Carro Sustentável colabora com crescimento do mercado

São Paulo – O programa Carro Sustentável continua contribuindo para o crescimento das vendas de veículos no mercado brasileiro. Segundo a Fenabrave desde sua criação, em 11 de julho, ao fim de outubro foram emplacadas 163,4 mil unidades, o que representa avanço de 26,1% dos modelos e versões participantes.

De acordo com Arcélio Júnior, presidente da entidade, o resultado poderia ser melhor se não fossem as altas taxas de juros: “Apesar desses entraves notamos que o programa Carro Sustentável tem sido positivo para os segmentos, alavancando as vendas dos veículos contemplados pelo programa e aumentando o fluxo de loja nas concessionárias”.

Com impulso do programa as vendas chegaram a 2 milhões 171 mil unidades até outubro, expansão de 2,3% na comparação com igual período do ano passado. Em outubro, que foi o melhor mês de vendas de 2025, foram emplacados 260,8 mil veículos, queda de 1,6% com relação a outubro do ano passado e expansão de 7,2% sobre setembro.

A média diária avançou para 11,3 mil contra 11,1 mil em setembro, mas ficou abaixo das 11,5 mil vendas/dia registradas em idêntico mês do ano passado:

“O ritmo diário foi levemente superior ao de setembro e o fato de outubro ter tido um dia a mais ajudou no resultado. Observamos, também, o crédito operando de forma mais funcional, o que tem ajudado a converter intenção em venda”.

Com preço agressivo C10 faz a estreia da Leapmotor no Brasil

Campinas, SP – Com duas versões, uma híbrida e uma elétrica, o C10 abre os trabalhos da Leapmotor no mercado brasileiro. Bem completas e com bastante oferta de tecnologia e sistemas de segurança, bem no estilo chinês que ao qual o consumidor local vem se acostumando, chama a atenção os preços: R$ 189 mil 990 o 100% elétrico e R$ 199 mil 990 o híbrido, com a tecnologia REEV, que mantém a tração elétrica por todo o tempo e um motor a combustão para recarregar as baterias.

São valores agressivos para um SUV com 4 m 739 de comprimento, 2 m 825 de entreeixos e 1,9 m de largura. A Leapmotor deve competir com o BYD Yuan Plus, o GAC Aion V e o Geely EX5 nos elétricos e com o BYD Song Plus, o Haval H6 PHEV19 e o Jaecoo J7 nos híbridos.

Montado sobre a plataforma Leap, na China, o C10 tem 218 cv na versão BEV e 215 cv na REEV, com 320 Nm de torque imediato. A autonomia? 338 quilômetros, pelo Inmetro, na elétrica, e mais de 950 quilômetros na WLTP com o híbrido.

Não à toa a marca usou o termo ultra-híbrido para se referir ao REEV. Trata-se de um veículo 100% elétrico com extensor de autonomia, tecnologia inédita para a Stellantis, que complementa o leque de eletrificações oferecidas por aqui: MHEV, HEV, PHEV, REEV e BEV. Mas a tração do carro, traseira – algo incomum para modelos da China – é sempre feita pelo motor elétrico.

O propulsor 1,5 litro a gasolina funciona apenas para carregar as baterias, que também podem ser recarregadas na tomada. Em percurso de 200 quilômetros nas rodovias paulistas a reportagem da Agência AutoData fez uma mescla: foi com o modo de direção 100% elétrico, sem ligar o motor. Retornou com o modo a combustão, com o motor fazendo o trabalho de alimentar a bateria. Na chegada paramos em um posto de combustível para ver quanto de gasolina foi consumido: 1 litro.

Sem botões

O C10 BEV difere do C10 REEV pela ausência da tampa do tanque de combustível do lado direito. No melhor estilo chinês o visual interno do C10 é minimalista e são poucos os botões, algo que pode incomodar muita gente – bem, pelo menos a este repórter incomodou.

