Fabricantes de motores esperam mais desafios em 2026

São Paulo – Se 2025 está sendo um ano desafiador, 2026 também inspira cuidados para as fabricantes de motores, apesar do planejamento e da necessidade de manter-se resiliente frente às dificuldades macroeconômicas e de acesso ao crédito, principalmente no que diz respeito ao mercado de caminhões.

Foi o que demonstraram durante o Congresso Perspectivas e Tendências 2026, realizado por AutoData, os executivos Cristian Malevic, diretor da unidade de negócios energia e descarbonização da MWM, Antonio Almeida, diretor de vendas da Cummins, Amauri Parizoto, diretor comercial da FPT Industrial para a América Latina e Giuliano Eichmann, diretor de operações da Horse. 

Malevic ressaltou que diante de cenário de dificuldades econômicas e juros nas alturas é imperativa a postergação da renovação da frota e, portanto, o ramo de peças de reposição cresce em detrimento do envelhecimento dos veículos em circulação.

“O custo do capital também torna desafiadora a aprovação de projetos internamente”, disse o executivo da MWM. “E mesmo a Argentina, que teve movimento importante em 2025, se comportando melhor que no ano passado, traz desafios por causa da maciça presença de produtos da Ásia, o que se dá em toda a região. Nossas barreiras são maiores na competição pelo mercado latino-americano.”

Almeida apontou que o mix de vendas de caminhões, com o aumento do emplacamento de veículos leves e médios, sustentou a produção em grande parte do ano. 

“Continuamos utilizando a capacidade fabril e a exportação ao México e outros países da região se manteve. No segmento de agricultura vimos recuperação, principalmente em pulverizadores, em que a Cummins tem 50% de participação. Em construção seguimos firmes com 13% a 15% do market share. Apesar de ter sido ano de altos e baixos, e da queda em caminhões, vemos resiliência nos nossos volumes.” 

Fotos: Bruna Nishihata.

Parizoto concordou que o cenário de 2025 foi bastante desafiador em caminhões, o que trouxe queda de 4% até setembro. “A perspectiva é manter este nível no quarto trimestre. Não vemos recuperação por ora. E o mesmo vale para máquinas agrícolas.” 

Ele contou que fora do Grupo Iveco a FPT recebeu solicitação pontual de cliente com volume superior ao que comprou o ano todo, o que demandou cancelamento de férias coletivas da linha específica para entregar tudo até a metade de dezembro. “Mas não é uma questão de mercado.”

Na Argentina, onde a marca tem clientes no aftermarket, segundo o executivo, nos últimos quatro meses se deu situação que inspira cuidado, e alerta para todo o primeiro trimestre do ano que vem:

“Estamos vendo uma inadimplência muito forte, clientes com problemas de fluxo de caixa. No país não é costume fazer venda à vista, o pagamento é feito em trinta, sessenta, noventa dias e são dados cheques como garantia, mas eles precisam ser compensados”.

Eichmann defendeu estabilidade em 2026, mas, por outro lado, será um ano que marcará a entrada da Horse em novos mercados, a exemplo do marítimo, com motores a etanol com sistema híbrido. 

A empresa também trabalha com a Marcopolo no desenvolvimento do range extender, ou extensor de alcance, junto com a WEG, para ônibus Volare com capacidade de vinte a trinta ocupantes, a ser lançado no início do ano que vem, produto 100% nacional.

“Estamos vendo a possibilidade de estender sistemas híbridos na Europa também”, assinalou o diretor da Horse.  

Autopeças pedem igualdade regulatória para competir com empresas asiáticas

São Paulo – A invasão asiática é uma realidade no setor de autopeças, já há muito tempo. O que as empresas reclamam é a desigualdade de competição: os produtos que vêm de fora, a preços bem atrativos, não têm a mesma qualidade do produzido localmente e, muitas vezes, não seguem as mesmas regulatórias. Lafaiete Oliveira, responsável pela operação da Bridgestone no Brasil, e Ricardo Rodrigues, responsável pela operação da Aumovio no Brasil, criada a partir de spin-off da Continental, debateram o tema durante o Congresso Perspectivas e Tendências 2026, realizado por AutoData.

