma participação de 6,5%.

Na Argentina continua se beneficiar da recuperação do mercado e, com isso, viu seus licenciamentos crescerem 45,6%, sendo que os emplacamentos totais aumentaram 34%, e o seu market share chegou a 13,3%, 1,1 ponto porcentual acima do registrado no primeiro semestre do ano passado. Já no Brasil o mercado cresceu 4,2% e ela apresentou elevação de 5,1% o que lhe rendeu participação de 7,4% nas vendas do semestre.

Microsoft e Baidu desenvolverão carro autônomo

Microsoft e Baidu, o Google chinês, anunciaram na terça-feira, 18, que trabalharão em conjunto no projeto Apollo, programa de desenvolvimento de veículos autônomos que também tem como participantes Bosch, Continental, TomTom e outras empresas do setor automotivo.
Kevin Dallas, vice-presidente da Microsoft, comemorou o acordo: “Estamos entusiasmados em nos associar e dar um passo gigante para ajudar fabricantes e fornecedores automotivos a perceberem a importância da direção autônoma”.

A parceria anunciada segue a tendência que se intensificou nos últimos dois anos: montadoras e sistemistas buscam colaboração de empresas de tecnologia para o desenvolvimento e pesquisa sobre carros dotados de algum tipo de autonomia.

A Microsoft se apoia em dados de mercado para justificar sua entrada no projeto. Pesquisa do instituto McKinsey aponta para a massificação dos autônomos até 2030 e, a partir do cenário, a Microsoft acredita que projetos de veículos serão tornados viáveis apenas por meio de parcerias.

Não à toa já trabalha com a indústria automotiva na criação de sensores e na análise de dados gerados por veículos conectados. Empresas como BMW, Ford, Renault Nissan, Toyota e Volvo estão usando, ou anunciaram planos, para adotar a tecnologia de nuvem inteligente da Microsoft, a Azure, em serviços como assistência ao motorista, manutenção preventiva e mídia controlada por voz.

Outro levantamento também pode justificar esse interesse em parceria com o setor automotivo. A Bosch realizou pesquisa em seis países – Alemanha, Brasil, China, Estados Unidos, França e Japão –, que mostrou que carros autônomos serão mais comuns nas estradas. E motoristas indicaram que gostariam de ter um veículo desse tipo em situações de estresse no trânsito. 63% dos entrevistados disseram que aproveitariam o tempo livre durante a condução autônoma para olhar e aproveitar a paisagem. Foram entrevistados 6 mil motoristas.

O carro do futuro, que poupará os motoristas de realizarem manobras, de acelerar ou frear, é visto, por 67% dos entrevistados, como algo especialmente útil em viagens de longas distâncias. A maioria dos entrevistados, 65%, também espera um aumento significativo em termos de conveniência, e outros 60% acreditam que esses veículos serão mais seguros em muitas situações cotidianas como, por exemplo, a busca por vagas de estacionamento em centros urbanos.

A pesquisa também revelou um ranking interessante das funções mais desejadas em um veículo autônomo: estacionamento, 65%, busca automatizada por vagas em áreas urbanas, 60%, congestionamento livre de estresse, 59%.

Selic e inflação em queda não aceleram financiamento

Mesmo indicando movimento de queda os novos índices para a taxa básica de juros e da inflação não devem impressionar de forma positiva o setor automotivo. A estimativa é a de que a Selic fique em 8% em dezembro – hoje está em 10,25% ao ano –, e que a inflação, medida pelo IPCA, chegue a 3,29%, ficando abaixo do centro da meta, de 4,5%. O bom momento esperado pelo mercado, de acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, não deve se converter na melhora da liberação do crédito para a compra de veículos.

Isso porque, a taxa de juros real, obtida pela diferença da Selic diante do índice da inflação, seria de 4,71%. Este é ainda um valor bastante elevado, segundo Agostinho Pascalicchio, professor de economia do Mackenzie: “O Brasil apresenta uma das mais altas taxas de juros do mundo. Em países como a Alemanha e os Estados Unidos, por exemplo, a taxa de juros é negativa”.