Para mexer no espelho retrovisor, nos bancos do motorista e do passageiro, no controle do ar-condicionado, dentre outras funções, é preciso explorar a tela de 14,6 polegadas. É intuitiva, personalizável, mas pode ser perigoso dependendo da ocasião. O ponto positivo é que existem dois botões no volante que podem ser usados como atalho para as funções que o cliente desejar. É possível também comandar tudo por meio de aplicativo no smartphone.

Outra tela está posicionada no painel, onde algumas funções como autonomia, velocidade e o que o cliente desejar personalizar podem ser facilmente visualizadas. E, internamente, é isto.

O C10 dá a possibilidade de instalar aplicativos de navegação e música, tem internet nativa e oferece um bom pacote de ADAS, com assistente de centralização na faixa, piloto automático inteligente, detecção de colisão e frenagem dianteira.

Por fora o destaque está para a roda de 20 polegadas e a assinatura traseira em LED que percorre toda a tampa do porta-malas. É um carro que chama a atenção pelo seu porte.

B10 em janeiro

No começo de 2026 chega às concessionárias o B10, apenas em versão BEV. O preço também foi divulgado: R$ 172 mil 990. O motor elétrico alcança 218 cv com 240 Nm de torque. Pormenores, porém, só mais adiante.

A Leapmotor oferece quatro anos de garantia para os dois modelos.

Leapmotor mira chinesas com seu portfólio importado e elétrico

Campinas, SP – As marcas chinesas representam cerca de 10% dos emplacamentos no mercado brasileiro, em sua maioria de modelos eletrificados. É nesta faixa de mercado, que cresce mês a mês, que a Leapmotor, nova marca da Stellantis que estreia no Brasil com o C10, SUV grande com opção híbrida e elétrica, direciona seus esforços.

O portfólio da Leap, como vem sendo chamada pelos seus executivos, será formado apenas por modelos eletrificados e, ao menos neste primeiro momento, SUVs. Como vem sendo feito pelos outros chineses. Mas a marca da Stellantis vem com menos sede ao pote, comparado com algumas de suas conterrâneas que chegaram com portfólio amplo e meta ambiciosa de abertura de concessionárias.

O plano é crescer de forma sustentável, como explicou Fernando Varela, responsável pela marca na América do Sul. Neste momento de lançamento da marca são 36 as concessionárias abertas, com cobertura de mais de 80% do mercado eletrificado nacional, segundo ele. As duas versões do C10, já disponíveis, ganham a companhia do B10, outro SUV mas só com versão BEV, em janeiro. 

“O primeiro passo é o posicionamento da Leap: estabelecer a rede, com 36 lojas de grupos que já trabalham com outras marcas da Stellantis. Desejamos um crescimento saudável para a Leap e para a rede. Conforme for crescendo o portfólio, a rede poderá crescer”.

Muitas das revendas compartilham estrutura com outras marcas Stellantis, embora o showroom seja exclusivo. Abrir pontos de vendas em shopping centers é uma possibilidade.

Mas, com relação aos próximos passos, o executivo fez mistério em conversa em Campinas, SP, onde a Agência AutoData teve oportunidade de ver e dirigir o C10. Não negou e nem confirmou possibilidade de produção local, mas deixou claro que é algo inerente nos planos da Stellantis. Confirmou, sem dar números, mais lançamentos e a expansão, em 2026, para outros mercados na região – a estreia foi no Chile e no Brasil.

No mais, a resposta seguiu a mesma: “No momento certo informaremos”.

Instituto Hercílio Randon já realizou 290 registros de patentes

São Paulo – O IHR, Instituto Hercílio Randon, realizou 290 registros de patentes junto ao INPI, Instituto Nacional da Propriedade Industrial, nos últimos anos, o que o coloca entre os maiores depositantes de instituições privadas do Brasil.

Dedicada à inovação e ao desenvolvimento de tecnologias disruptivas, a instituição emprega noventa pesquisadores distribuídos em três unidades de pesquisa, em Caxias do Sul, RS, Farroupilha, RS, e Florianópolis, SC, e conduz mais de quarenta projetos relacionados ao avanço da mobilidade e da indústria nacional.

