São Paulo – Outubro encerrou com o maior volume de produção deste ano até agora, com 247,8 mil veículos montados, mas o desempenho porcentual segue bastante tímido, em alta de 1,8% sobre setembro e quase o mesmo número de outubro de 2024, em leve recuo de 0,5% na comparação anual.
Apesar do bom resultado mensal tudo indica que 2025 terminará com produção abaixo das projeções dos fabricantes reunidos na Anfavea, que este mês divulgou os números do setor apenas nesta quinta-feira, 13, com atraso de uma semana. O presidente executivo da entidade, Igor Calvet, falou de Belém, PA, onde no momento direciona suas atenções para a participação do setor na COP 30, a 30º Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025.
De janeiro a outubro as fábricas produziram 2 milhões 234 mil veículos, em avanço de 5,2% sobre o mesmo intervalo de 2024. Para atingir o desempenho estimado pela Anfavea, de 2 milhões 749 mil unidades produzidas em 2025 e alta de 7,8% em comparação com o ano passado, a indústria precisa montar 515 mil carros, utilitários, caminhões e ônibus nos dois meses que faltam para terminar o ano.
“Já contamos que não será possível a produção crescer 7% este ano”, reconheceu Calvet. “Seria necessário produzir mais de 20 mil unidades acima do ritmo atual em dois meses.”
Ainda assim o dirigente afirmou que a entidade não pretende refazer as projeções deste ano e que só apresentará a próxima em janeiro, contemplando 2026.
Pelo desempenho das fábricas verificado até agora o mais provável é que 2025 feche com a produção de 2 milhões 650 mil a 2 milhões 680 mil veículos, números que ficarão de 100 mil a 70 mil abaixo da projeção estimada pela Anfavea, em avanço de 4% a 5% sobre 2024. “Mas ainda assim fecharemos o ano com crescimento”, observou Calvet.
Andando de lado
A produção de veículos no País este ano espelha o fraco desempenho das vendas de veículos nacionais, que em dez meses avançou apenas 0,8% na comparação com o mesmo período de 2024, com quase 1,8 milhão de emplacamentos, enquanto na mão oposta as importações cresceram 9%, com 402 mil unidades desembarcadas aqui de janeiro a outubro, o que representa 18,5% do mercado brasileiro este ano.
O resultado só não foi pior devido à alta das exportações de veículos brasileiros, que no acumulado deste ano até outubro somaram 471,4 mil unidades, que representaram 21,1% da produção nacional, compensando parcialmente as perdas no mercado interno.
Nos dados segmentados a produção de automóveis e de comerciais leves tem desempenho melhor este ano, com 2,1 milhões de unidades produzidas em dez meses e alta de quase 6% sobre 2024. O segmento de ônibus também foi bem, com aumento de 10,8% na fabricação de chassis de janeiro a outubro. Já os caminhões, impactados pela retração do mercado doméstico, puxaram o porcentual para baixo, com queda de 7,3%.
Com o desempenho das fábricas quase neutro com relação a 2024 o nível de emprego no setor segue estável. Em outubro os fabricantes de veículos tinham efetivo de 110,9 mil empregados, número levemente abaixo, 0,4%, do verificado em setembro e 3,3% acima do registrado no mesmo mês de 2024.