Ford abre PDV e readmite 80 funcionários

Os funcionários da Ford no ABC Paulista aceitaram a proposta da empresa para equacionar as demissões de 364 empregados ocorridas no dia 13 de agosto. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em assembleia realizada nesta sexta-feira, 18, ficou acordado que retornarão à fábrica 80 funcionários do total de demitidos.

 

Ao restante será oferecido um PDV, Programa de Demissão Voluntária, que pagará o valor referente a 83% do salário por ano trabalhado, com acréscimo de R$ 30 mil àqueles metalúrgicos com até 10 anos de fábrica. Aos trabalhadores que possuem restrição médica, o valor pago será referente a 140% do salário por ano trabalhado, mais R$ 7,5 mil.

 

Como os trabalhadores tinham estabilidade até janeiro de 2018, garantida pelo acordo coletivo firmado em 2016, àqueles que não aderirem ao PDV a montadora pagará o valor de cinco salários referentes a esse período, de agosto a dezembro de 2017. José Quixabeira de Anchieta, coordenador do Comitê Sindical na Ford, disse que a empresa foi irredutível e informou que haverá mais um corte no volume produzido em setembro: “Foi um processo muito difícil e o resultado não atende a tudo, mas entendemos que foi o possível de construir. Com muito esforço conseguimos o retorno dos 80 trabalhadores”.

 

Em 2015, á época do acordo de estabilidade, a Ford alegava que tinha cerca de 800 empregados a mais em seu quadro de funcionários, contando os que tralhavam na produção e no administrativo. Nos últimos dois anos, ela abriu um programa de demissão voluntária e muitos se aposentaram. Hoje, a Ford tem cerca de 3 mil funcionários, contando com os 364 demitidos. Alexandre Colombo, diretor executivo do sindicato e funcionário da Ford, disse que para este ano a montadora programou uma produção de até 12 mil caminhões e 36 mil carros: “Com um turno de trabalho a empresa pode fabricar até 110 mil veículos. A produção caiu muito este ano, por isso, estamos com essa tática de parar áreas essenciais e assim paralisar todo o processo”.

 

No ano passado, de acordo com a Anfavea, a Ford produziu, em todas as fábricas no País, 219 mil 519 veículos. Em 2015 foram 240,5 mil unidades. Em São Bernardo do Campo, ela fabrica caminhões e o New Fiesta nas versões hatch e sedã.

 

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Rota 2030 sairá só em novembro

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, disse na segunda-feira, 14, que a nova política industrial do setor automotivo, o programa Rota 2030, deverá ser apresentada em dois ou três meses – a expectativa, quando foi lançada, em 18 de abril, era a de que estaria concluído em agosto.

 

“Com o Rota 2030 conseguiremos aumentar a competitividade das empresas e do País e o valor da produção.”

 

Segundo ele as discussões do setor com o governo estão pautadas em cinco tópicos: promover a integração competitiva às cadeias globais de valor, melhorar o ambiente de negócio, eficiência energética, segurança veicular e aumento da produção brasileira.

 

O Rota 2030 sucederá ao Inovar- Auto, a política industrial que termina no fim deste ano. Para entrar em vigor já em janeiro de 2018 o projeto teria que ser aprovado até setembro, pois há etapas propostas que devem ser informadas ao setor produtivo até noventa dias antes de sua vigência. O presidente da Volkswagen eseu CEO para a América do Sul, David Powels, disse não acreditar que o lançamento da nova política industrial ocorra novembro:

 

“Estamos trabalhando muito forte nos grupos de trabalho, assim como outras montadoras. Vai ser difícil concluir essas discussões nos próximos três meses. Mas o ponto positivo do Rota 2030 é que a indústria quer ter a certeza do futuro, busca previsibilidade para investir. Esse plano deve vigorar por quinze anos e isso nos dá essa segurança”.

Promessa: terceiro turno de volta à VW Anchieta!!

Com a chegada do Novo Polo, marcada para novembro nas concessionárias do País, nasce também mais uma nova Volkswagen – este é, pelo menos, o projeto da companhia, que está no Brasil há sessenta anos e que, agora, quer novamente se reinventar. Para isso o presidente David Powels disse que foram investidos na unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP, R$ 2,6 bilhões para prepará-la para os novos tempos, que são do Novo Polo e do sedã Virtus.