Em parceria com as Unidade de Negócio da Randoncorp, o IHR tem, entre seus principais cases, o projeto e-Sys, sistema de tração elétrica auxiliar para semirreboques, o conceito Randon Solar, que combina geração distribuída por painéis fotovoltaicos, conectividade embarcada e gestão inteligente de energia, e a plataforma Randon Smart, que integra sensores inteligentes e sistemas de telemetria.

Desenvolve ainda compósitos estruturais comercializados pela Composs que reduzem a massa dos equipamentos e contribuem à descarbonização das operações. A pesquisa em nanopartículas de nióbio, em parceria com a Nione, permite a modulação de propriedades físico-químicas, ampliando o desempenho de materiais convencionais e promovendo uso mais eficiente de recursos naturais.

Fenauto calcula mercado de 18 milhões de veículos usados

São Paulo – Depois do resultado de vendas até outubro o segmento de veículos seminovos e usados revisou para cima suas expectativas para o ano: 18 milhões de unidades comercializadas, de acordo com a Fenauto, entidade que representa os revendedores.

No ano passado foram vendidos 15,7 milhões de veículos usados, o recorde do segmento. A Fenauto já projetava um novo recorde em 2025, com vendas de 16 milhões a 17 milhões de unidades. Só que de janeiro a outubro já foram vendidos 15,2 milhões de usados e seminovos, crescimento de 17% na comparação com igual período do ano passado.

Apenas em outubro as vendas somaram 1,8 milhão de unidades, crescimento de 50% sobre outubro do ano passado e de 4% sobre setembro.

VW Caminhões e Ônibus compõe aliança para ampliar eletropostos no Rio de Janeiro

São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus prestará consultoria e apoio técnico ao programa internacional Laneshift Rio, iniciativa global liderada pela C40 Cities e pelo The Climate Pledge para a ampliação da infraestrutura pública de recarga para veículos elétricos na cidade do Rio de Janeiro, RJ. A montadora é a única integrante da CBA, City-Business Alliance ou Aliança Cidade-Empresa, a participar do projeto internacional Laneshift Rio para descarbonização do transporte de carga na capital fluminense. 

O e-Delivery, primeiro caminhão elétrico 100% desenvolvido e produzido no Brasil, é um dos veículos envolvidos no projeto dedicado a testar e aprimorar modelo de hub público de recarga. 

A iniciativa Laneshift prevê a instalação de quinze novos eletropostos públicos até 2028. Desde julho a aliança opera projeto demonstrativo de recarga, com os dois pontos de recarga abertos ao público do Rio, o Eleposto Carioca, na Barra da Tijuca, primeiro hub em área pública do Rio de Janeiro, e outro na avenida Brasil, que funcionam como laboratórios urbanos.

O piloto já contabiliza mais de 1 mil sessões de recarga e 35 MWh consumidos com diferentes veículos pesados que circulam na cidade, sendo que 20% de todas as recargas públicas da cidade correspondem ao transporte de carga.

Venda de importados supera em dez meses todo o volume de 2024

São Paulo – As vendas de veículos importados das empresas associadas da Abeifa somaram 107,5 mil unidades de janeiro a outubro, crescimento de 33,4% sobre iguais meses do ano passado. O volume vendido em dez meses já superou todo o ano passado, quando as importadoras comercializaram 104,7 mil veículos. 

O presidente da Abeifa, Marcelo Godoy, disse que “as associadas devem fechar o ano [de 2025] com volume superior a 130 mil unidades, o que representará um crescimento expressivo de 24% sobre 2024”.

A projeção divulgada pelo executivo também é 8,3% maior do que a divulgada em janeiro, quando a expectativa era de comercializar 120 mil unidades no ano.

De janeiro a outubro a BYD liderou com folga o ranking de vendas com 87,4 mil emplacamentos, crescimento de 49% sobre igual período do ano passado. Em segundo lugar ficou a Volvo com 7,9 mil e expansão de 9,1%, seguida pela Porsche que vendeu 4,6 mil veículos, volume 14% menor do que o de mesmo período do ano passado.

