Bosch projeta alta demanda por conectividade

A Bosch projetou crescimento de 25% no volume de veículos conectados até 2025, chegando a 250 milhões de carros em circulação no mundo todo. O cenário traçado estimulou a companhia a investir na oferta de serviços ligados à conectividade. O mais recente esforço foi a construção de um centro de armazenamento de dados, ou datacenter, na cidade de Bremen, na Alemanha.

 

Segundo Besaliel Botelho (foto), presidente da Bosch do Brasil, serão reunidos nos servidores do local os dados gerados pelos veículos conectados que possuem os sensores da empresa: “O investimento foi de € 1 bilhão no local e mostra como a empresa está se preparando para atender uma demanda que será importante no futuro”. O executivo disse também, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafio da Indústria Automotiva Brasileira, que a estratégia faz parte de um novo pacote de serviços ligados à internet com lançamento esperado para 2018.

 

O serviço citado é o Bosch Automotive Cloud Suite, anunciado em março deste ano. Em linhas gerais, é uma plataforma de software por meio da qual os clientes desenvolvam serviços de mobilidade, seja diagnóstico preditivo ou estacionamento on-line. A oferta da Bosch é fruto de uma parceria com a TomTom e também com os provedores chineses AutoNavi, Baidu e NavInfo.

 

Botelho justifica os esforços da companhia na área de serviços de tecnologia com o atual rumo que a arquitetura dos veículos esta tomando, principalmente após a popularização de motores menores e mais eficientes: “Um motor elétrico tem 200 partes. A combustão, mais de mil. Existe uma transformação total do powertrain no que diz respeito à cadeia de fornecedores. A transformação vai acontecer, as montadoras e os sistemistas estão atentos a isso, e no futuro haverá uma combinação nas tecnologias destes dois lados do setor”. De acordo com balanço da companhia do ano passado, as vendas na área de soluções de mobilidade cresceram 7% na comparação com as vendas de 2015.

 

Crédito da foto: Mauricio de Paiva

General Motors conecta 200 mil carros na América Latina

A General Motors atingiu a marca de 200 mil veículos conectados na América Latina por meio do sistema OnStar, a maioria deles no modelo Chevrolet Onix, disse Péricles Mosca, diretor de OnStar e Maven da GM, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira.

 

O OnStar surgiu há 20 anos nos Estados Unidos e tem em todo o mundo sete milhões de usuários. No Brasil foi lançado em setembro de 2015 no modelo sedã Cruze. Entram na contabilidade da empresa carros equipados com sistemas de entretenimento e navegação de fábrica. O volume de veículos pode aumentar na região em função das vendas do Onix no Brasil, o mais vendido do País até julho com 98 mil 469 unidades. Outros fatores que podem contribuir são o desempenho das vendas da versão Activ nos países vizinhos e a parceria anunciada recentemente com o aplicativo Waze.

 

O sistema da General Motors havia atingido a marca de 130 mil em adesões, em março, desde o seu lançamento no Brasil. O sistema oferece conexão do usuário com o veículo tendo as funções de navegação, monitoramento remoto e uma central de atendimento que dá suporte em emergências, na busca de informações úteis e na localização do carro.

 

O executivo chegou há dois anos na GM com a responsabilidade de expandir a operação da plataforma de conectividade OnStar e o serviço de aluguel e compartilhamento de veículos Maven no Brasil. Este último está em funcionamento aqui apenas nas três fábricas da GM instaladas no Rio Grande do Sul e em São Paulo, restrito ao uso dos funcionários. Não há previsão, segundo Mosca, de estar disponível para fora dos portões da montadora.

 

Nos Estados Unidos, no entanto, detém uma fatia de 9% do concorrido mercado de compartilhamento de veículos. A plataforma Maven tem mais de 35 mil usuários em 13 cidades daquele país e iniciou operação em Nova York em maio deste ano.

