Ainda que atualmente o terreno da Mercedes-Benz em Iracemápolis, no Interior de São Paulo, a cerca de 200 quilômetros da Capital, não observe sequer um pilar erguido, a empresa pretende correr contra o tempo e iniciar a produção em série – ou seja, de veículos que efetivamente irão para as concessionárias aguardar compradores – na nova unidade em exatamente um ano, fevereiro de 2016.
O cronograma foi revelado por Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, após cerimônia de assentamento de pedra fundamental da unidade, realizada no fim da manhã da quinta-feira, 5, no terreno que atualmente está no estágio quase completo de terraplenagem.
“As primeiras unidades prontas para distribuição à rede sairão de Iracemápolis em fevereiro do ano que vem e, portanto, iniciaremos a produção pré-série ainda nos últimos meses deste ano.”
A produção começa com o Classe C e seis meses depois, ou agosto de 2016, entra o GLA.
A fábrica terá três áreas principais: montagem bruta, pintura e montagem final – está descartada, assim, estamparia em Iracemápolis ao menos em sua primeira fase. Para o executivo “o volume de produção, de 20 mil unidades ao ano, não justifica o investimento”. As partes estampadas de maior tamanho virão importadas da Alemanha, porém a pintura estará operando desde o início das atividades, ele assegurou. Garantiu também que “não se trata de processo CKD”.
Quanto aos fornecedores locais ficou evidente durante o evento certa contradição: enquanto o prefeito revelou, em discurso, construção de parque destinado a estas empresas na frente da enorme área da Mercedes-Benz, do outro lado da rodovia, Schiemer argumentou que a escolha pelo Estado de São Paulo se deu justamente pela quantidade de fornecedores já instalados na região e que assim, portanto, não há necessidade de um grande número de empresas de autopeças no entorno da fábrica, “apenas aquelas fundamentais, mais ligadas aos processos de logística”.
Mas é certo que uma empresa terceirizada cuidará do processo de montagem dos motores, que virão importados – a M-B não quis pormenorizar como funcionará exatamente esta etapa produtiva e se componentes locais serão agregados no powertrain. Ainda sobre os motores estes serão os primeiros flex fuel Mercedes-Benz do mundo e, assim como nos concorrentes nacionais de Audi e BMW, turboalimentados.
Schiemer também não quis revelar o índice de nacionalização dos futuros M-B nacionais, mas assegurou que “este crescerá conforme a rampa de produção evoluir, sempre respeitando as exigências do Inovar-Auto”. Para o primeiro ano de atividades o volume produtivo deve chegar a 10 mil unidades, alcançando o topo da fábrica, 20 mil/ano, já em 2017, quando o quadro de funcionários chegará a 1 mil – de início serão seiscentos.
A fabricante fala ainda em 3 mil empregos indiretos gerados a partir da unidade de Iracemápolis, mas inclui neste cálculo 2 mil da rede de distribuidores, que ganhará investimento específico de R$ 100 milhões para chegar a 63 casas até 2016 ante as 45 de hoje. Na fábrica, isoladamente, o aporte é de R$ 500 milhões.
A unidade faz parte de plano ambicioso da Mercedes-Benz de liderar as vendas de veículos premium no Brasil até 2020, segmento que, calcula, mais do que dobrará de volume até lá, chegando no total a 100 mil unidades. De seu próprio desempenho a montadora não tem do que reclamar: suas vendas de modelos de luxo importados cresceram mais de 200% no País de 2008 a 2014, saltando de 3,7 mil para o recorde de 12 mil no ano passado.
Também presente à cerimônia o governador do Estado prometeu entregar em um ano, ou junto ao início da produção, obra de recuperação da Rodovia Luís Ometto, a SP-306, “recapeada, com terceira faixa e construção de um trevo em frente à fábrica”. A rodovia, de pista simples, encontra-se em condições precárias de rodagem, com inúmeros remendos no asfalto.
A Prefeitura aguarda, ainda, a instalação de quartel do Corpo de Bombeiros e de unidade do Samu, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

Depois de anunciar forte aumento nos impostos para veículos de luxo no final de 2013, válido a partir do primeiro dia do ano passado – em iniciativa que ficou batizada localmente de maneira informal como Impuestazo – o governo argentino decidiu afrouxar as regras da tributação a partir de 1º. de janeiro de 2015. A nova tabela de tributação ampliou a base de valores com a menor taxação, que parte de 30%.
A Ford, por meio de seu vice-presidente de assuntos corporativos para América do Sul, Rogelio Golfarb, recebeu com preocupação o resultado das vendas de veículos em janeiro. Segundo o executivo a queda de 18,8% na comparação anual, de acordo com dados da Fenabrave, foi “pior do que o previsto”.
Esta nossa Agência Autodata de Notícias e um tradicional jornal de São Paulo deram grande ênfase, semana passada, para o fato de que, neste janeiro, as vendas de veículos no Brasil registraram queda de aproximadamente 30% e 20%, respectivamente, com relação a dezembro e janeiro do ano passado em números redondos.
Enquanto as tesourarias e os departamentos de TI dos bancos trabalham para adequar seus sistemas às novas regras do PSI Finame algumas montadoras estão tomando iniciativas próprias para acelerar as vendas neste início de ano, que está se mostrando difícil para o segmento, assim como ocorreu em 2014 – ainda que por diferentes razões.