As vendas de veículos importados em outubro somaram 12,4 mil unidades, volume 27,7% superior ao de outubro de 2024 e 2,5% maior do que o de setembro.

Iochpe-Maxion expande operação de rodas de alumínio na América do Sul

São Paulo – Motivada pelo crescimento das vendas de automóveis na região do Mercosul e, consequentemente, de rodas, principalmente de alumínio, a Iochpe-Maxion anunciou, por meio da Maxion Wheels, a expansão de sua operação de rodas de alumínio para veículos leves na América do Sul.

Sem divulgar valores a empresa informou que o movimento se dará a partir da realocação de ativos globais existentes para o Brasil e da aquisição de participação acionária de 50,1% na Polimetal, importante fabricante de rodas de alumínio na Argentina.

Pieter Klinkers, presidente e CEO da Iochpe-Maxion, afirmou que para atender ao mercado em expansão estão sendo adotadas três iniciativas estratégicas: “A primeira é a utilização de nossas operações globais em conjunto com nossas forças locais no Brasil para atender à demanda adicional imediata”.

A segunda, prosseguiu Klinkers, é a realocação de ativos globais existentes para as duas plantas brasileiras de rodas de alumínio para veículos leves, em Santo André e Limeira, SP. 

E, por fim, a joint venture com a Polimetal, “fornecedor de longo prazo e altamente respeitado de rodas de alumínio para montadoras que operam no mercado local”.

Stellantis reúne fornecedores e startups em busca de soluções para o futuro

São Paulo – O Factory Booster Day 2025 da Stellantis realizado em Detroit, Michigan, reuniu em torno de oitenta fornecedores e startups que apresentaram mais de cem novidades que podem ajudar a transformar as operações industriais da montadora no futuro. Esta foi a décima edição do evento e a maioria das soluções apresentadas usam inteligência artificial, sistema de visão e tecnologias autônomas, com foco em elevar a qualidade, a eficiência e a sustentabilidade das operações da Stellantis.

Soluções apresentadas em anos anteriores já foram adotadas pela companhia, como o sistema de manutenção preditiva com inteligência artificial nas oficinas de pintura na América do Norte, apresentado em 2024, assim como o sistema de câmara inteligente para verificação de peças também como uso de inteligência artificial.

Em paralelo ao evento a Stellantis organizou o Innovation Awards 2025, que reconheceu contribuições importantes de seus funcionários. Alguns dos projetos premiados foram avanços em manutenção preditiva, uso de realidade virtual para reconfiguração de linhas de produção e novo sistema de monitoramento de fornos de pintura.

Transição empacada: até pessoas bem informadas só usam gasolina no carro flex.

Muito se fala e se conhece, mas pouco se faz. Esta é a conclusão de uma pesquisa sobre transição energética coordenada pelo engenheiro Camilo Adas, conselheiro de Tecnologia e Transição Energética na SAE Brasil, entidade internacional que reúne engenheiros especializados em mobilidade automotiva. O estudo foi apresentado no Congresso SAE Brasil, no início de outubro, e outra apresentação, mais completa, será feita na COP 30, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, de 10 a 21 de novembro em Belém, PA.

O principal diferencial desta pesquisa está no público: os pouco mais de 1 mil respondentes são, em sua vasta maioria, engenheiros ou profissionais de ciências exatas empregados no setor automotivo, de combustíveis ou professores e pesquisadores acadêmicos, a maior parte com mais de 45 anos e, mais importante, 73% deles dizem conhecer o tema transição energética acima da média da população em geral.

São, portanto, profissionais bem informados a respeito da crise climática causada pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa, entendem que para conter o problema é necessário levar adiante a transição energética, com a substituição de fontes de energia fóssil por renováveis com baixas emissões de carbono. Mas, descendo do nível teórico para o prático, porcentual relevante dessas pessoas não toma atitudes práticas nesse rumo.