Em muitos casos a competição não é maçã contra maçã, mas maçã contra banana, disseram. No mercado de pneus a invasão chinesa é muito forte na reposição e, segundo Oliveira, o custo final de um pneu asiático em alguns casos chega a ser inferiorao da matéria-prima. Para ajudar a igualar essas questões, o executivo não defende a criação de barreiras tarifárias, mas sim a criação de barreiras regulatórias:

Lafaiete Oliveira, da Bridgestone, e Ricardo Rodrigues, da Aumovio. Fotos: Bruna Nishihata.

“Os produtos têm que se equivaler tecnicamente para concorrerem de forma igual no mercado. Os nossos pneus para veículos pesados são desenvolvidos e produzidos para serem recapados, pelo menos, duas vezes, como exige a legislação local, mas os pneus asiáticos não suportam nem a primeira recapagem e são vendidos no mercado de reposição”.

Rodrigues, responsável pela Aumovio no País, concordou com Oliveira, ainda que a Aumovio concorra em outro segmento do mercado: “Toda empresa nova é bem vinda no Brasil, mas precisamos que eles joguem o mesmo jogo que o nosso. Que produzam localmente, gerem empregos e sigam as mesmas regras que as empresas locais”.

No caso da Bridgestone, os efeitos negativos chegaram até a sua produção local de pneus agrícolas, que está parada porque não é possível produzir e competir com os pneus asiáticos disponíveis atualmente. Além disso, o tarifaço dos Estados Unidos atingiram os negócios da empresa no País em 2025:

“A gente investiu R$ 2 bilhões no País nos últimos anos para produzir pneus de caminhões em duas fábricas e exportar para os Estados Unidos, porém, com a taxação de 50% os pedidos ficaram suspensos. Agora, esse tipo de item deverá entrar na seção 232 e o imposto a ser pago cairá para 25%, o que ainda é alto, mas permitirá retomar os embarques”.

Colômbia puxa exportação para baixo mas retomada vem rápida

São Paulo – As exportações de 40,6 mil veículos em outubro representaram tombo de quase 23% sobre setembro e recuo de 6,8% na comparação com o mesmo mês de 2024. As vendas externas do setor tiveram o segundo pior mês do ano, só perdendo para janeiro, o que interrompeu um ciclo constante de altas mensais mas não abalou o desempenho exportador robusto do setor este ano.

De janeiro a outubro houve crescimento de 43,8% nas exportações de veículos, com 471,4 mil unidades embarcadas, o que representou 21,1% da produção nacional no período, segundo dados divulgados pela Anfavea, a associação dos fabricantes, nesta quinta-feira, 13.

A queda de outubro, segundo o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, foi causada por um fator específico: a não renovação do acordo comercial com a Colômbia, que terminou em setembro com o fim da cota de isenção para até 50 mil unidades importadas do Brasil e a retomada do imposto de importação de 16,1%. Mas este revés teve curta duração, pois os governos dos dois países já negociaram a prorrogação da cota isenta por mais doze meses.

“Com a prorrogação do acordo os embarques para a Colômbia vão ser retomados em breve e o desempenho das exportações deve se recuperar”, afirmou Calvet.

Mesmo que o volume de exportações de outubro, abaixo da curva de alta verificada nos últimos meses, seja repetido nos dois meses que faltam para terminar o ano, já será suficiente para alcançar a projeção anual da Anfavea, que estimou para 2025 o embarque de 552 mil veículos brasileiros para outros países, em alta de 38,4%. Faltam 80,6 mil unidades para que a previsão seja alcançada e, por isto, a expectativa é de superar a estimativa, com crescimento acima dos 40%.

Maiores mercados externos

Apesar da queda pontual dos negócios em outubro houve crescimento das vendas para a maior parte dos principais países compradores de veículos brasileiros. A Argentina segue como cliente numero 1, com a importação de 275,3 mil unidades em dez meses, anotando o maior crescimento porcentual dentre todos os países, de 113% na comparação com o mesmo período de 2024.

Mesmo com a interrupção momentânea do acordo comercial a Colômbia foi até outubro o terceiro maior mercado externo para as exportações brasileiras de veículos: foram embarcados para lá, de janeiro a outubro, 38,9 mil unidades, o que significou avanço de 38% sobre igual intervalo do ano passado.

O Uruguai foi até outubro o quarto maior cliente externo com a compra de 28,2 mil veículos brasileiros em dez meses, em alta de 8% sobre 2024, e o Chile ficou em quinto, com 22 mil importações, mas mostrando recuperação importante, com crescimento de 36,2% nos embarques este ano, após a retração do ano passado.