 

Crédito da foto: Mauricio de Paiva

Aprovada compra da NXP pela Qualcomm

Foi aprovada nos Estados Unidos a compra da empresa de semicondutores NXP pela Qualcomm no valor de US$ 38 bilhões. Com o negócio a Qualcomm aumentará sua participação no segmento automotivo – a NXP tem onze montadoras como clientes e dez sistemistas – e, globalmente, passa a concentrar mais seus esforços no segmento de conectividade de veículos.

 

Há três anos, quando foi criada, a divisão de negócios para a indústria automobilística da Qualcomm estava abaixo das demais em termos de faturamento. À época, com o mercado de smartphones em alta, o segmento de chips para dispositivos móveis era o que mais gerava receita – a empresa é a principal fornecedora do componente para o iPhone, da Apple. Hoje, o setor automotivo é a terceira área de atuação da companhia e se prepara para ser, com o aumento da demanda por conectividade nos veículos, a principal.

 

De acordo com Marcos Lacerda, vice-presidente da Qualcomm no Brasil, o negócio vai aumentar o número de funcionários da empresa no mundo todo. O quadro saltará dos atuais 30 mil para 70 mil com os funcionários da NXP: “Atualmente está sendo estruturada a nova composição de executivos com a chegada de novos diretores, é cedo para dimensionarmos os impactos da aquisição no Brasil”.

 

O que se sabe, disse Lacerda na segunda-feira, 21, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Brasileira, é que a Qualcomm manterá a marca NXP nos chips vendidos a partir do momento em que for finalizado o processo de integração das duas empresas, que deverá ser finalizado até 2019.

 

Afora a participação em clientes importantes com a aquisição, o negócio vai imprimir uma nova dinâmica à gestão da Qualcomm. Conhecida no mercado como a única empresa de semicondutores do mundo que não tinha fábricas, agora a empresa passa a contar com unidades de produção nos seus ativos. São 33 unidades de produção no mundo todo.

 

No Brasil, a NXP produz componentes na área de conectividade desde 1997 na cidade de Campinas, SP. A unidade também funciona como centro comercial da empresa na América do Sul. A atuação no País, no entanto, começou em 1967 por meio de uma operação local da Motorola.

 

O setor automotivo é o segundo maior mercado de atuação da NXP. No segundo trimestre deste ano, o desempenho com a venda de chips para este mercado foi recorde e atingiu US$ 938 milhões, um aumento de 9% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados do último balanço divulgado pela empresa, que é listada na bolsa de valores de tecnologia Nasdaq.

A NXP tem em carteira a Audi, BMW, Daimler, Ford, GM, Honda, Hyundai, Renault Nissan, Tesla, Toyota e Volkswagen. Nas sistemistas, Autoliv, Bosch, Brose, Continental, Delphi, Denso, Fujitsu, TRW, Valeo e Visteon.

 

Crédito da foto: Mauricio de Paiva

Vendas caminham para o melhor mês desde dezembro de 2015

Até sexta-feira, 18, foram emplacados em agosto 113,3 mil unidades de veículos no País, de acordo com dados do Renavam, Registro Nacional de Veículos Automotores, apresentados à AutoData por uma fonte do mercado. Caso mantenha este ritmo nos próximos nove dias úteis até o fechamento do mês de agosto, no dia 31, os emplacamentos chegarão a 207 mil unidades, o melhor desempenho desde dezembro de 2015. O volume envolve também os emplacamentos de caminhões e ônibus.

 

De 2015 pra cá, o mês em que mais houve licenciamentos foi dezembro do ano passado, quando foram registrados 204 mil 329 emplacamentos. Apesar de mostrar uma recuperação das vendas no mercado nacional – que vinha abaixo da casa dos 200 mil desde então –, o volume segue distante do patamar observado no ano de 2013, quando os licenciamentos mensais superavam as 300 mil unidades.

 

De janeiro a julho deste ano foram emplacados 1 milhão 204 mil 260 veículos no País, a uma média diária de pouco menos de nove mil veículos, apontaram dados da Anfavea divulgados no início deste mês. A quantidade de licenciamentos foi 3,4% maior do que a verificada no mesmo período em 2016. Para a entidade, o desempenho traduz a confirmação da retomada das vendas de automóveis e diminuição das perdas no segmento de caminhões.

