AutoData - RS cria plano de resgate
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24/07/2017

RS cria plano de resgate

Por Bruno de Oliveira

- 24/07/2017

O governo do Rio Grande do Sul apresentará, esta semana, plano para atrair negócios para as empresas que formam o desaquecido setor automotivo do Estado, composto em sua maioria de companhias ligadas à produção de carrocerias e implementos. O programa de fomento, batizado como Plano Mult, contará com incentivos fiscais, investimento direto e promoção de parcerias do setor com instituições de pesquisa e desenvolvimento.

Segundo a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia o documento será finalizado até a sexta-feira, 21. Ainda estão pendentes itens como os recursos do Estado disponíveis para aportar no setor, projetos prioritários e empresas e instituições que serão participantes do Programa Mult. Mesmo com lacunas tem sido tema de discussão do governo com as empresas gaúchas desde o ano passado.

Na visão do governo o plano surge como meio para elevar o nível tecnológico das empresas ainda que não seja uma característica da região, mas do setor de autopeças brasileiro como um todo, como disse George Rugitsky, presidente da Freudenberg-NOK e conselheiro do Sindipeças:

“O setor enfrenta nacionalmente os mesmos obstáculos para que as empresas sejam mais competitivas. As ações devem corrigir as estruturas da indústria e não questões sazonais”.

O Rio Grande do Sul, hoje, é responsável por cerca de 60% da produção nacional de carrocerias e por 12% da de chassis, ambos para ônibus, de acordo com dados de 2016 do governo estadual. Também tem 50% de participação no mercado nacional de implementos rodoviários e de 50% no de tratores de rodas e esteiras. Uma das medidas estudadas para aquecer a indústria local é conceder incentivos às fabricantes de veículos que investirem diretamente em melhorias nos seus fornecedores, seja na compra de máquinas ou transferindo processos às suas linhas de produção.

O plano é visto no Estado como forma de ajudar o segmento de implementos e carrocerias a ganhar competitividade, inclusive nas exportações. O setor sentiu diretamente os reflexos das quedas das vendas de caminhões e ônibus no mercado interno e buscou no Exterior negócios que dessem sustentação às suas operações. Apostar nas exportações já mostrou resultados positivos, ainda que insuficientes para fazer o segmento voltar a crescer.

De acordo com dados divulgados pela Anfir, associação das fabricantes de implementos, os emplacamentos diminuíram 20,5% no acumulado de janeiro a junho em comparação com iguais meses do ano passado, para pouco mais de 25,3 mil unidades, leves e pesadas. É o menor indicador negativo registrado pela indústria até agora.

Segundo Antônio Jorge Martins, professor do curso de gestão da cadeia automotiva da FGV, Fundação Getúlio Vargas, a proposta do Mult é ambiciosa porque em determinados termos é inédita no País:

“Atuar na relação do cliente com o fornecedor é algo relativamente novo no Brasil. O setor pensa que, nesses casos, ocorra a transferência de responsabilidades de alavancar os negócios em determinada indústria. Mas, se confirmados os incentivos aos elos com maior poder de investimento na cadeia, não há dúvidas de que será benéfico”.


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