Ele lembrou que há outros fatores que impedem o crescimento da concessão dos financiamentos de veículos. Um deles é a seletividade dos bancos em função do alto número de inadimplentes, que atinge hoje 59,8 milhões de consumidores brasileiros, de acordo com dados do SPC Brasil, Serviço de Proteção ao Crédito, e da CNDL, Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas: “A taxa de juros elevada provoca inadimplência do consumidor que, mesmo empregado, não consegue pagar os encargos financeiros advindos dessa mesma taxa de juros”.

Segundo dados da Anfavea em junho as vendas de veículos financiados representaram 49,1% do total licenciado no mês, que foi de 195 mil unidades. Historicamente essa participação é de 60%. No semestre o volume de veículos novos financiados foi de 845 mil 217 unidades, queda de 3,9% com relação ao mesmo período de 2016.

Primeira picape M-B aqui só em 2019

“Por que estamos produzindo uma picape?”, perguntou Florian Martens, diretor de comunicação da Mercedes-Benz, na terça-feira, 18, em Cape Town, África do Sul, durante o lançamento da X-Class, o primeiro modelo da empresa no segmento. A justificativa são projeções de mercado e as oportunidades de negócio que ela traz: até 2023, segundo ele, o mercado global terá o incremento de 1 milhão de picapes, ou 43% a mais sobre o volume atual.

O veículo estará disponível ao mercado europeu em novembro, por € 37 mil, e chegará a outros países, na América Latina e Oceania, em 2019. O modelo é fruto de parceria com a Renault Nissan e será produzido em Virrey del Pino, Argentina. Para receber a produção do novo veículo foi necessário investimento de US$ 150 milhões na modernização da fábrica, anunciado em abril. Lá são produzidos os veículos comerciais da empresa, como as vans Vito e Sprinter.

Dieter Zetsche, presidente da Daimler, o grupo que controla a Mercedes-Benz, disse que a picape tem um “apelo para o uso urbano”, apesar de ser um veículo “robusto”. A X-Class terá capacidade de carga de 1,1 tonelada, quase o dobro da capacidade da picape Fiat Toro, 650 quilos, por exemplo. A plataforma é a da picape Nissan Navara, modelo vendido nos Estados Unidos.

O veículo terá três tipos de motorização: 163 cv, 190 cv e 258 cv, sempre com a utilização de diesel.

Wilfried Porth, diretor de RH da Mercedes-Benz Vans e integrante do conselho de administração da Daimler, disse que o modelo deve ter sucesso no mercado brasileiro pois o agronegócio é um setor forte na economia: “É o principal mercado na América Latina. O uso urbano de picapes também é comum no Brasil. É um segmento interessante”.

Segundo dados da Anfavea as vendas de comerciais leves no semestre cresceram 2,8%, chegando a 145 mil 316 unidades, e a produção aumentou 13,2%, com 159 mil 932 veículos.

Montadoras na busca pelo usado

As fabricantes de veículos instaladas no Brasil usam a criatividade para driblar a crise e para apresentar resultados satisfatórios para suas matrizes, e algumas delas apostaram no pós-venda para melhorar suas margens. É o caso da FCA, da MAN Latin America e da Mercedes-Benz, que lançaram linhas de peças de reposição mais baratas para atrair clientes que, após o término da garantia, não frequentam mais as concessionárias.

A FCA, por meio da Mopar, o seu braço de pós-venda, lançou em maio uma linha de peças para modelos da Fiat acima de três anos de uso. A Classic Line, segundo a empresa, foi projetada para atender à alta demanda dos seus veículos usados. De acordo com as suas projeções atualmente cerca de 80% da frota circulante da Fiat já têm mais de três anos de uso. Isso representa aproximadamente mais de 7 milhões de veículos rodando fora do período de garantia contratual.

Francesco Abbruzzessi, diretor da Mopar para a América Latina, disse que em momentos de crise o pós-venda deve ser mais atuante e procurar reter o cliente que procura o reparador independente após o fim da garantia:

“Uma das formas de trazer esse consumidor de volta para a concessionária é justamente oferecendo uma linha de peças com qualidade da genuína, mas de custo-benefício melhor”.

Nesse primeiro momento, segundo Abbruzzessi, serão oferecidos 180 itens divididos em oito categorias: cabos, correias e tensores, embreagem, limpador de para-brisa, filtros, freios, suspensão e iluminação: “São peças com um giro maior. Usamos também sempre fornecedores nacionais, empresas que já são nossas parceiras”.

Todos os itens, contou o executivo, são testados e homologados pela engenharia da Fiat.