 

Esse valor faz parte do pacote de R$ 7 bilhões destinados à operação brasileira até 2020.

 

Quando a linha de produção estiver a todo vapor a VW abrirá um terceiro turno de trabalho:

 

“Em dois ou três meses abriremos o terceiro turno, mas não vamos contratar. Temos de duzentos a trezentos funcionários em regime de lay off. Antes de contratações usaremos todas as alternativas”.

 

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC 687 empregados da empresa entraram em lay off este mês.

 

Hoje a fábrica tem cerca de 8 mil funcionários e dois turnos de trabalho. Por lá é produzida a Saveiro e já foi iniciada a montagem do Novo Polo. O presidente Powels afirmou que dois modelos da nova plataforma, MQB, serão montados na unidade: outros dois, um SUV e uma picape, serão produzidos em São José dos Pinhais, PR: “A renovação total de nossa linha acontecerá até 2020. Ela começa com o Novo Polo. Estamos trabalhando, há dezoito 18 meses, para construir essa nova Volkswagen”.

 

Os recursos já foram praticamente gastos, com o desenvolvimento do Novo Polo e do Virtus, com a preparação da linha para receber os novos veículos e com a nacionalização de peças. Segundo o executivo a meta é ter 75% de peças nacionais no Novo Polo: “Importamos componentes eletrônicos porque no Brasil não há escala de produção desses equipamentos. E trazemos o câmbio da Argentina”.

 

Ele destacou, também, os acordos coletivos que foram assinados em todas as unidades da VW no Brasil, que tornaram viável os investimentos por aqui: “São acordos para cinco anos, com foco no futuro, que ampliaram a flexibilidade e a produtividade. Isso demonstra a maior maturidade na relação da empresa com os empregados”.

 

Mercado – Essa nova empresa, segundo ele, é a sua aposta para ganhar mercado no Brasil onde, hoje, a VW ocupa uma incômoda terceira posição. Powels já declarou que este não é o lugar para a empresa: “2017 marcará a virada de página da Volkswagen aqui”.

 

Powels notou que este ano as vendas de automóveis e comerciais leves devem crescer de 5% a 7% e que, em 2018, outros 8%: “O mercado será melhor, mas não teremos um milagre, pois a recuperação será lenta. Estaremos preparados para ganhar participação com os novos produtos: o Novo Polo chega em novembro e o Virtus no primeiro trimestre do ano que vem”.

 

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Ford demite no ABC e produção para

A Ford demitiu 364 funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo, SP, que estavam com os seus contratos de trabalho suspensos temporariamente, em lay off, na quinta-feira, 10. Em comunicado a empresa informou que as dispensas foram realizadas em razão da queda do mercado nos últimos anos e que, por isso, ajustou sua folha de pagamento:

 

“Nos dois últimos anos a Ford adotou uma série de medidas para administrar o excesso de empregados decorrente da redução do volume de produção em São Bernardo do Campo, tais como PPE, PDV, suspensão temporária do contrato de trabalho, lay off, e férias coletivas. Entretanto, devido à necessidade de adequar os níveis de mão-de-obra às demandas de mercado, estamos fazendo o desligamento dos funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo que estavam em lay off”.

 

Alexandre Colombo, diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e funcionário da Ford, observou que os funcionários da estamparia ficaram parados na sexta-feira, 11, em protesto pelas demissões anunciadas no dia anterior. Segundo ele a Ford teria descumprido acordo de estabilidade em vigor desde 2015 e que terminaria em janeiro de 2018: “Os demitidos foram classificados como excedentes pela montadora. Mas todos os funcionários tinham estabilidade garantida até 2018. Por isso, na semana que vem, se não acontecer alguma reunião com a empresa, paralisaremos a fábrica novamente”.

 

Em 2015, á época do acordo de estabilidade, a Ford alegava que tinha cerca de oitocentos empregados a mais em seu quadro de funcionários ali, no ABC, contando os que tralhavam na produção e nas áreas administrativas. Colombo disse que, durante os últimos dois anos, a Ford abriu programa de demissão voluntária e muitos se aposentaram.

 

Hoje a Ford tem cerca de 3 mil funcionários, contando com os 364 demitidos. Colombo contou, ainda, que para este ano a Ford programou a produção de até 12 mil caminhões e de 36 mil carros: “Com um turno de trabalho a empresa pode fabricar até 110 mil veículos. A produção caiu muito este ano e, por isso, estamos com essa tática de parar áreas essenciais e assim paralisar todo o processo”.