 

Ao contrário do anunciado para produção e exportações, a Anfavea ainda não reviu projeções de vendas internas para o ano. A entidade manteve em julho, em seu último balanço do setor, a expectativa de crescimento de 4% no mercado brasileiro. Segundo o presidente da Anfavea, Antonio Megale, a entidade ainda não tem confiança para alterar os cálculos. Para ele, o crescimento no semestre está ainda abaixo do projetado para o ano.

Isenta a importação de robôs industriais

O governo publicou um decreto que zera o Imposto de Importação, II, para máquinas e equipamentos industriais sem produção no Brasil. A medida, publicada nesta quinta-feira, 17 foi proposta pela Camex, Câmara de Comércio Exterior, e beneficiará quase cinco mil produtos. Os 4 mil 903 itens importados que anteriormente estavam com alíquota de 2%, estão robôs industriais para indústria automotiva e motores marítimos a diesel.

 

A medida cria um cenário favorável à aquisição destes equipamentos que são aplicados em linhas de montagem das fabricantes de veículos. Os processos descritos no texto da medida incluem robôs para estampagem e punção de portas, capô e tampas traseiras. Para Armando Carvalho, diretor de compras da FCA, zerar o imposto incentiva a indústria a investir na modernização de suas linhas: “São equipamentos importados que têm um alto valor agregado no processo de produção de uma carroceria. Assim, a medida representa um horizonte favorável para aumentar a automação e qualidade dos veículos produzidos aqui”.

 

Segundo dados de uma pesquisa divulgada durante o Fórum Econômico Mundial, em janeiro deste ano, indicam que o Brasil está na 81ª posição em um ranking de competitividade que conta com 138 países. Enquanto o nosso parque industrial conta com 10 robôs para cada 10 mil funcionários, a Coreia do Sul, líder do índice, soma 478.

 

Zerar a tributação desses equipamentos pavimenta o caminho das montadoras para a fabricação de novos veículos no País, disse Cassio Scarpi, gerente da área de serviços do departamento de robótica da ABB, empresa que já instalou no País 5 mil robôs, 70% deles em companhias do setor automotivo:

 

“A maioria dos lançamentos que estão sendo feitos demandou das fabricantes a aquisição de robôs novos. Esperamos para 2018 mais anúncios de veículos nacionais, e a medida de zerar o imposto de importação acelera o processo de instalação aqui”. A ABB mantém no Brasil áreas de desenvolvimento e manutenção em robótica e importa seus robôs das fábricas instaladas na Europa.

 

A proposta foi apresentada pelo titular do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, MDIC, na última reunião da Camex, no dia 15 de agosto, e foi aprovada por unanimidade pelo conselho de ministros. Ela passa a valer a partir desta quinta-feira com a publicação da resolução no Diário Oficial da União. Do total de 4 mil 903 itens, 4 mil 552 referem-se à bens de capital e 351 são bens de informática e telecomunicações. A nova regra vale apenas para as máquinas e equipamentos que não tiverem sido internalizados. As novas listas de produtos isentos do imposto de importação já virão com a alíquota reduzida de 2% para 0%.

 

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Iveco aposta no crescimento de uso do câmbio automatizado

A Iveco, do Grupo CNH Industrial, projetou o crescimento de modelos semipesados equipados com câmbios automatizados no mercado brasileiro, e acredita que em dois anos 80% da frota de veículos novos do País tenham este tipo de câmbio. Em 2014 a fatia era de 3%, e aumentou ao longo do tempo em função da demanda por veículos com baixo consumo de combustível. Alinhada com a projeção a empresa estima que metade de suas vendas internas de semipesados corresponda a unidades dotadas de câmbios automatizados.