Preferência por gasolina no flex

Esta conclusão pode ser medida em uma das mais comezinhas ações do cotidiano: encher o tanque em um posto de combustível. Segundo a pesquisa 57% dos respondentes têm carros flex bicombustível etanol-gasolina, outros 5% usam modelos híbridos flex. Mas na hora de abastecer 29% dos proprietários de veículos flex preferem usar só gasolina, enquanto 16% adotam o combustível fóssil em seu híbrido flex.

Este resultado não surpreende: até as empresas que fabricam 100% de carros flex no Brasil abastecem suas frotas predominantemente com gasolina. Fato curioso, alguns carros enviados por fabricantes para as diversas reuniões do G20, em 2024, no Rio de Janeiro, RJ, foram adesivados com a propaganda “Brazilian Ethanol”, com a intenção de mostrar a solução ao mundo, mas pelo que se soube muitos destes veículos chegaram lá rodando com gasolina.

Voltando à pesquisa: 23% dos que têm carros flex escolhem etanol ou gasolina a depender do preço, o que for mais barato também considerando o consumo mais elevado do biocombustível, 22% sempre abastecem com etanol e 8% levam em conta a autonomia maior do derivado de petróleo. Apenas 17% colocam na balança vários fatores combinados, como autonomia, preço e impacto ambiental.

Ou seja: nenhum dos bem-informados proprietários de carros flex que responderam à pesquisa colocam o impacto ambiental como fator único de sua decisão na hora de escolher o combustível que vai no tanque.

O mesmo tipo de atitude se repete no ambiente profissional, em que para 67% dos respondentes o preço/custo é o principal fator que guia as decisões sobre mobilidade, transporte ou logística nas empresas em que trabalham, para 47% o mais importante é o desempenho e autonomia do veículo, 41% apontam a disponibilidade de combustível ou infraestrutura de abastecimento, enquanto o impacto ambiental da fonte energética escolhida aparece só no quarto lugar de importância, com 39% das respostas.

As atitudes práticas pessoais e profissionais apontadas na pesquisa contradizem a percepção de quase 70% dos pesquisados de que a transição energética é um tema urgente. Mas não é menos relevante que porcentual significativo de pessoas com bom conhecimento técnico avaliem que o tema é pouco prioritário na vida pessoal ou nas empresas em que trabalham.

Biocombustível é solução pouco utilizada

Outro descasamento de atitudes práticas com percepções apontado na pesquisa é que a grande maioria avalia que os biocombustíveis, etanol e biodiesel, são a melhor solução de transição energética desfossilizada para o Brasil, seguida em segundo lugar por veículos híbridos, em terceiro pelos movidos por hidrogênio verde ou de baixo carbono, e apenas em quarto pelos elétricos a bateria. O uso de HVO – óleo vegetal hidrogenado que substitui o diesel fóssil com as mesmas características – surge em quinto lugar e, em sexto, é indicada a utilização de combustíveis fósseis com mitigação de emissões, como a captura de carbono.

A percepção sobre biocombustíveis é bastante óbvia, pois o Brasil é o único país do mundo com esta solução já viável e utilizada, considerando que de 80% a 90% as emissões de CO2 do etanol ou biodiesel são reabsorvidas na própria cadeia de produção destes energéticos renováveis.

Ainda assim são poucos os que valorizam o benefício ambiental, tendo em vista que cerca de 80% dos 40 milhões de veículos da frota nacional são flex e apenas 30% deles utilizam só etanol, o E100, para rodar, os outros 70% usam o E30, a gasolina misturada com 30% de etanol anidro.

Apesar de não utilizar todo o potencial da principal solução de desfossilização que o País já oferece, 59% dos pesquisados disseram ter a visão pessoal de que o Brasil tem o papel de líder global da transição energética nos próximos cinco a dez anos, mas para nada irrelevantes 28% o País será um seguidor de tecnologias encubadas em países desenvolvidos, e para 8% existem outras prioridades à nação.

