Geely adquire fatia da Renault do Brasil e usará fábrica do Paraná

São Paulo — O Grupo Renault e a Geely assinaram acordos para que a companhia chinesa assuma 26,4% de participação na subsidiária local do grupo francês. Esta aquisição já estava prevista quando o acordo inicial foi assinado, em fevereiro.

Com a oficialização o grupo, que permanece majoritário na Renault do Brasil, abre as portas do Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, PR, para a produção de modelos Geely. Segundo o comunicado conjunto, enviado na manhã de segunda-feira, 3, a Renault utilizará  a arquitetura GEA da Geely para ampliar sua gama de veículos zero e de baixas emissões.

Desde julho a Renault já é responsável pela distribuição e vendas dos modelos Geely no mercado brasileiro. Todo o processo de venda e importação do EX5 é feito pela companhia francesa.

O Brasil não é o primeiro mercado em que as duas empresas fazem parcerias: na Coreia do Sul existe um acordo que envolve a Horse, divisão a combustão do Grupo Renault.

Caminhões: em marcha lenta até quando?

Este ano começou com expectativas moderadamente otimistas para a indústria de caminhões. As empresas fabricantes projetavam estabilidade nas vendas e na produção, sustentadas pela supersafra de mais de 320 milhões de toneladas de grãos, segundo estimativa da Conab, Companhia Nacional de Abastecimento. O cenário favorecia especialmente a demanda por modelos pesados, responsáveis por cerca de 46% das vendas do mercado nacional. Mas o otimismo durou pouco.

A escalada da taxa Selic, que saltou de já elevados 10,75% ao ano em outubro de 2024 e chegando a inviáveis 15% em julho, encareceu o crédito e travou a renovação de frotas, impondo um novo ciclo de cautela e retração ao setor. O resultado é um mercado mais contido do que se previa: as vendas de caminhões devem fechar 2025 em 113,5 mil, em queda de 7% sobre 2024, segundo projeta a Fenabrave, Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, que no início do ano estimava o emplacamento de 127,6 mil unidades.

Na mesma direção a Anfavea, Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores, reduziu para 114,5 mil sua projeção de caminhões vendidos este ano, em retração de 8,3% na comparação com 2024. Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, a fragilidade do mercado é consequência direta do custo elevado do financiamento: “O setor funciona com crédito. Hoje parte das operações está no CDC e parte no Finame. Se o juro é caro a base balança”.

Além das altas taxas nas linhas do BNDES Finame o IOF, imposto sobre operações financeiras, encarece em cerca de 10% a aquisição de veículos, tornando a compra de caminhões ainda mais restritiva — especialmente para autônomos e pequenos transportadores, que dependem de crédito subsidiado para manter a operação.

EXPORTAÇÃO SEGURA PRODUÇÃO

Esta reportagem foi publicada na edição 426 da revista AutoData, de Outubro de 2025. Para ler sua íntegra clique aqui.

Foto: Divulgação/DAF

Renault começa a abastecer a rede com o Boreal

São Paulo – A Renault iniciou o abastecimento da sua rede de concessionárias com o Boreal, SUV médio que já está em pré-venda no mercado. Quem fizer a reserva durante a pré-venda garante o preço de lançamento, que começa em R$ 180 mil na versão de entrada, pagando sinal de R$ 1 mil que será descontado do valor final.

As primeiras unidades serão entregues no mesmo dia da abertura do Salão do Automóvel, em 21 de novembro.

Além da versão de entrada o Boreal, que é produzido na fábrica de São José dos Pinhais, PR, tem mais duas configurações, a Techno e a Iconic, intermediária e topo de linha, que custam R$ 200 mil e R$ 215 mil, respectivamente.

O SUV tem motor 1.3 turbo de até 163 cv de potência quando abastecido com etanol e câmbio automático de EDC de dupla embreagem úmida.

Bruno Pinelli é o novo diretor de vendas da Volvo Cars

São Paulo – A Volvo Cars anunciou Bruno Pinelli como seu novo diretor de vendas no Brasil. O executivo chegou à empresa ano passado, como gerente de vendas e em pouco tempo foi promovido.

Pinelli, que possui mais de vinte anos de experiência, trabalhou por onze anos na Peugeot e, depois, passou por grandes empresas do segmento de duas rodas, como Harley-Davidson e a indiana Bajaj.

