MWM fornecerá motor MAR-I
A MWM fornecerá motores que atendem à legislação MAR–I para a fabricante de máquinas e implementos agrícolas, JAN. O contrato terá início neste semestre. Segundo a MWM os motores serão os da série Acteon 4.12TCE, de 160 cv, para os pulverizadores JAN Power Jet 2650L e Power Lancer 4000L, e de 190 cv para os equipamentos Spartan 2650L e Spartan 3000L.
Em nota a MWM informou que há outro acordo para o desenvolvimento de uma nova aplicação, a do distribuidor autopropelido Hidro Spartlancer 6200, com motorização série Acteon 6.12TCE, de 260 cv, MAR-I. O lançamento está previsto para o último trimestre do ano.
Thomas Püschel, diretor de vendas e marketing para motores e peças, disse que “a JAN é um importante parceiro do segmento agrícola e o fornecimento dos motores MAR-I para novas aplicações demonstra o fortalecimento e a expansão dessa parceria”.
As empresas são parceiras há dez anos e as aplicações JAN, equipadas em sua totalidade com motorização MWM, são comercializadas no Brasil e na América do Sul.
BNDES já liberou R$ 11 bilhões para Finame
O BNDES desembolsou, de janeiro a julho, R$ 11 bilhões por meio da Finame, valor 10% maior do que o liberado no mesmo período de 2016. Ao todo foram 38,5 mil operações, segundo o banco de fomento. A linha de financiamento é específica para a compra de máquinas e equipamentos e caminhões.
Segundo o BNDES só em julho a Finame repassou R$ 2,3 bilhões, o que representou crescimento de quase 90% com relação ao mesmo mês do ano passado. O desembolso mensal da Finame vem acelerando desde maio, quando registrou a primeira alta, de 11%, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em junho as liberações subiram 28% na comparação com junho do ano passado.
Comunicado do banco disse que “a alta de 90% em julho confirma a tendência de aceleração”.
Essa linha de financiamento é a mais utilizada na compra de caminhões. Até julho, de acordo com a Anfavea, 25 mil 990 veículos foram licenciados no País. Apesar do recuo de 14,1% no comparativo com os primeiros sete meses de 2016, representou uma melhora pois as vendas estão, mês a mês, diminuindo o ritmo de queda.
No acumulado do ano até julho as aprovações da Finame chegaram a R$ 12,6 bilhões, 35% acima dos R$ 9,3 bilhões registrados no mesmo período de 2016, informa o comunicado: “As aprovações da Finame refletem os investimentos de curto prazo prestes a ingressar na economia, pois a contratação e o desembolso ocorrem, em média, em menos de duas semanas”.
Tropicalizar é o futuro da engenharia
Valorizar a nossa realidade como uma alavanca para desenvolver a tecnologia na indústria automotiva brasileira. Este é o caminho de acordo com Camilo Adas, membro do board da SAE Brasil, Sociedade de Engenharia Automotiva, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira:
“A engenharia automotiva brasileira desenvolveu o álcool como combustível por causa do alto preço do barril do petróleo na década de 1970. O etanol e o biodiesel são invenções genuinamente brasileiras de que podemos nos orgulhar”.
A cada ano, o País vive uma nova supersafra, o que estimula o desenvolvimento de soluções em veículos e máquinas agrícolas, como o caminhão VM desenvolvido pelo centro de desenvolvimento e pesquisa da Volvo em Curitiba, PR: “Tropicalizar é fazer tecnologia integrada com a nossa realidade desde os primeiros traços do projeto. Qual multinacional não iria querer investir?”.
Para tanto, é preciso investir na formação dos engenheiros. Segundo Adas, o futuro dos cursos de engenharia não será com currículo segmentado, mas fruto da interação com diversas áreas como elétrica, mecânica e mecatrônica – como algumas universidades no exterior já fazem: “Ficamos surpresos de ver veiculo europeu autônomo, mas a Universidade Federal de São Paulo na cidade de São Carlos já desenvolve seus próprios modelos”.
Por causa da crise no setor automotivo brasileiro dos últimos anos, algumas montadoras extinguiram seus centros de pesquisa e desenvolvimento. Para Adas, estes ciclos de alta e baixa são próprios do mercado. Nesse caso, as empresas poderiam enviar seus profissionais para um intercâmbio em suas filiais no exterior para troca de conhecimento.
Carros premium ocupam vanguarda tecnológica
As novas tecnologias são, em sua maioria, testadas em veículos premium. Durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira, João Oliveira, diretor comercial da Volvo Cars Brasil, e Henrique Miranda, executivo da BMW no Brasil, falaram que o futuro dos veículos passam pelas tecnologias desenvolvidas por essas empresas.