Já na vida profissional, nas empresas em que trabalham, 34% disseram que o Brasil é visto como país com potencial de protagonismo na transição energética, mas 26% avaliam que existe baixa atuação prática sobre o tema e para 15% o País continuará seguindo tecnologias desenvolvidas no Exterior.

Bolha da transição

Camilo Adas, o idealizador da pesquisa, avalia que a transição energética, apesar de muito falada e discutida, ainda não começou de fato. Apesar das muitas iniciativas divulgadas para conter o aquecimento global as emissões de gases de efeito estufa continuam a crescer. Até agora a ações tomadas não são suficientes para mudar o curso da crise climática e dos eventos extremos que assolam o planeta com força destruidora cada vez maior, como furações, enchentes, estiagens e incêndios florestais.

“Não há indicação clara de que a transição energética esteja, de fato, começando”, enfatiza o engenheiro. Ele cita dados da IEA, a Agência Internacional de Energia: o mercado global de energia deve girar, este ano, a fantástica soma de US$ 11 trilhões, mas apenas 20% deste faturamento, algo como US$ 2,2 trilhões, serão investidos em fontes de energia limpa, desfossilizada, enquanto os combustíveis fósseis, derivados de petróleo ou gás natural, ainda receberão US$ 1,1 trilhão em investimentos.

Na velocidade atual, calcula Adas, os investimentos não são suficientes para tornar viável a substituição dos combustíveis fósseis, que ainda representam cerca de 80% de toda energia consumida no mundo: “Sinto que vivo na bolha da transição energética. Falo disto e discuto o assunto o tempo todo com líderes da indústria que participam de eventos comigo no palco. Todos concordam sobre a urgência de neutralizar emissões fósseis, mas na prática quem tem recursos financeiros e estrutura não faz o suficiente para que isto aconteça”.

Psicologia da transição energética

Adas afirma que ainda não tem elementos científicos que justifiquem o descasamento do discurso com a prática no caso da desejada transição energética do setor automotivo – esta será uma segunda fase de sua pesquisa. Mas ele vê indícios de explicações na psicologia humana, liderada pelo comportamento clássico da falta de engajamento ou de identificação com certas causas.

“As pessoas não acham que é problema delas e terceirizam a questão para um ente impessoal: ‘Não sou responsável e quem resolve é a empresa, o banco, o governo ou a sociedade, alguém dará um jeito’.”

Ao mesmo tempo Adas aponta que todos precisam suprir necessidades como comer, descansar, trabalhar e se locomover, e a energia é necessária para fazer tudo acontecer.

“Desde que todas essas necessidades estejam supridas ninguém pergunta ou se importa de onde vem a energia para sustentar tudo. A sociedade busca seu progresso, sua evolução, e nos últimos 150 anos isto foi feito com base no exponencial aumento do uso de energia fóssil, como carvão, petróleo e gás natural. É difícil mudar isto.”

Reforçando o fato de a transição energética não estar rodando na velocidade necessária para aplacar a crise climática – que para alguns simplesmente não existe –, Adas indica que uma grande campanha de esclarecimento encabeçada pelos governos do mundo deveria ser feita, com muita repetição de fatos e soluções, “pois será pior se esperarmos para aprender pela dor, como aconteceu nas enchentes do Rio Grande do Sul”.

Neste sentido os governos têm muito a contribuir com legislações e regulamentações que imponham metas de redução ou anulação de emissões, sem no entanto forçar o uso de tecnologias inviáveis – como acontece com a União Europeia que impôs a substituição de carros a combustão por elétricos criando desemprego, investimentos sem retorno e problemas econômicos.

Adas aponta que a transição energética, para dar certo, precisa ser um desejo das pessoas e o governo pode criar esse ambiente com limitações e incentivos, até que o comportamento desejado seja assimilado pelo tecido social e se torne um costume sem questionamentos – como já aconteceu, por exemplo, com a obrigação do uso de cinto de segurança ou a recomposição da camada de ozônio após a proibição do uso do gás CFC em sistemas de refrigeração e aerossóis. O tempo do clima inóspito está correndo rápido e a humanidade está ficando sem tempo.