Em caminhões a lógica também é a mesma: reter o cliente com serviços e peças com preços mais competitivos. A MAN Latin America lançou no mesmo maio a sua linha de peças que chama de similares. Osmany Baptista, gerente executivo de peças e acessórios, contou que há três anos a empresa prepara a entrada nesse segmento e desde 201vende itens de alto giro a preços mais competitivos:

“Trabalhávamos esse segmento de peças mais baratas e com a mesma qualidade das originais, mas não com a marca Economy. Desde o lançamento até hoj já aumentamos o faturamento com essas vendas em 50%. É um bom indicador do desempenho da área”.

Baptista disse, ainda, que em veículos pesados o Brasil é o primeiro país a ter essa marca de peças similares. Em automóveis a Volkswagen já tem o negócio consolidado no mundo: “Temos um portfólio de cerca de sessenta itens que são fabricados por dez fornecedores. Alguns já são parceiros em outros componentes que estão em nossos veículos. Negociamos com essas empresas e conseguimos redução nos custos de produção. Todas as peças são homologadas pela nossa engenharia”.

Segundo o executivo a frota potencial é de 300 mil caminhões com mais de 5 e até 8 anos: “Costumo dizer que caminhão é como filho. Quando criança acompanha os pais. Adolescentes já têm vontade própria e, muitas vezes, não querem o mesmo programa, e quando adultos já não estão juntos de seus pais. Queremos atrair esse cliente com caminhão de 5 a 8 anos, que para nós é o adolescente”.

Na Mercedes-Benz esse negócio já é mais estruturado. Desde o início de 2014 a marca Alliance Truck Parts está nas suas concessionárias em todo o País. Mauro Santos, gerente de peças Alliance, afirmou que de janeiro a junho foram comercializadas 40 mil peças da marca, um crescimento de 150% no comparativo com o mesmo período do ano passado:

“Para o ano a expectativa é chegarmos ao volume de 120 mil componentes. Em 2016 vendemos 55 mil itens. Não atuamos só com veículos Mercedes-Benz: temos peças para caminhões de outras empresas. E é por isso que sustentamos essa expectativa de crescimento. Temos potencial para atender a 70% da frota brasileira”.

Hoje a Alliance tem portfólio com 353 itens e desde 2014 já foram comercializadas 109 mil peças: “Todo mês conquistamos novos clientes. Só no primeiro semestre tivemos 15 mil novos consumidores no Brasil. A marca está em franco crescimento”.

Segundo Santos as peças, assim como nas concorrentes, são homologadas pela Mercedes-Benz e são, em média, até 50% mais baratas do que os componentes originais.

PST agora com cidadania estadunidense

A PST Electronics já não é mais uma empresa brasileira. A Stoneridge, dos Estados Unidos, comprou os 26% restantes do capital votante da empresa e assumiu o seu controle. Segundo comunicado com a aquisição os produtos Pósitron poderão desembarcar na América do Norte, na Ásia e na Europa, pois a Stoneridge está presente nesses mercados. A venda também deverá aumentar os investimentos na operação brasileira, principalmente em desenvolvimento de novas tecnologias.

Com a aquisição pela Stoneridge a PST Electronics também terá alterações na sua estrutura funcional diretiva. Caetano Ferraiolo, que foi um dos responsáveis pela retomada do crescimento da PST desde dezembro de 2015, ocupando a posição de diretor de operações, COO, será o seu novo presidente. O executivo sucede a Sérgio Leite, um dos fundadores da PST, que passará à posição de diretor de tecnologia, CTO.

Ferraiolo disse que a nova composição acionária facilitará o fluxo de investimentos nas operações brasileiras, intensificando a troca de tecnologias, “permitindo combinar o talento dos
engenheiros no Brasil e no mundo na busca de soluções inovadoras para nossos clientes”.

Um exemplo dessa sinergia foi o recente lançamento de sistema na área de rastreamento e telemetria, específico para o mercado dos Estados Unidos, que foi 100% desenvolvido no Brasil.

No Brasil as estimativas da PST são de uma receita de R$ 350 milhões este ano, o que representará crescimento de 10% com relação a 2016, com forte foco no mercado de rastreadores: “Esta aquisição comprova a confiança que a Stoneridge tem na PST Electronics e na sua solidez”.