Mercado peruano cresce 20% até setembro

São Paulo – O mercado do Peru segue em busca do seu novo recorde de vendas em 2025. De janeiro a setembro acumulou alta de 19,8% sobre iguais meses do ano passado, com 135,4 mil veículos leves, de acordo com dados divulgados pela AAP, Associação Automotiva do Peru. No período a entidade ressaltou o bom desempenho do segmento de SUVs, que assim como no Brasil é o que representa a maior parte das vendas, com 69,1 mil unidades vendidas.

Em setembro foram comercializados 15,5 mil veículos leves, volume 14% superior ao de igual mês do ano passado, enquanto na comparação com agosto houve queda de 4,3%.

As vendas de caminhões atingiram o maior volume mensal da história do mercado peruano em setembro, de acordo com a AAP, somando 2,1 mil, crescimento de 52,8% na comparação com idêntico mês do ano passado. Com relação a agosto houve aumento de 23,5%. No acumulado do ano o segmento cresceu 31,7%, com 15 mil caminhões vendidos, avanço que foi puxado pelos investimentos nas áreas de construção civil e de mineração.

No segmento de ônibus foram comercializadas 379 unidades em setembro, 35,4% a mais do que no mesmo mês do ano passado e 31,1% a mais do que em agosto. No acumulado do ano as vendas de ônibus chegaram a 2,8 mil unidades, expansão de 35,8% sobre iguais meses de 2024.

Mercedes-Benz fecha venda de R$ 40 milhões para a Constroeste

São Paulo – A Mercedes-Benz, por meio do seu concessionário Rodobens instalado em São José do Rio Preto, SP, concluiu a venda de 114 caminhões para a Constroeste, empresa de limpeza urbana. A negociação ficou em cerca de R$ 40 milhões, a maior já fechada pela concessionária para um único cliente.

O lote negociado envolve diversas configurações do caminhão semipesado Atego e do leve Accelo e todas as unidades já foram entregues.

Volkswagen diz não ter estoque de chips por muito tempo

São Bernardo do Campo, SP – “Não por muito tempo.” Foi esta a resposta de Alexander Seitz, chairman da Volkswagen América do Sul, a perguntas de jornalistas a respeito do estoque de chips disponível nos fornecedores da companhia para abastecer sua produção local. O executivo evitou eleger um prazo mas deu a entender que seria menos do que as duas semanas que a Anfavea vem dizendo.

Seitz reforça a força-tarefa da indústria automotiva nacional junto ao governo brasileiro e à embaixada da China para tentar retirar o Brasil do embargo aplicado pelo governo à Nexperia, em resposta à intervenção da Holanda na fabricante de chips. Um acordo dos países, disse ele, seria a solução do problema:

“Estamos com problemas como todas as montadoras locais”, afirmou o executivo. “Ainda não afetou a produção, mas afetará. Ontem [quinta-feira, 30] fui pessoalmente à embaixada da China para relatar a situação, como o [vice-presidente Geraldo] Alckmin fez, como a Anfavea fez. Fui como Volkswagen. Como trabalhei por cinco anos em Xangai, conversei também com nossos colegas da SAIC de lá para nos ajudar no contato com o governo local. Estamos fazendo de tudo para evitar paradas”.

Embora esteja presente em diversos sistemas dos carros da Volkswagen a montadora não compra diretamente o chip da Nexperia: “A Holanda faz o wafer [componente onde são aplicados os microprocessadores], ele vai para a Nexperia na China e de lá para os fornecedores, por exemplo a Bosch, que o coloca nos ECU [unidade de controle eletrônico]. E esta ECU vem para a Volkswagen. É uma cadeia complexa que, quando tem uma parada no caminho, gera um problema”.

O chairman da Volkswagen América do Sul reforçou o fato de que não se trata de tecnologia avançada, mas que sua troca seria complicada: “A produção está concentrada na Ásia. Temos que pensar na produção destes componentes no Brasil para evitar novos problemas no futuro”.

O fato de o Brasil integrar os Brics com a China é considerado positivo por Seitz, que ressaltou a intenção dos semicondutores ficarem nas operações sul-americanas e, como considera o presidente da Anfavea, Igor Calvet, descartando eventuais triangulações para operações europeias. Este fator, acredita, pode ajudar na negociação com os chineses.