 

O cenário vislumbrado pela empresa incidirá nos negócios focados no segmento. Na visão da Iveco o horizonte é o de que o crescimento das vendas de caminhões automatizados exigirá estratégia comercial que leve em consideração treinamentos aos motoristas e, mais desafiador, a massificação dessa linha de veículo. Para Ricardo Barion, diretor de marketing para América Latina, assim como ocorre nos Estados Unidos os motoristas brasileiros têm preferência por câmbios manuais:

 

“Já os frotistas, por uma série de razões ligadas à redução de custo e à eficiência operacional, darão cada vez mais preferência à composição de suas frotas com veículos automatizados. Da nossa parte isso exigirá um esforço intenso em treinamento de motoristas por meio da rede de concessionários, para que eles conheçam o produto”.

 

Para Darwin Viegas, diretor de desenvolvimento de veículos comerciais da CNH Industrial para América Latina, os semipesados têm sido cada vez mais utilizados em aplicações que demandam veículos dotados de mais recursos no powertrain, algo que no passado aconteceu no segmento de pesados: “Operações como as de coleta de resíduos e de distribuição de varejistas exigem, hoje, basicamente redução de consumo de combustível em função da alta do preço e queda dos fretes. E quem proporcionará isso são recursos como troca inteligente de marchas e retomada de potência em baixa rotação”.

 

A empresa nutre há algum tempo a ideia de expandir a aplicação do câmbio automatizado também para sua linha de veículos leves, outro segmento no qual os clientes estão mais atentos com relação ao custo operacional. A crise nas vendas de veículos, que se intensificou no País nos últimos anos, no entanto, engavetou o projeto que, em linhas gerais, daria à luz a van Daily com câmbio automatizado, contou Marco Borba, vice-presidente da Iveco para a América Latina: “Estamos acompanhando a retomada do mercado nesse sentido. Por ora a ideia é a de que nosso mix, no ano que vem, seja composto por 70% de veículos com câmbio automatizado”.

 

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O que um câmbio automatizado pode fazer pelos Iveco Tector

O desempenho das exportações do caminhão semipesado Tector aos mercados da América Latina provocou a Iveco a traçar projeto mais agressivo para ampliar sua participação de vendas na região. O plano de expansão gira em torno da versão equipada com câmbio automatizado, lançada na terça-feira, 15, em Sete Lagoas, MG.

 

O veículo já está sendo produzido na planta local e chegará aos concessionários em duas semanas. Ele se junta à versão manual na gama de semipesados da empresa, a qual foi responsável pelo aumento das exportações no ano passado, como disse o vice-presidente Marco Borba: “Acreditamos que a versão automatizada poderá nos ajudar a crescer nesses mercados e, mais importante, abrir espaço em outros novos”.

 

A Iveco declarou que foram exportados, no primeiro semestre, 1,7 mil caminhões, alta de 144% na comparação com o volume exportado no mesmo período do ano passado. Borba reconheceu que o crescimento expressivo se deu por causa de base baixa de exportações, mas destacou que pode aumentar em função de demandas verificadas nos principais mercados da Iveco fora do Brasil: Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai.

 

Na Argentina, onde a empresa mantém fábrica em Córdoba, o segmento de 16 toneladas – no qual atua uma versão do Tector 4×2 – é um dos que mais crescem, de acordo com dados da empresa, que lá vendeu, no ano passado, 2 mil 341 unidades de semipesados. Só no primeiro semestre deste ano o volume foi maior, 4 mil 133 unidades, e isso animou as projeções de vendas da nova versão.

 

O Tector dotado de câmbio automatizado também será produzido na Argentina com as mesmas configurações do veículo brasileiro, assim como versão pesada do modelo exclusiva para o país. A decisão de manter a produção do modelo em ambos os países, disse Borba, aconteceu por causa de questões ligadas às políticas de cada país sobre conteúdo nacional e sua relação com programas de financiamento: “Isso ocorre por causa das exigências do Finame sobre conteúdo local. Na Argentina ocorre o mesmo, de forma que no caso do Tector manteremos a produção do modelo em ambos os países”.

 

Em Córdoba está a produção dos veículos pesados acima de 16 toneladas, e ao Brasil foi reservada a produção de todo portfólio, que inclui a linha leve na plataforma da van Daily, os veículos pesados, tanto a família do Tector quanto a do pesado Hi-Way, e os ônibus.