 

Ele contou, também, que em 14 e 15 de agosto a companhia programou parada de produção para ajustar os seus estoques.

 

No ano passado, de acordo com a Anfavea, a Ford produziu, em todas as suas fábricas no País, 219 mil 519 veículos. Em 2015 foram 240,5 mil unidades. Em São Bernardo do Campo fabrica caminhões e o New Fiesta, tanto a versão hatch como sedã.

 

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De olho na privatização das estradas

A diferença dos investimentos público e privado nas rodovias brasileiras é um dos pontos identificados pelo estudo Transporte Rodoviário: Desempenho do Setor, Infraestrutura e Investimentos, divulgado pela CNT, entidade empenhada na privatização das rodovias brasileiras. O estudo avaliou os investimentos de 2004 a 2016 e mostrou que os recursos privados, por quilômetro, representam mais do que o dobro dos públicos.

 

Em 2013 as concessionárias brasileiras investiram, por quilômetro, o maior valor no período: R$ 447 mil. Em 2016, houve redução, para R$ 354 mil 460. Ainda assim o valor é 122,1% maior do que o recebido pelas rodovias federais geridas pela União em 2016, R$ 159 mil 600/km.

 

Bruno Batista, diretor-executivo da CNT, disse que “esse é um bom parâmetro de comparação. Esse investimento das concessionárias faz com que o nível de qualidade seja significativamente superior ao das rodovias mantidas pelo poder público”.

 

Na edição de 2016 da Pesquisa CNT de Rodovias a extensão concessionada com estado geral classificado como ótimo ou bom foi de 78,7%. Nas federais, sob gestão pública, foi de 42,7%.

 

O novo estudo da CNT mostra que, desde a década de 1990, o País adotou a alternativa de participação da iniciativa privada no provimento da infraestrutura de transporte via concessões. De 2004 a 2016 foram investidos R$ 49 bilhões 960 milhões pelas concessionárias.

 

Só em 2016 o investimento privado foi de R$ 6 bilhões 750 milhões, em 19 mil 31 km. Nesse mesmo ano as rodovias públicas federais receberam R$ 8 bilhões 610 milhões para investir em mais do que o dobro da extensão, 53 mil 943 km. A análise evolutiva mostra que o volume anual de aportes acompanhou a expansão do programa de concessões rodoviárias. Apesar disso o valor investido – por quilômetro de rodovia concedida –, que apresentou incrementos consecutivos de 2004 a 2013, registrou retração de 2014 a 2016.

 

Segundo o estudo esse resultado se deve à crise econômica e às dificuldades enfrentadas pelas novas concessionárias. Uma delas: a pesquisa a CNT destaca o financiamento das obras devido às mudanças na política econômica governamental, principalmente do BNDES.

Foto: Fotos Públicas – Antony Sappres

Onde estão as menores taxas do mercado?

As taxas de juros nos financiamentos de veículos oferecidos pelos bancos das montadoras são menores do que as de bancos de varejo, de acordo com dados do Banco Central. Na primeira semana de agosto, por exemplo, a menor taxa era praticada pela BMW Financeira, com 12,33% ao ano, e a menor taxa de um banco de varejo era quase o dobro, 20,46% ao ano, oferecida pela Alfa Financeira. Depois dos da BMW Financeira os juros mais baixos praticados no mercado são 12,68% ao ano do banco da Mercedes-Benz e 13,15% ao ano do Banco PSA.

 

A diferença nas taxas de juros ocorre porque os bancos das montadoras têm interesse estratégico alinhado com suas empresas, para incentivar as vendas e diminuir os seus estoques nos pátios, de acordo com Marcelo Prata, fundador da plataforma Canal do Crédito: “Os bancos das montadoras são focados nos financiamentos de veículos enquanto os de varejo atendem clientes dos mais variados perfis para diferentes produtos. Por esse motivo seu risco é maior e, consequentemente, a taxa de juros é mais alta. É como se os bancos das montadoras se autofinanciassem e, por esse motivo, podem praticar taxas de juros mais agressivas”.

 

Segundo ele as taxas de juros dos bancos de montadoras costumam ser menores, mas a disparidade com os bancos tradicionais diminui quando o mercado está aquecido e as vendas em alta.