Marcopolo eleva receita líquida do terceiro trimestre em 8,2%

São Paulo – A Marcopolo expandiu sua receita líquida do terceiro trimestre em 8,2%, em comparação ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 2,5 bilhões. O resultado foi impulsionado pelo desempenho no Exterior, com ampliação de volumes e melhor mix de vendas nas exportações e no conjunto das operações internacionais.

No mesmo período o lucro líquido aumentou 16%, somando R$ 668,7 milhões e, no acumulado dos nove meses do ano, o avanço foi de 11,8% frente ao mesmo período em 2024, para R$ 1,6 bilhão. O EBITDA do terceiro trimestre, R$ 419,8 milhões, obteve margem de 16,8%.

De julho a setembro a Marcopolo produziu 4 mil 127 ônibus, levemente abaixo dos mesmos três meses em 2024, com 4 mil 133 unidades. O volume que saiu das linhas do Brasil recuou 5,1% no período mas, em contrapartida, as operações de fora avançaram 26,2%, com 829 unidades.

Destaque para a Marcopolo Austrália, Volgren, que expandiu sua rentabilidade, mesmo com leve queda no volume, e lançou a família G8 com o modelo Paradiso G8 1300. Além disso a Marcopolo Argentina, Metalsur, manteve bom ritmo de entregas de rodoviários de alto valor agregado.

A Marcopolo África do Sul, MASA, apresentou crescimento de entregas e resultados positivos, com boas perspectivas para o fim de 2025 e 2026 e, a Marcopolo China, MAC sustentou resultado líquido positivo após a sua reestruturação em 2024.

No Brasil a empresa reforçou sua liderança no mercado de carrocerias, elevando a participação para 48,7% no terceiro trimestre, com destaque para o segmento de micro-ônibus, que registrou incremento de 17,3 pontos porcentuais.

A empresa destacou que, de julho a setembro, comercializou 64 carrocerias de elétricos no Brasil. Em 2025 já foram 111 Attivis, contra oito unidades em 2024. A empresa segue atenta às oportunidades em propulsões alternativas, nos programas federais como Caminho da Escola e do Ministério da Saúde, e ao mercado de urbanos pesados.

As exportações devem seguir em alta, com foco nos mercados do Chile, Argentina e Peru. Os investimentos da Marcopolo alcançaram R$ 103,2 milhões e R$ 236,3 milhões, respectivamente, no terceiro trimestre e no acumulado de nove meses.

Todo novo Volkswagen será eletrificado a partir de 2026

São Bernardo do Campo, SP — Todo veículo Volkswagen desenvolvido no Brasil, para o mercado brasileiro, terá uma versão eletrificada. A companhia está trazendo para a fábrica Anchieta a plataforma MQB37, que monta, na Europa, modelos como T-Roc, para fabricar uma nova geração de modelos com tecnologias híbrida leve, fechada e plug-in. Não significa, necessariamente, que não haverá modelos híbridos produzidos a partir da atual, MQB27, que está em todas as fábricas brasileiras. A tendência, inclusive, é que o primeiro híbrido-flex seja produzido nesta plataforma, de um dos modelos da gama atual.

O anúncio foi feito na sexta-feira, 31, em cerimônia que marcou a assinatura de linhas de crédito de R$ 2,3 bilhões com o BNDES, para desenvolvimento desta tecnologia, de sistema ADAS e de conectividade e para exportação. Segundo o presidente Ciro Possobom todas as tecnologias híbridas estarão disponíveis no portfólio da Volkswagen a partir de 2026: leves, fechadas e plug-in.

“Teremos uma solução completa, democratizando a eletrificação e o acesso a tecnologias avançadas de segurança, conectividade e inteligência artificial.”

Os elétricos não fazem, por ora, parte do planejamento de manufatura local da Volkswagen. Alexander Seitz disse que o Brasil difere dos demais mercados: “Aqui temos o flex, ao contrário dos Estados Unidos, Europa e China. Entendemos que os elétricos não são a solução primária para o País”.

Mais tecnologia e exportação 

O investimento integra o plano de R$ 20 bilhões para a América do Sul, que inclui 21 lançamentos — oito já estão nas concessionárias: Novo T-Cross, Nova Amarok, Novo Nivus, Nivus GTS, Tera, Golf GTI, Novo Jetta GLI e Novo Taos.