Dos maiores mercados o México, segundo maior comprador de veículos do Brasil, foi o único que apresentou queda nos embarques, de 17,3%, com 66,5 mil importações.

Para Anfavea risco de falta de chips ainda não acabou

São Paulo – Apesar da retomada das importações da China dos chips da Nexperia a indústria ainda não está livre do risco de paralisações por falta desses componentes: “Houve avanço do governo da China para liberar as exportações dos semicondutores para fabricantes no Brasil mas temos a informação de que esta retomada é lenta”, ponderou Igor Calvet, presidente da Anfavea, durante a divulgação do desempenho dos fabricantes de veículos, nesta quinta-feira, 13.

Calvet disse, no entanto, que até o momento não houve nenhuma paralisação de linhas de produção no Brasil por causa da falta de chips: “Houve uma rápida ação do setor com a Anfavea e o governo federal, com negociação com o governo da China para prevenir e evitar paralisações que poderiam acontecer em três a quatro semanas caso persistisse a falta de fornecimento”.

Segundo o dirigente as paralisações não aconteceriam ao mesmo tempo, pois cada fabricante tem programação de produção e estoques diferentes. Calvet estima que as paradas de linhas iriam começar a acontecer em duas semanas e agora, com a retomada das importações da China, os estoques já seriam suficientes para abastecer de três a quatro semanas de produção.

“O risco foi reduzido mas ainda não se pode dizer que a situação está normalizada”, disse o presidente da Anfavea. “Ainda é necessário monitorar de perto o fornecimento para, se necessário, tomar ações rápidas com o governo e voltar a negociar com a China.”

Disputa geopolítica

A ameaça de falta de chips básicos para a indústria – boa parte deles utilizada em botões que ativam funções simples dos veículos como seta ou limpador de para-brisas – começou quando, pressionado pelos Estados Unidos de Donald Trump, o governo holandês tomou o controle da Nexperia, subsidiária da fabricante de semicondutores chinesa Wingtech. Como resposta a China bloqueou as exportações dos chips vendidos pela empresa.

A Nexperia é responsável por cerca de 40% dos chips fornecidos à indústria automotiva no Brasil a companhias como Bosch, ZF, Mahle e Marelli.

Melhor mês de produção do ano é insuficiente para sustentar projeção da Anfavea

São Paulo – Outubro encerrou com o maior volume de produção deste ano até agora, com 247,8 mil veículos montados, mas o desempenho porcentual segue bastante tímido, em alta de 1,8% sobre setembro e quase o mesmo número de outubro de 2024, em leve recuo de 0,5% na comparação anual.

Apesar do bom resultado mensal tudo indica que 2025 terminará com produção abaixo das projeções dos fabricantes reunidos na Anfavea, que este mês divulgou os números do setor apenas nesta quinta-feira, 13, com atraso de uma semana. O presidente executivo da entidade, Igor Calvet, falou de Belém, PA, onde no momento direciona suas atenções para a participação do setor na COP 30, a 30º Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025.

De janeiro a outubro as fábricas produziram 2 milhões 234 mil veículos, em avanço de 5,2% sobre o mesmo intervalo de 2024. Para atingir o desempenho estimado pela Anfavea, de 2 milhões 749 mil unidades produzidas em 2025 e alta de 7,8% em comparação com o ano passado, a indústria precisa montar 515 mil carros, utilitários, caminhões e ônibus nos dois meses que faltam para terminar o ano.

“Já contamos que não será possível a produção crescer 7% este ano”, reconheceu Calvet. “Seria necessário produzir mais de 20 mil unidades acima do ritmo atual em dois meses.”

Ainda assim o dirigente afirmou que a entidade não pretende refazer as projeções deste ano e que só apresentará a próxima em janeiro, contemplando 2026.

Pelo desempenho das fábricas verificado até agora o mais provável é que 2025 feche com a produção de 2 milhões 650 mil a 2 milhões 680 mil veículos, números que ficarão de 100 mil a 70 mil abaixo da projeção estimada pela Anfavea, em avanço de 4% a 5% sobre 2024. “Mas ainda assim fecharemos o ano com crescimento”, observou Calvet.

Andando de lado

A produção de veículos no País este ano espelha o fraco desempenho das vendas de veículos nacionais, que em dez meses avançou apenas 0,8% na comparação com o mesmo período de 2024, com quase 1,8 milhão de emplacamentos, enquanto na mão oposta as importações cresceram 9%, com 402 mil unidades desembarcadas aqui de janeiro a outubro, o que representa 18,5% do mercado brasileiro este ano.