 

Concessão de crédito – Com a recuperação nas vendas de veículos o volume na concessão de crédito deve aumentar este ano, de acordo com a Anef, Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras. A entidade revisou para cima sua projeção do total de liberação de recursos para financiamentos em 2017, com alta de 10,2% contra a estimativa de 5,5% do início do ano. A entidade calcula que serão liberados R$ 90,6 bilhões em novos contratos em 2017 contra R$ 82,2 bilhões em 2016.

 

Segundo Luiz Montenegro, presidente da Anef, o aumento na projeção se deve à combinação de fatores econômicos como a queda na Selic, a inflação sob controle, a estabilização da taxa de desemprego e a projeção de crescimento do PIB para 2018:

 

“A estabilidade econômica provoca aumento da confiança do consumidor, o que, aliado à demanda reprimida, deverá aumentar a venda de veículos no segundo semestre. Mas será uma retomada lenta e gradual no setor automotivo”.

 

Só no primeiro semestre deste ano os bancos de montadoras e de varejo liberaram R$ 45,8 bilhões, o que representa alta de 18,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, R$ 38,6 bilhões.

Michelin foca nos superesportivos

Com o lançamento do pneu Pilot Sport4 S, o foco da Michelin se volta para o segmento de veículos superesportivos. Mesmo com a crise no setor automotivo, este nicho está em franco crescimento, de acordo com Ruy Ferreira, diretor comercial da Michelin América Latina. “O segmento de superesportivos apresenta crescimento duas vezes mais rápido do que os veículos de entrada no Brasil e nos demais países da América Latina”.

 

Produzido nas fábricas da Michelin na França, Alemanha e Estados Unidos, o pneu será importado para o mercado sul-americano, até porque os modelos superesportivos também não são produzidos no Brasil. Os veículos que já são equipados com o pneu são Ferrari GTC4LUSSO 2017, Mercedes AMG Classe E E63 2017, Mercedes AMG Classe E E43 2017 e os modelos Porsche Boxster, Panamera 2016 e 718 Cayman.

 

Segundo Ferreira, o mercado brasileiro de pneus de passeio e caminhonetes fechou o primeiro semestre com aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado, puxado pelos pneus importados. Por sua vez, ainda segundo Ferreira, os fabricantes nacionais tiveram redução de 3% nas suas vendas nesse período.

 

As fábricas de Resende e Campo Grande, ambas no Rio de Janeiro, mantiveram a capacidade de produção mesmo com a queda nas vendas de veículos, compensada pelo aumento nas vendas para o mercado de reposição. A capacidade de produção da unidade de Resende é de 41 mil 800 toneladas de pneus por ano enquanto que em Campo Grande é de 144 mil 700 toneladas.
“No Brasil, o mercado de equipamentos originais, incluindo todas as fabricantes, gira em torno de 14 milhões de pneus. Já o mercado de reposição atinge 38 milhões de pneus. Ou seja, o mercado de peças originais é quase um terço do de reposição”, diz Ferreira. O executivo também acredita que o consumidor prefere comprar itens de série da mesma marca do veículo.

 

Com o Pilot Sport4 S, a empresa mantém a estratégia de lançar um pneu por ano desde 2012. O modelo XM2, voltado para veículos de entrada, o Primacy 3, para sedãs médios, e o LTX Force, para caminhonetes e SUV, são fabricados no Brasil. “O número maior de produtos no nosso portfolio aumenta as chances de atingir o consumidor.” Daqui, eles são exportados para a América do Sul, bem como para países das américas Central e do Norte, como México, Panamá, Costa Rica, Guatemala, El Salvador, República Dominicana.

 

Outra tática da empresa é vender pneus originais para os veículos mais comercializados das montadoras instaladas no Brasil como Toyota Corolla, Honda HR-V e Peugeot 208.

 

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Crise impulsiona surgimento de startups brasileiras do setor automotivo

Uma pesquisa com cinco mil startups de todo o País mapeou as 193 startups brasileiras que estão inovando no segmento automotivo. Elas foram divididas em 22 categorias, sendo que 28% investem na área de logística e transporte, 27% em recursos para mobilidade, 23% em tecnologia automotiva e 22% em tecnologia aplicada. O estudo Liga Insights AutoTech foi realizado pela Liga Ventures, empresa especializada em gerar a intermediação de negócios das startups e grandes empresas como Mercedes-Benz, Michelin e Eaton.