As linhas do BNDES, que somam R$ 2,3 bilhões,  também contemplam a nacionalização de tecnologias ADAS, consideradas fundamentais pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante: “Eu tenho quatro netos e considero que aprimorar a segurança dos veículos é importantíssimo”.

Segundo a Volkswagen o objetivo é expandir o alcance dos sistemas, chegando a modelos da base do portfólio. O mesmo com a conectividade, que também será contemplada.

Existem também recursos provenientes da linha Exim Pré-Embarque, com o objetivo de impulsionar ainda mais as exportações da Volkswagen, que soma mais de 4,4 milhões de unidades para 147 mercados desde 1970. Em 2025 os embarques, de janeiro a setembro, avançaram 43% sobre o mesmo período do ano passado.

BMW importa versão de entrada do SUV X3

Araquari, SC – A BMW traz ao Brasil a versão M30 Sport, a mais em conta do seu SUV intermediário X3 xDrive, cuja pré-venda já está aberta. Seu preço de R$ 515 mil 950 é mais de R$ 110 mil inferior ao do X3 M50, modelo mais esportivo e potente que está à venda no País desde fevereiro.

O objetivo da BMW é aproveitar o sucesso desse SUV, que já ultrapassou globalmente o volume do sedã Serie 3 vendido este ano. Além disto a versão M50 tem fila de espera no Brasil de três a seis meses, a depender do ritmo de produção, que é feita nos Estados Unidos.

A fábrica brasileira, que já montou mais de 100 mil unidades, tem potencial para receber novamente este modelo. No ano passado foi anunciado um novo ciclo de investimentos de R$ 1,1 bilhão até 2028 para reforçar a engenharia e montar novos produtos. Obviamente a BMW não confirma essa intenção, apesar de afirmar que estuda todas as oportunidades considerando suas fábricas de alta e média capacidade produtiva, como é o caso da unidade brasileira.

O X3 deixou de ser montado no País em 2024, quando esta versão atualizada passou a ser produzida na unidade estadunidense de Spartanburg.

O X3 M30 tem um motor 2.0 com tecnologia híbrida leve e bateria de 48V, com 258 cv e 400 Nm de torque. Comparado ao M50 com motor de 3.0 litros e 398 cv, também utilizando a tecnologia híbrida leve com bateria de 48V, sugere ser um BMW bem mais comportado. Mas rodando mais de 550 quilômetros de Joinville, SC, a São Paulo, SP, o M30 demonstrou um desempenho impecável. Acelera como um legítimo BMW de características esportivas, é eficiente nas ultrapassagens, seguro nas curvas perigosas da rodovia Régis Bittencourt e econômico para um modelo do seu porte. Nesse percurso com serras, curvas e muito trânsito o computador de bordo apontou 10 km/l.

Esta é a nova geração do X3, que tem sua identidade visual atualizada na comparação com o mesmo modelo que já foi nacional.O novo design da grade frontal, que além do contorno iluminado também possui aletas que abrem e fecham automaticamente para resfriar o propulsor térmico, é a principal alteração no visual tradicional e minimalista de praticamente todos os SUVs BMW. Rodas de 20 polegadas têm também um novo desenho

Trata-se de um modelo completo, equipado com toda a tecnologia de ponta como o sistema ADAS de condução, função de estacionamento semiautônomo, uma tela curva de 12,3 polegadas do painel de instrumentos e outra de 14,9 polegadas para o sistema de infoentretenimento. Esta é a versão operacional 9 do sistema que oferece chamada de emergência Inteligente, aviso de manutenção por telemetria, navegação com informação de trânsito em tempo real, portais de notícias, clima e muitos outros aplicativos.

Parte do desenvolvimento desse sistema atualizado foi aprimorado e testado à exaustão pela engenharia da BMW no Brasil.

O interior é bastante agradável e espaçoso, com destaque para a iluminação no console central e nas portas configuráveis, ajustes da intensidade do ar-condicionado individual e posicionado nas portas, para maior conforto, dentre outras soluções mais tradicionais que os modelos premium oferecem aos ocupantes. Os potenciais donos do X3 podem escolher a cor do veículo e as cores dos revestimentos internos de bancos e portas.

Araquari

Atualmente a BMW produz em Araquari os SUVs X1 e X5, este numa versão híbrida plug-in, além do Série 3, o modelo mais vendido no Brasil. São 1 mil funcionários que trabalham na unidade com capacidade de 32 mil unidades/ano e que monta 11 mil unidades/ano.