A Volvo Cars, Oliveira afirmou, mantém um programa que visa a acabar com as mortes e diminuir o número de feridos gravemente em seus carros até 2020: “Para isso estamos desenvolvendo muitas tecnologias de veículos autônomos. Em 2018 cem carros desse tipo rodarão na Suécia, em testes, que serão realizados com famílias. Dados mostram que 90% dos acidentes automobilísticos são causados pelo homem e, se conseguirmos reduzir essa intervenção humana, poderemos chegar à nossa meta”.
A Volvo, contou Oliveira, também tem como meta aumentar o uso de motores híbridos e elétricos em seus carros: “Nosso plano é produzir, a partir de 2019, somente carros mais limpos. Não estamos mais preocupados somente em desenvolver o produto e, sim, no impacto social que os automóveis têm sobre as pessoas. E, aí, estamos falando sobre eficiência energética e sobre carros autônomos”.
Essa também é a tônica nos centros de desenvolvimento da BMW. Henrique Miranda disse que os BMW já contam com SIN cards, que conectam o veículo a uma central: “Conseguimos acabar com a revisão programada. Temos acesso a todos os dados do veículo e sabemos quando, e o que, precisa de manutenção. É algo importante porque o concessionário se prepara para receber aquele cliente, o que dá mais confiabilidade ao serviço”.
Com o SIN card conecta-se, também, o carro à residência, contou Miranda: “Levamos a casa do cliente para dentro do seu carro e temos todas as informações necessárias arquivadas na nuvem. Acreditamos que o futuro da indústria passa pela eletrificação e pelo compartilhamento de veículos. E essa é uma grande oportunidade para as fabricantes de veículos premium, de atrair aquele cliente que não pensa em ter um automóvel, mas quer se ligar às empresas que pensam como ele: preocupadas com o meio ambiente e a mobilidade urbana”.
Mercedes-Benz quer crescer em serviços
A Mercedes-Benz tem planos para crescer no segmento de serviços para caminhões como forma de buscar espaço em outras áreas enquanto as vendas de veículos seguem a passos lentos no País. Um dos caminhos escolhidos foi expandir o modelo de oficina dedicada, aquele no qual a empresa mantém alguma estrutura nos domínios do cliente. Outra alternativa é um plano de modernização do atendimento nas concessionárias.
O diretor de vendas para caminhões, Robert Leoncini, disse que trabalha já há algum tempo na adoção de um processo que traga mais receitas ao segmento de serviços da M-B. Com o declínio das vendas de caminhões, principalmente nos últimos dois anos, o que era um projeto tornou-se demanda urgente: “Afora o plano de investir na diversificação há, também, uma frota circulante importante que precisa de atendimento de alto desempenho. Precisamos atrair o caminhoneiro para um lugar onde a manutenção seja rápida e com preços competitivos”.
Um serviço que possui importante valor agregado, e que traz previsibilidade do ponto de vista de receita para a M-B, são as oficinas dedicadas, uma oferta que não é novidade no mercado mas que tem recebido atenção especial por parte da companhia. Clientes considerados chave, e que atuam em áreas ligadas à infraestrutura, por exemplo, investiram recentemente em formas de trazer para perto as células de manutenção.
Jaqueline Neves, gerente de serviços ao cliente e concessionários, contou que a demanda destes clientes não é apenas ganhar tempo na reposição de componentes, mas ter acesso a profissionais que possam auxiliar na gestão da manutenção: “Clientes envolvidos em grandes operações, como é o caso de construtoras e mineradoras, investiram mais neste tipo de serviço, e nós queremos leva para outros segmentos, como o de logística”.
Já o modelo de oficina, que a empresa trata de levar ao mercado com o nome de oficina de alta performance 2.0, é uma parceria com a rede de concessionários para que os processos de gestão da manutenção dos clientes sejam mais precisos e padronizados do que o modelo atual. O concessionário recebe treinamento da M-B e, então, passa a seguir novos protocolos de atendimento.
Desde a sua adoção, em meados do ano passado, disse a gerente, esse tipo de oficina já é realidade em mais de 50% da rede, e que os atendimentos aumentaram nas lojas: “Até agora foram mais de 370 mil atendimentos, o que significa 120 mil veículos. São clientes que optaram por um atendimento mais profissional”.
A Mercedes-Benz tem 180 pontos de atendimento no País, com 3,1 mil funcionários.
