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24/07/2017

Selic e inflação em queda não aceleram financiamento

Por Mônica Cardoso

- 24/07/2017

Mesmo indicando movimento de queda os novos índices para a taxa básica de juros e da inflação não devem impressionar de forma positiva o setor automotivo. A estimativa é a de que a Selic fique em 8% em dezembro – hoje está em 10,25% ao ano –, e que a inflação, medida pelo IPCA, chegue a 3,29%, ficando abaixo do centro da meta, de 4,5%. O bom momento esperado pelo mercado, de acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, não deve se converter na melhora da liberação do crédito para a compra de veículos.

Isso porque, a taxa de juros real, obtida pela diferença da Selic diante do índice da inflação, seria de 4,71%. Este é ainda um valor bastante elevado, segundo Agostinho Pascalicchio, professor de economia do Mackenzie: “O Brasil apresenta uma das mais altas taxas de juros do mundo. Em países como a Alemanha e os Estados Unidos, por exemplo, a taxa de juros é negativa”.

Ele lembrou que há outros fatores que impedem o crescimento da concessão dos financiamentos de veículos. Um deles é a seletividade dos bancos em função do alto número de inadimplentes, que atinge hoje 59,8 milhões de consumidores brasileiros, de acordo com dados do SPC Brasil, Serviço de Proteção ao Crédito, e da CNDL, Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas: “A taxa de juros elevada provoca inadimplência do consumidor que, mesmo empregado, não consegue pagar os encargos financeiros advindos dessa mesma taxa de juros”.

Segundo dados da Anfavea em junho as vendas de veículos financiados representaram 49,1% do total licenciado no mês, que foi de 195 mil unidades. Historicamente essa participação é de 60%. No semestre o volume de veículos novos financiados foi de 845 mil 217 unidades, queda de 3,9% com relação ao mesmo período de 2016.


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