 

Tanto o Tector nacional quanto o produzido na Argentina são equipados com caixa de câmbio automatizada da Eaton, fabricada em Valinhos, SP, que exportará o componente para a Iveco Argentina. O motor é fornecido pela FPT, que integra o grupo por meio da CNH Industrial.

 

O Tector é produzido em Sete Lagoas, tem 300 cv de potência e atende à norma Euro 5 de emissões.

 

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Consórcios caem no gosto do cliente

As vendas de novas cotas para consórcio de veículos, que inclui carros, caminhões, motos e máquinas agrícolas, aumentaram 7,4% no primeiro semestre deste ano com relação ao mesmo período do ano passado. O número de novos consorciados cresceu de 896,6 mil para 963,2 mil. Como consequência, o volume de créditos comercializados pulou 21,5%, de R$ 23,5 bilhões para R$ 28,5 bilhões. Os dados foram divulgados pela ABAC.

 

As baixas taxas oferecidas pelo consórcio são um dos motivos que impulsionaram esse crescimento, acredita Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da entidade:

 

“Quanto maior o prazo do consórcio mais baixa será a prestação. A taxa de administração também é menor do que o financiamento em função do prazo. Há grupos de consórcios de automóveis com prazo de oitenta meses, de motos com 72 meses e de caminhões com cem meses”.

 

Outro motivo, disse Rossi, é que o consumidor está controlando seu orçamento por causa da crise econômica, substituindo o imediatismo do consumo pelo planejamento financeiro, que é a essência do consórcio.

 

O número de contemplações diminuiu 10,6% no primeiro semestre na comparação com o mesmo período do ano passado, caindo de 627 mil para 560,4 mil. Consequentemente o volume de crédito disponibilizado diminuiu 5,1%, passando de R$ 16 bilhões 530 milhões para R$ 15 bilhões 680 milhões.

“O consorciado tem acesso ao crédito por sorteio ou por lance. Por causa da crise o consorciado não quer usar reserva financeira para fazer seu lance, o que influencia as contemplações e o volume de crédito ofertado.”

 

Leves e pesados – O número de novos consorciados para veículos leves cresceu 20,5% no primeiro semestre na comparação com igual período do ano anterior, pulando de 428,8 mil para 516,6 mil. No primeiro semestre o volume de créditos subiu 26,7%, de R$ 16 bilhões 98º milhões para R$ 21 bilhões 510 milhões.

 

O número de novos consorciados para veículos pesados também aumentou, 10,4%, no semestre, passando de 21 mil 30 para 23 mil 450 mil. O volume de créditos comercializados cresceu 12,3%, de R$ 3 bilhões 460 milhões para R$ 3 bilhões 8 milhões.

 

Com o fim do Finame, observou o presidente da Abac, o consórcio se tornou uma opção para ampliar ou renovar a frota de caminhões e máquinas agrícolas: “O consórcio é visto como uma forma de investimento, pois o bem será retirado depois de um prazo”.

 

O segmento de veículos representa a maior fatia do total de consórcios, que também inclui imóveis e eletrônicos. Do total de 6 milhões 930 mil de consorciados 6 milhões 6 mil são de veículos, o que corresponde a 87,4%.

Seminovos rendem R$ 2,5 bilhões às locadoras

Localiza, Movida e Unidas, principais nomes do segmento de locação de veículos no País, movimentaram R$ 2 bilhões 559 milhões 2 mil com vendas de automóveis seminovos no primeiro semestre, uma vertente de seus negócios que há muito supera as receitas com alugueis. Os balanços das companhias, referentes aos primeiros seis meses do ano, apontaram crescimento positivo nos desempenhos de cada uma no período.

 

A Localiza terminou o semestre com frota de 151 mil 750 carros em operação no País. Afora o tamanho do seu ativo a empresa despontou como líder do mercado em termos de ganhos com as vendas de veículos com mais de três anos de uso, que renderam R$ 1 bilhão 526 milhões 3 mil aos seus cofres da companhia – valor que é 16,6% maior do que o obtido no primeiro semestre do ano passado.