Crédito da foto: Divulgação
Ford cria joint-venture para fabricar elétricos na China
A Ford anunciou na terça-feira, 22, a assinatura de memorando de entendimento com a Anhui Zotye Automobile, grande fabricante de veículos elétricos na China. O objetivo é a criação de joint-venture para o desenvolvimento, produção, venda e manutenção de uma nova linha de veículos elétricos de passageiros no mercado chinês.
Segundo a Ford essa parceria, com participação igualitária, está alinhada à sua visão de oferecer veículos elétricos eficientes e acessíveis para os consumidores e de contribuir para a sustentabilidade ambiental.
Peter Fleet, presidente da Ford Ásia Pacífico, disse em comunicado que veículos elétricos terão participação importante na China no futuro: “Poder lançar uma nova linha de veículos totalmente elétricos no maior mercado automotivo do mundo é um passo empolgante para a Ford na China. Queremos ser líder em novas soluções nesse segmento”.
A China é o mercado de veículos com energias alternativas que mais cresce no mundo. A expectativa da Ford é a de que chegue a 6 milhões de unidades por ano em 2025, sendo cerca de 4 milhões totalmente elétricos.
A Zotye Auto foi uma das primeiras a produzir veículos de passageiros totalmente elétricos na China, mercado que lidera no segmento de compactos. Até julho a empresa já vendeu mais de 16 mil veículos elétricos, que representam crescimento de 56% sobre o ano passado.
Os futuros veículos da joint-venture serão vendidos sob uma nova marca local. Informações adicionais sobre produtos e volumes de produção serão anunciados após a aprovação do acordo definitivo.
Jin ZheYong, presidente da Anhui Zotye Automobile, disse que “a parceria com a Ford fortalece ambas as partes para que possamos ter participação importante no crescente mercado de veículos elétricos na China”.
A Zotye tem sua sede em Huangshan, província de Anhui.
A Ford, que planeja lançar globalmente treze novos veículos elétricos nos próximos cinco anos, com investimento de US$ 4,5 bilhões, anunciou sua estratégia de eletrificação na China: até 2025 70% dos seus veículos vendidos no país terão uma opção elétrica.
A nova joint-venture será um grande avanço nas iniciativas de eletrificação da Ford e ampliará a sua presença na China, onde já mantém as joint-ventures Changan Ford e Jiangling Motors Corporation.
Onde estão as menores taxas do mercado?
As taxas de juros nos financiamentos de veículos oferecidos pelos bancos das montadoras são menores do que as de bancos de varejo, de acordo com dados do Banco Central. Na primeira semana de agosto, por exemplo, a menor taxa era praticada pela BMW Financeira, com 12,33% ao ano, e a menor taxa de um banco de varejo era quase o dobro, 20,46% ao ano, oferecida pela Alfa Financeira. Depois dos da BMW Financeira os juros mais baixos praticados no mercado são 12,68% ao ano do banco da Mercedes-Benz e 13,15% ao ano do Banco PSA.
A diferença nas taxas de juros ocorre porque os bancos das montadoras têm interesse estratégico alinhado com suas empresas, para incentivar as vendas e diminuir os seus estoques nos pátios, de acordo com Marcelo Prata, fundador da plataforma Canal do Crédito: “Os bancos das montadoras são focados nos financiamentos de veículos enquanto os de varejo atendem clientes dos mais variados perfis para diferentes produtos. Por esse motivo seu risco é maior e, consequentemente, a taxa de juros é mais alta. É como se os bancos das montadoras se autofinanciassem e, por esse motivo, podem praticar taxas de juros mais agressivas”.
Segundo ele as taxas de juros dos bancos de montadoras costumam ser menores, mas a disparidade com os bancos tradicionais diminui quando o mercado está aquecido e as vendas em alta.
Concessão de crédito – Com a recuperação nas vendas de veículos o volume na concessão de crédito deve aumentar este ano, de acordo com a Anef, Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras. A entidade revisou para cima sua projeção do total de liberação de recursos para financiamentos em 2017, com alta de 10,2% contra a estimativa de 5,5% do início do ano. A entidade calcula que serão liberados R$ 90,6 bilhões em novos contratos em 2017 contra R$ 82,2 bilhões em 2016.
Segundo Luiz Montenegro, presidente da Anef, o aumento na projeção se deve à combinação de fatores econômicos como a queda na Selic, a inflação sob controle, a estabilização da taxa de desemprego e a projeção de crescimento do PIB para 2018:
“A estabilidade econômica provoca aumento da confiança do consumidor, o que, aliado à demanda reprimida, deverá aumentar a venda de veículos no segundo semestre. Mas será uma retomada lenta e gradual no setor automotivo”.
