A Ford, por meio de seu vice-presidente de assuntos corporativos para América do Sul, Rogelio Golfarb, recebeu com preocupação o resultado das vendas de veículos em janeiro. Segundo o executivo a queda de 18,8% na comparação anual, de acordo com dados da Fenabrave, foi “pior do que o previsto”.
O fato do mês passado apresentar um dia útil a menos na comparação anual não justifica a queda, na avaliação de Golfarb. Para ele, apesar de janeiro tradicionalmente ser um mês mais fraco de vendas devido às férias e às tradicionais contas do início do ano, havia uma expectativa por um resultado positivo.
“Achávamos que o estoque de unidades que ainda não tiveram o IPI reajustado atrairia os consumidores, mas não foi o que aconteceu.”
De acordo com o executivo do estoque total da indústria automotiva em dezembro, de 351 mil unidades, 277 mil foram faturadas antes do reajuste do IPI, em 1º. de janeiro. “Acreditamos que isso aqueceria o mercado neste começo do ano.”
Uma possível antecipação de licenciamentos em dezembro, combinada com o aumento dos custos de financiamentos, seletividade do crédito e queda de confiança do consumidor foram citados pelo vice-presidente para justificar os números de janeiro.
Apesar do resultado fraco Golfard afirmou que não se pode definir o restante do ano com base nos resultados de apenas um mês. “Isso seria prematuro. Não é possível estimar a queda, porém o viés de baixa deve perdurar até o fim do ano.”
O vice-presidente ressaltou que as recentes medidas anunciadas pela nova equipe econômica do governo federal foram bem recebidas pela indústria. “Para que as montadoras possam investir é necessário haver solidez na macroeconomia, assim fica possível planejar a médio e longo prazo.”
Contudo, Golfarb admitiu que inicialmente os efeitos – que incluem aumento de custos – serão negativos: “Toda mudança requer um sacrifício. Apesar das medidas sinalizarem retomada da solidez, sabemos que afetam toda a economia em um primeiro momento. Precisamos compreender que vivemos um período de ajuste e isso é necessário para retomarmos um ciclo de crescimento sustentável”.
O executivo afirmou ainda que a lei que facilita a retomada de veículos em menor tempo é “uma ferramenta importante, mas não deverá fomentar a indústria”. Em seu entendimento “os bancos vão continuar a deixar de oferecer crédito para aqueles que julguem não ter condição de cumprir os pagamentos, independentemente de recuperar o veículo mais rápido do que antes”.
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