 

Os alugueis renderam valor inferior no mesmo período: R$ 1 bilhão 159 milhões 1 mil.

A empresa, que expandiu sua estrutura no mercado brasileiro a partir da compra da concorrente Hertz, no fim do ano passado, fechou o semestre com lucro líquido de R$ 249,5 milhões, o maior verificado no segmento de venda de seminovos e locação. O desempenho chamou a atenção até de uma empresa de gestão de ativos dos Estados Unidos, a BlackRock, que adquiriu 5,16% das ações ordinárias da Localiza na quinta-feira, 10.

 

A receita da Movida com a venda de seminovos chegou a R$ 719 milhões no primeiro semestre, crescimento de 45,3% na comparação com o primeiro semestre do ano passado – e os ganhos com locação atingiram R$ 486,5 milhões.

 

Já as vendas de seminovos da concorrente Unidas totalizaram R$ 413,8 milhões, crescimento idêntico ao da Movida no período, 45,3%, e a locação rendeu R$ 357 milhões. Para aumentar sua participação no segmento de seminovos a Unidas lançou, no mês passado, modelo de venda baseado nos feirões, com a abertura de espaço de vendas de carros usados em São Paulo e que poderá ser replicado pelo Estado por meio de franquias.

 

O desempenho das locadoras refletiu nas vendas diretas das montadoras no semestre e ajudou o setor a demonstrar recuperação nas vendas internas. Dados divulgados pela Fenabrave mostram que as vendas diretas de automóveis de passeio e utilitários leves crescem, este ano, mais de 27%, ao passo que, no varejo, maior canal de vendas das montadoras, o consumo recua 8,5% sob a influência negativa do avanço do desemprego.

 

Do total de veículos emplacados no período 23% foram vendidos de maneira direta. Ou seja: 194 mil 99 unidades foram vendidas diretamente às empresas.

 

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Movida aluga carro de luxo para pessoa física

A Movida anunciou a aquisição da Fleet Services, companhia especializada em locação corporativa, por R$ 22 milhões. Com o negócio a Movida quer explorar nicho que mostrou demanda crescente: aluguel de veículos de luxo para pessoas físicas.

De acordo com Renato Franklin, o seu presidente, em abril a Movida inaugurou o serviço de leasing operacional, o Movida Flex, e ao longo dos meses a empresa percebeu clientes buscando veículos de luxo no modelo leasing: “O serviço Flex contava com uma frota de veículos populares, e vimos que havia demanda para a oferta de carros premium”.

A efetivação da compra está condicionada à aprovação em assembleia geral extraordinária da companhia, que tem capital aberto, e pelo Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. O executivo disse que a expectativa é a de que o processo de aprovação se encerre até o fim de setembro.

A Fleet Services era marca pertencente à BVHD Locação de Veículos e Serviços, e agregará à frota da Movida 153 carros das marcas Audi, BMW, Jaguar Land Rover, Mini e Porsche. Para Franklin a compra representa, também, oportunidade de a empresa diversificar a oferta de veículos de outras marcas: “Já trabalhamos com veículos da Mercedes-Benz em ofertas corporativas. Com a compra da Fleet nos aproximamos de outras marcas”.

O executivo disse ainda que a aquisição dará mais escala para os serviços prestados a grandes empresas, que recorrem à locadora em busca de veículos para viagens corporativas: “O mercado de locação no Brasil ainda é muito imaturo, mas apresenta um potencial enorme, sobretudo no segmento corporativo. Empresas passaram a investir em locação, reduzindo frotas próprias”.

Disse, também, que atualmente menos de 1% da frota nacional é de veículos para locação.

No segundo trimestre a Movida registrou recorde no número de diárias de aluguel, atingindo 2,7 milhões, aumento de 42,3% com relação ao mesmo período do ano passado devido à captura da demanda progressiva no setor.

As concorrentes Localiza e Unidas também possuem serviços no segmento premium,o Localiza Prime e o Unidas Bestfleet.