Só no primeiro semestre deste ano os bancos de montadoras e de varejo liberaram R$ 45,8 bilhões, o que representa alta de 18,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, R$ 38,6 bilhões.
Novos veículos puxarão negócios da ABB no País
O ciclo de lançamentos de veículos no País, que deve se intensificar a partir de 2018 com a chegada de novas famílias de compactos e modelos inéditos de SUVs, é visto pela fabricante de robôs ABB como a oportunidade de expandir suas vendas na região, diversificar a oferta na área de serviços e aumentar o número de máquinas conectadas dentro dos clientes que dão os primeiros passos no universo da indústria 4.0.
A companhia, que segundo seus cálculos possui, no mercado brasileiro, 5 mil robôs em atividade com a sua logomarca – dentre os quais 70% estão dentro do setor automotivo –, afirmou que historicamente os períodos de lançamentos são marcados por volumes maiores de vendas de robôs. As novas linhas trazem a reboque equipamentos mais avançados para a montagem das carrocerias dos veículos, e este panorama é favorável aos negócios da ABB no Brasil.
Para seu gerente da divisão de serviços, Cássio Scarpi, ainda que o mercado esteja retomando o ritmo de vendas internamente, o que em tese refletiria no desempenho da empresa, muitos dos clientes hoje trabalham na finalização de projetos que envolvem mais automação nas fábricas: “Muita coisa está sendo feita neste momento, mesmo que o mercado esteja longe dos volumes de vendas de 2013. Chegarão novos produtos e, com eles, linhas mais modernas. Já temos diversos pedidos fechados com montadoras instaladas daqui”.
Levantamento feito pela consultoria IHS, especializada no setor automotivo, indicou onze lançamentos para 2018 utilizando como base a análise do ciclo de desenvolvimento das montadoras nos últimos anos. São esperadas novidades na BMW, Chery, Mercedes-Benz, Hyundai, Mitsubishi, PSA, Renault Nissan, Jaguar Land Rover, Toyota e Volkswagen.
Scarpi afirmou que as conversas com fabricantes e sistemistas se encontram em ritmo avançado no que diz respeito aos novos projetos de linhas de montagem: “Excluindo a FCA, que tem como fornecedor de equipamento de automação uma empresa do próprio grupo, os demais fabricantes são clientes globais que estão otimistas sobre os próximos anos a ponto de se prepararem para um aumento da demanda”.
O executivo disse, também, que afora a renovação do ciclo de alguns veículos a chegada de novos equipamentos servirá para aumentar o índice de automação da indústria brasileira: “O gosto do consumidor brasileiro demanda veículos com mais tecnologia, da estrutura ao acabamento, e as fabricantes estão buscando mercados mais exigentes nas exportações. A reformulação das linhas inaugura um novo período para o setor automotivo no caminho da conectividade”.
A ABB, ex-Asea Brown Boveri, neste sentido, planeja dobrar o número de robôs conectados no Brasil – aqueles que trocam ideias nas linhas de montagem –, chegando a cem unidades até o fim do ano.
Dados de pesquisa divulgada durante o Fórum Econômico Mundial, em janeiro, indicam que o Brasil está na 81ª posição em ranking de competitividade que conta com 138 países. Enquanto o nosso parque industrial conta com dez robôs para cada 10 mil funcionários a Coreia do Sul, líder do índice, soma 478. O governo, na semana passada, deu indícios de que pavimenta o caminho para a chegada de mais equipamentos de automação no País, ao anunciar que zerou a alíquota para a importação destes itens e outros ligados ao setor de autopeças.
Remanufatura – A ABB, que importa os robôs vendidos aqui, possui cinco unidades no País: uma em Blumenau, SC, um centro de distribuição e uma fábrica de motores e equipamentos de baixa tensão para o setor elétrico em Sorocaba, SP, um centro de distribuição e uma fábrica em Guarulhos, SP. Nesse último funciona linha de produção de equipamentos para o setor elétrico, centro de desenvolvimento em robótica e, nos últimos meses, uma área de remanufatura de robôs. A nova célula faz parte de um processo de diversificação da oferta da empresa em serviços:
“Percebemos que muitos setores que estão começando a se automatizar compraram equipamentos usados, e também há clientes tradicionais que decidiram apostar na manutenção dos seus robôs em vez de comprar equipamentos novos. É um mercado pouco explorado no Brasil”.
O centro de remanufatura é o primeiro da empresa na América Latina e tem capacidade para reparar trezentos componentes por ano. Sua concepção foi espelhada na unidade que a ABB possui na República Tcheca, em Ostrava. O equipamento que passa pelo processo, segundo Scarpi, chega a custar de 60% a 70% do valor de um novo.