O resultado só não foi pior devido à alta das exportações de veículos brasileiros, que no acumulado deste ano até outubro somaram 471,4 mil unidades, que representaram 21,1% da produção nacional, compensando parcialmente as perdas no mercado interno.

Nos dados segmentados a produção de automóveis e de comerciais leves tem desempenho melhor este ano, com 2,1 milhões de unidades produzidas em dez meses e alta de quase 6% sobre 2024. O segmento de ônibus também foi bem, com aumento de 10,8% na fabricação de chassis de janeiro a outubro. Já os caminhões, impactados pela retração do mercado doméstico, puxaram o porcentual para baixo, com queda de 7,3%.

Com o desempenho das fábricas quase neutro com relação a 2024 o nível de emprego no setor segue estável. Em outubro os fabricantes de veículos tinham efetivo de 110,9 mil empregados, número levemente abaixo, 0,4%, do verificado em setembro e 3,3% acima do registrado no mesmo mês de 2024.

Para a Anfavea a indústria de caminhões corre o risco de entrar em colapso

São Paulo – Já faz alguns meses que a Anfavea alerta para o mau desempenho da indústria brasileira de caminhões, que tem registrado queda de produção e vendas. Com o fechamento do resultado até outubro o presidente executivo Igor Calvet foi mais enfático: disse na quinta-feira, 13, que o alerta mudou de categoria e que o segmento está em “iminente colapso”.

“Não existe horizonte de recuperação para os próximos meses, principalmente no segmento de pesados, que representa 45% do mercado. Já escutei de alguns executivos da indústria que estamos em iminente colapso e vou usar esta expressão hoje. É uma expressão forte, mas estamos alertando sobre esta situação há alguns meses.” 

De janeiro a outubro foram produzidos 108,8 mil caminhões, queda de 7,3% na comparação com iguais meses do ano passado. Esta queda só não foi maior porque os segmentos de leves e médios tiveram desempenho um pouco melhor, mas ainda assim a indústria deixou de produzir 8,6 mil unidades no ano.

Os dados de outubro mostram de forma mais clara a atual situação, com 10,2 mil unidades produzidas, volume 31,3% menor do que o fabricado em igual mês do ano passado e 0,5% maior do que o produzido em setembro: “Os números mostram o que falamos há cinco ou seis meses, refletem o tamanho da nossa preocupação, pois a queda na comparação anual foi muito grande”.

No acumulado do ano foram vendidos 94,7 mil caminhões, queda de 8,3% com relação ao mesmo período de 2024. A demanda por veículos pesados, que representam 45% do mercado, porém, caiu mais de 20% de janeiro a outubro. Estes índices demonstram, mais uma vez, a preocupação da Anfavea:

“Temos um problema sério que precisa ser solucionado. Como Anfavea estamos mais uma vez mostrando o cenário complicado do segmento de caminhões e trabalhando para que ele se estabilize e se recupere. A taxa Selic em 15% é um impeditivo para a compra de novos caminhões e as empresas estão adiando os seus investimentos, mesmo com PIB positivo e um volume de safra relevante”.

Em outubro as vendas somaram 10,7 mil unidades, queda de 12,7% com relação a idêntico mês do ano passado e alta de 8,8% na comparação com setembro.

Para o Calvet não há perspectiva de melhora nos próximos meses porque a taxa Selic deve ter um leve recuo só no primeiro trimestre do ano que vem, em meados de março, saindo de 15% para 14,75%. Mas este movimento deverá ter algum efeito positivo na demanda apenas a partir de outubro e, por isto, ele acredita que 2026 será mais um ano desafiador.

O único resultado positivo no acumulado do ano do segmento de caminhões veio das exportações, com 24 mil unidades até outubro, alta de 73% sobre 2024. No mês passado foram exportados 2,3 mil caminhões, crescimento de 9,2% na comparação com outubro de 2024 e queda de 12,1% com relação a setembro.

Produção de chassis de ônibus cresce 11% até outubro

São Paulo – A produção de chassis de ônibus somou 26,2 mil unidades até outubro, expansão de 10,8% na comparação com iguais meses do ano passado, de acordo com balanço divulgado pela Anfavea. Houve desaceleração no ritmo produtivo em outubro, com 2,1 mil chassis fabricados, queda de 11,6% com relação a idêntico mês do ano passado. Na comparação com setembro o recuo foi ainda maior, chegando a 23,4%.