 

Mais da metade das startups brasileiras nasceram nos últimos dois anos, impulsionadas por criar novas oportunidades diante da crise econômica, de acordo com Raphael Augusto, startup hunter da Liga Ventures: “Muitas empresas cortaram investimentos no setor de logística e transporte e tiveram que buscar soluções para seus negócios. As startups identificaram essas janelas de oportunidades e ofereceram alternativas. Como resultado, a empresa pode focar na sua área de atuação e diminuir despesas com transporte”.

 

Uma das áreas que apresenta maior número de startups é a de mobilidade, em que atuam empresas de compartilhamento de veículos ou car sharing, como o aplicativo de transporte de passageiros 99. A novidade é o compartilhamento de veículos para o transporte de carga, que varia de acordo com o perfil do frete, podendo ser de bicicleta, moto, furgão para pequenas distâncias nos centros urbanos até caminhões para percursos mais longos. Um exemplo é a Truckpad, especializada no transporte de carga pesada e que conta com mais de 300 mil caminhoneiros autônomos cadastrados de todo o Brasil.

 

A automação também apresenta forte tendência de crescimento com tecnologias que permitem o monitoramento da frota e o comportamento dos motoristas, como esclarece Rogério Tamassia, fundador e diretor da Liga Ventures: “A Keycar é uma startup de Santos, SP, que criou soluções para acessar o veículo diretamente do celular como abrir e fechar as portar, acionar o ar condicionado e cortar combustível”.

 

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Renave enfim em setembro, promete Denatran

O Renave, Registro Nacional de Veículos em Estoque, deverá entrar em operação em setembro, de acordo com o Denatran, Departamento Nacional de Trânsito. O sistema está em fase final de desenvolvimento, com testes realizados em concessionárias de Aracaju, SE, e Fortaleza, CE, para os últimos ajustes referentes aos fluxos e funcionalidades dos veículos.

 

Por meio de um sistema eletrônico o Renave permitirá o registro da entrada e da saída dos veículos novos e usados nos estoques de concessionárias e de lojas multimarcas. Ao fazer a compra ou a venda do veículo a loja emitirá a nota fiscal eletrônica. Toda a transação, que hoje é feita em papel, será realizada de forma eletrônica. Isso trará mais segurança ao negócio, proporcionando uma maior garantia na legitimidade do emplacamento de veículos e simplificando os procedimentos burocráticos.

 

De acordo com Carlos Magno da Silva Oliveira, coordenador geral de planejamento operacional do Denatran, o Renave trará benefícios para os concessionários e para as lojas multimarcas: “Os estabelecimentos poderão realizar consultas a bancos de dados do Denatran para conhecer as características do veículo antes do fechar o negócio. O registro do veículo no estoque da empresa pode ser uma forma de obter empréstimos para financiamento do capital de giro com taxas mais atrativas”.

 

Aumento das vendas – A nota fiscal eletrônica diminuirá a informalidade nas revendas, que hoje chega a 85%, de acordo com Elis Siqueira, coordenador da área de informações da Fenauto, Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (foto): “Apenas 20% da compra e venda de veículos usados fazem a transferência formal para as lojas. Por causa da burocracia e das despesas o lojista transfere diretamente a posse do veículo do nome do vendedor para o do comprador, como se não houvesse a sua intermediação. Mas se ocorrer algum problema durante o processo o lojista terá que arcar com os gastos”.

 

Segundo ele as despesas com a transferência do veículo podem chegar a R$ 1,2 mil, envolvendo custos com vistoria, emissão de documentos autenticados em cartório e taxas do Detran. Já o tempo de transferência depende do Estado e pode ser de até 21 dias, como ocorre no Rio Grande do Sul: “Acredito que o Renave aumentará as vendas das revendas independentes. Ao reduzir as despesas e o tempo do processo de transferência é possível reduzir o preço do veículo para o consumidor. Todos acabam ganhando”.

 

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Novos veículos puxarão negócios da ABB no País

O ciclo de lançamentos de veículos no País, que deve se intensificar a partir de 2018 com a chegada de novas famílias de compactos e modelos inéditos de SUVs, é visto pela fabricante de robôs ABB como a oportunidade de expandir suas vendas na região, diversificar a oferta na área de serviços e aumentar o número de máquinas conectadas dentro dos clientes que dão os primeiros passos no universo da indústria 4.0.

