Versão da picape deve começar a ser produzida a partir de 2027 em Pacheco, Argentina
Tatuí, SP – A engenharia brasileira da Ford está desenvolvendo o sistema híbrido plug-in flex que equipará a Ranger eletrificada produzida em Pacheco, Argentina, a partir de 2027. A versão híbrida flex soma-se à novidade anunciada recentemente a partir de investimento de US$ 170 milhões, que complementa outros US$ 700 milhões injetados na nova geração da picape, nova fábrica de motores e introdução de versões com cabine simples.
“Este é o terceiro motor desenvolvido no Brasil para o mundo, de uma família de oito motores”, disse André Oliveira, diretor de programas veiculares da Ford América do Sul. “Os outros dois são o Phanter e o V6, da Ranger.”
De acordo com ele o processo de criação, que dura em torno de dois anos, está sendo realizado em parceria do Centro de Engenharia da Ford em Camaçari, BA, e com o Centro de Desenvolvimento e Tecnologia de Tatuí, SP.
O investimento integra ciclo com duração de quatro a cinco anos que engloba a modernização e expansão do centro de testes em Tatuí — os valores foram mantidos em segredo. Uma das novidades é a criação do Centro de Diagnósticos Avançados de Engenharia, que segundo Oliveira “melhorou a eficiência do tempo dos diagnósticos em torno de 30%”, e da segunda unidade do Ford Academy – que complementa a unidade do Senai Ipiranga, na Capital, onde a capacitação é dedicada à rede concessionária.
No Interior de São Paulo o foco está na qualificação dos funcionários, inclusive os engenheiros preparados para trabalhar ali: “Aqui temos uma localização estratégica e muito espaço para expandir, pois estamos em área de 4,6 milhões de m². E este é um marco, uma vez que o ciclo de investimentos atual está só no começo”.
Sobre os próximos passos André Oliveira contou que novos prédios serão erguidos e os ambientes existentes modernizados, assim como os laboratórios, que ganharão novos equipamentos. Áreas compostas por dois gramados extensos serão palco de novas experiências e testes de off road. Hoje, ao todo, há mais de 60 quilômetros de pistas de terra e asfalto.
“O objetivo é transformar o nosso centro de desenvolvimento no maior da América do Sul em termos de desenvolvimento tecnológico.”
Tatuí abriga um dos sete centros de desenvolvimento da Ford no mundo, com a diferença de que é o único a agregar a área de engenharia, com a realização de mais de 450 tipos de testes e, desde 2022, oferece serviços a outras empresas. Atualmente quatro montadoras de veículos leves e pesados utilizam-se deles. Os nomes, porém, são mantidos em sigilo.
O centro de testes completará 50 anos em 2028. Ele é responsável por testar, validar e homologar todos os modelos que passam pelo Brasil e pela América do Sul. A partir dele também são exportadas tecnologias para os Estados Unidos. Trabalham no local em torno de quinhentos profissionais.
Camaçari ganhará novo prédio
De acordo com o diretor de março a maio do ano que vem será inaugurado novo prédio em Camaçari, BA, com capacidade para 1 mil engenheiros. A novidade propõe estabelecer um espaço mais interativo para os profissionais, com carros e bancadas de testes no meio do escritório.
“Em torno de 15% do efetivo total de engenheiros da Ford está no Brasil, e eles são responsáveis por 30% das tecnologias globais da companhia.”
A engenharia brasileira faturou, no ano passado, em torno de R$ 500 milhões. E a projeção para 2025, segundo Oliveira, é de pelo menos alcançar esta mesma receita.