As vendas chegaram a 19,7 mil unidades de janeiro a outubro, crescimento de 7,2% na comparação com igual período de 2024. Em outubro foram vendidos 2 mil ônibus, mostrando que o mercado também desacelerou, uma vez que na comparação com idêntico mês do ano passado houve queda de 23,5% e na comparação com setembro houve leve alta de 0,8%.

As exportações de ônibus cresceram 49,2% até outubro, com 5,7 mil unidades embarcadas. No mês passado somaram 434 unidades, queda de 19,6% na comparação com igual mês de 2024 e recuo de 35,9% com relação a setembro.

Engenharia brasileira desenvolve o sistema híbrido plug-in flex da Ford Ranger

Tatuí, SP – A engenharia brasileira da Ford está desenvolvendo o sistema híbrido plug-in flex que equipará a Ranger eletrificada produzida em Pacheco, Argentina, a partir de 2027. A versão híbrida flex soma-se à novidade anunciada recentemente a partir de investimento de US$ 170 milhões, que complementa outros US$ 700 milhões injetados na nova geração da picape, nova fábrica de motores e introdução de versões com cabine simples.

“Este é o terceiro motor desenvolvido no Brasil para o mundo, de uma família de oito motores”, disse André Oliveira, diretor de programas veiculares da Ford América do Sul. “Os outros dois são o Phanter e o V6, da Ranger.”

De acordo com ele o processo de criação, que dura em torno de dois anos, está sendo realizado em parceria do Centro de Engenharia da Ford em Camaçari, BA, e com o Centro de Desenvolvimento e Tecnologia de Tatuí, SP.

O investimento integra ciclo com duração de quatro a cinco anos que engloba a modernização e expansão do centro de testes em Tatuí — os valores foram mantidos em segredo. Uma das novidades é a criação do Centro de Diagnósticos Avançados de Engenharia, que segundo Oliveira “melhorou a eficiência do tempo dos diagnósticos em torno de 30%”, e da segunda unidade do Ford Academy – que complementa a unidade do Senai Ipiranga, na Capital, onde a capacitação é dedicada à rede concessionária.

No Interior de São Paulo o foco está na qualificação dos funcionários, inclusive os engenheiros preparados para trabalhar ali: “Aqui temos uma localização estratégica e muito espaço para expandir, pois estamos em área de 4,6 milhões de m². E este é um marco, uma vez que o ciclo de investimentos atual está só no começo”.

Sobre os próximos passos André Oliveira contou que novos prédios serão erguidos e os ambientes existentes modernizados, assim como os laboratórios, que ganharão novos equipamentos. Áreas compostas por dois gramados extensos serão palco de novas experiências e testes de off road. Hoje, ao todo, há mais de 60 quilômetros de pistas de terra e asfalto.  

“O objetivo é transformar o nosso centro de desenvolvimento no maior da América do Sul em termos de desenvolvimento tecnológico.”    

Tatuí abriga um dos sete centros de desenvolvimento da Ford no mundo, com a diferença de que é o único a agregar a área de engenharia, com a realização de mais de 450 tipos de testes e, desde 2022, oferece serviços a outras empresas. Atualmente quatro montadoras de veículos leves e pesados utilizam-se deles. Os nomes, porém, são mantidos em sigilo.

O centro de testes completará 50 anos em 2028. Ele é responsável por testar, validar e homologar todos os modelos que passam pelo Brasil e pela América do Sul. A partir dele também são exportadas tecnologias para os Estados Unidos. Trabalham no local em torno de quinhentos profissionais.

Camaçari ganhará novo prédio

De acordo com o diretor de março a maio do ano que vem será inaugurado novo prédio em Camaçari, BA, com capacidade para 1 mil engenheiros. A novidade propõe estabelecer um espaço mais interativo para os profissionais, com carros e bancadas de testes no meio do escritório. 

“Em torno de 15% do efetivo total de engenheiros da Ford está no Brasil, e eles são responsáveis por 30% das tecnologias globais da companhia.”

A engenharia brasileira faturou, no ano passado, em torno de R$ 500 milhões. E a projeção para 2025, segundo Oliveira, é de pelo menos alcançar esta mesma receita.