 

A companhia, que segundo seus cálculos possui, no mercado brasileiro, 5 mil robôs em atividade com a sua logomarca – dentre os quais 70% estão dentro do setor automotivo –, afirmou que historicamente os períodos de lançamentos são marcados por volumes maiores de vendas de robôs. As novas linhas trazem a reboque equipamentos mais avançados para a montagem das carrocerias dos veículos, e este panorama é favorável aos negócios da ABB no Brasil.

 

Para seu gerente da divisão de serviços, Cássio Scarpi, ainda que o mercado esteja retomando o ritmo de vendas internamente, o que em tese refletiria no desempenho da empresa, muitos dos clientes hoje trabalham na finalização de projetos que envolvem mais automação nas fábricas: “Muita coisa está sendo feita neste momento, mesmo que o mercado esteja longe dos volumes de vendas de 2013. Chegarão novos produtos e, com eles, linhas mais modernas. Já temos diversos pedidos fechados com montadoras instaladas daqui”.

 

Levantamento feito pela consultoria IHS, especializada no setor automotivo, indicou onze lançamentos para 2018 utilizando como base a análise do ciclo de desenvolvimento das montadoras nos últimos anos. São esperadas novidades na BMW, Chery, Mercedes-Benz, Hyundai, Mitsubishi, PSA, Renault Nissan, Jaguar Land Rover, Toyota e Volkswagen.

 

Scarpi afirmou que as conversas com fabricantes e sistemistas se encontram em ritmo avançado no que diz respeito aos novos projetos de linhas de montagem: “Excluindo a FCA, que tem como fornecedor de equipamento de automação uma empresa do próprio grupo, os demais fabricantes são clientes globais que estão otimistas sobre os próximos anos a ponto de se prepararem para um aumento da demanda”.

 

O executivo disse, também, que afora a renovação do ciclo de alguns veículos a chegada de novos equipamentos servirá para aumentar o índice de automação da indústria brasileira: “O gosto do consumidor brasileiro demanda veículos com mais tecnologia, da estrutura ao acabamento, e as fabricantes estão buscando mercados mais exigentes nas exportações. A reformulação das linhas inaugura um novo período para o setor automotivo no caminho da conectividade”.

 

A ABB, ex-Asea Brown Boveri, neste sentido, planeja dobrar o número de robôs conectados no Brasil – aqueles que trocam ideias nas linhas de montagem –, chegando a cem unidades até o fim do ano.

 

Dados de pesquisa divulgada durante o Fórum Econômico Mundial, em janeiro, indicam que o Brasil está na 81ª posição em ranking de competitividade que conta com 138 países. Enquanto o nosso parque industrial conta com dez robôs para cada 10 mil funcionários a Coreia do Sul, líder do índice, soma 478. O governo, na semana passada, deu indícios de que pavimenta o caminho para a chegada de mais equipamentos de automação no País, ao anunciar que zerou a alíquota para a importação destes itens e outros ligados ao setor de autopeças.

 

Remanufatura – A ABB, que importa os robôs vendidos aqui, possui cinco unidades no País: uma em Blumenau, SC, um centro de distribuição e uma fábrica de motores e equipamentos de baixa tensão para o setor elétrico em Sorocaba, SP, um centro de distribuição e uma fábrica em Guarulhos, SP. Nesse último funciona linha de produção de equipamentos para o setor elétrico, centro de desenvolvimento em robótica e, nos últimos meses, uma área de remanufatura de robôs. A nova célula faz parte de um processo de diversificação da oferta da empresa em serviços:

 

“Percebemos que muitos setores que estão começando a se automatizar compraram equipamentos usados, e também há clientes tradicionais que decidiram apostar na manutenção dos seus robôs em vez de comprar equipamentos novos. É um mercado pouco explorado no Brasil”.

 

O centro de remanufatura é o primeiro da empresa na América Latina e tem capacidade para reparar trezentos componentes por ano. Sua concepção foi espelhada na unidade que a ABB possui na República Tcheca, em Ostrava. O equipamento que passa pelo processo, segundo Scarpi, chega a custar de 60% a 70% do valor de um novo.

 

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