Indústria argentina surpreende Adefa e cresce 50% em 2025

São Paulo – O recém-empossado presidente da Adefa, Rodrigo Perez Graziano, traçou panorama otimista para a indústria automotiva argentina em sua primeira apresentação internacional, realizada durante o Congresso AutoData Perspectivas e Tendências 2026. Apesar de reconhecer os desafios do contexto econômico local ele enfatizou que os planos de longo prazo do setor permanecem inabaláveis, mesmo diante das turbulências políticas recentes que marcaram as eleições de meio de mandato no país.

“Temos a certeza de que os resultados de hoje são o resultado de decisões tomadas anos atrás”, afirmou o executivo, ao destacar que os veículos que saem das fábricas argentinas atualmente representam investimentos decididos há anos. Por isto as decisões tomadas agora definirão a próxima década do setor, independentemente das oscilações econômicas ou políticas.

Os números de 2025 surpreendem positivamente. Enquanto projeções iniciais apontavam para um crescimento de 14% a 15% do mercado argentino, para cerca de 470 mil unidades emplacadas, a realidade se mostrou muito mais favorável. 

“Hoje estamos falando de um mercado de 620 mil a 630 mil unidades. É um crescimento de cerca de 50% com relação ao ano passado”, disse Graziano, classificando este patamar como “um mercado muito bom, muito positivo” dentro da história argentina.

Rodrigo Perez Graziano. Fotos: Bruna Nishihata.

A produção deverá superar as 500 mil unidades, com crescimento acumulado de 3% com relação ao ano anterior, e as exportações devem totalizar mais de 300 mil veículos. Segundo ele o desempenho foi impulsionado por medidas concretas do governo que assumiu há dois anos, desde a redução de impostos, normalização das importações, forte retorno do crédito automotivo com taxas menores e maior estabilidade cambial.

O presidente da Adefa deixou claro que a competitividade é o principal desafio do setor: “É o que nos mantém acordados à noite, nos desafia”.

Ele ressaltou o compromisso de manter a Argentina no “clube de países produtores”, especialmente em segmentos como picapes, no qual o país ocupa posição de destaque global.

Integração regional e mobilidade sustentável

As exportações são fundamentais para a sustentabilidade da indústria argentina, historicamente afetada por restrições cambiais. O Brasil é o principal destino. A mensagem central de Graziano foi de integração profunda com o Brasil e o Mercosul. No âmbito local a ideia geral envolve trabalho conjunto com governos e toda a cadeia de valor para atrair investimentos e gerar empregos qualificados. Regionalmente o foco está em aprofundar a especialização e a complementação industrial com o Brasil e com o resto dos países do Mercosul, além de buscar melhor acesso a terceiros mercados.

Sobre a transição para uma mobilidade mais sustentável Graziano destacou que já existem fábricas na Argentina com 100% de energia renovável e que o governo tem promovido novas tecnologias, permitindo a importação de até 50 mil veículos híbridos, plug-in e elétricos sem tarifas por ano: “O mundo está caminhando para esta eletrificação. Argentina e Mercosul não podem ficar à margem de todo esse processo”.

Para 2026, embora as taxas de crescimento não devam se manter nos dois dígitos observados em 2025, Graziano mostrou-se confiante na continuidade da estabilidade macroeconômica e na consolidação do mercado.

A queda do risco-país de mais de 1 mil pontos para abaixo de 500 após as eleições foi considerada como indicador importante dessa nova fase: “É uma diminuição muito grande, mais de 50%”, celebrou, projetando que esta tendência deve se manter nos próximos dois anos.

Dakota será uma das atrações da Ram no Salão do Automóvel

São Paulo – A Ram confirmou a presença da Dakota, sua nova picape média, no Salão do Automóvel 2025, que será realizado de 22 a 30 de novembro, no novo Distrito Anhembi, em São Paulo. A versão Warlock foi revelada pela Ram no mês passado, durante evento que marcou o início da sua produção em Córdoba, Argentina, e o seu lançamento no Brasil está previsto para 2026.

O projeto faz parte do investimento de R$ 2 bilhões que a Stellantis está aplicando na fábrica argentina para transformar a unidade em um hub de exportação de picapes. A Ram Dakota chega para competir no segmento de picapes médias, onde estão posicionadas Hilux, Ranger e S10, assim como a Fiat Titano, com quem compartilha base e peças.