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Melissa Mattedi é promovida a diretora geral de fábrica da BorgWarner em Portugal

Executiva que hoje responde pela unidade de Itatiba a partir de 1º de setembro será a primeira mulher brasileira a exercer este mesmo cargo na unidade de Viana do Castelo

São Paulo – Após a visita da presidência global à fábrica da BorgWarner em Itatiba, SP, no primeiro semestre, o que não acontecia há dez anos foi inevitável o convite para que a diretora geral da unidade, Melissa Mattedi, exercesse a mesma função em uma das operações de Portugal, em Viana do Castelo, cidade próxima ao Porto, no Norte do país. No Brasil ela foi a primeira mulher a ocupar esta posição e, em Portugal, será a primeira profissional brasileira a ocupar a direção.

Após dois anos e oito meses no cargo a partir de 1º de setembro a executiva assume a nova designação.

“Não era algo que eu estava procurando. Era, sim, um plano que eu tinha mais para o futuro, o de ser transferida para o Exterior, mas não imaginava que isso aconteceria agora, em um momento importante da fábrica de Itatiba”, contou. “Ao mesmo tempo meu marido saiu da empresa em que trabalhava após trinta anos. Então o momento é muito propício pelo lado pessoal também. E Portugal sempre foi o nosso país número 1 da lista caso eu tivesse a oportunidade de trabalhar fora.”

Sua chefe, que conduziu as tratativas, também será uma mulher, Maria Guerra, vice-presidente da BorgWarner na Europa. Portuguesa, vive na Alemanha e tem oito unidades sob sua direção.

Durante a visita Mattedi contou que ela e sua equipe apresentaram estrategicamente narrativa de transformação na fábrica de 2021 a 2025, demonstrando como a unidade deixou de atender integralmente o setor de pesados para fornecer 70% do que produz a carros de passeio e 30% para veículos comerciais. Assim como índices de eficiência operacional, métricas de qualidade, redução de absenteísmo e turnover, crescimento de índices de satisfação do cliente e da participação feminina.

“Passamos dos 30% de mulheres na fábrica. Tínhamos 20% e hoje são 33%. O que inclui cargos de liderança. E isso tem de continuar”, disse, ao completar que ao término da agenda, que incluiu toda a equipe de liderança global, de presidentes de finanças, RH, vendas, engenharia, qualidade, manufatura, TI a chefes regionais das Américas, Europa e Ásia, Guerra brincou:

“Estão brigando para ver quem levará você primeiro”.

Produtos diferentes e melhora da eficiência operacional são desafios

À espera pelo visto para embarcar o objetivo inicial de Mattedi é ir sem a família, nos primeiros meses, a fim de se ambientar e aprender sobre a operação local, uma vez que a unidade de Viana do Castelo não produz turbos, mas válvulas e sistemas EGR, recirculação de gases de rscape, que são sistemas de exaustão. Dedicada 50% a veículos à combustão e a outra metade à eletrificação a fábrica produz ainda o High Voltage Coolant Heater, aquecedor de líquido refrigerante de alta tensão, responsável por aquecer e resfriar baterias e cabines.

“É uma operação maior que a daqui, que também atende a leves e pesados. Tem quase o dobro de funcionários de Itatiba e o faturamento, igualmente, é quase o dobro.”

Segundo Mattedi sua missão será recuperar a lucratividade da unidade, focar na eficiência operacional e unificar a cultura das equipes após um rápido crescimento nos últimos cinco anos – quando a fábrica absorveu linhas vindas da Alemanha e adquiriu empresas como a Wahler.

“O plano é realizar algo parecido com o que fizemos em Itatiba. As companhias costumam ter seus silos, o financeiro, o de compras, o de RH, o de engenharia. Mas eu sempre defendi o oposto. Se finanças entregar seu trabalho e compras não isto representa uma falha de toda a equipe de liderança, pois o sucesso da empresa se faz com o somatório de todas as áreas. Em Itatiba fomos, aos poucos, quebrando as barreiras das áreas. As divergências existem mas é preciso focar no que é o melhor para a BorgWarner como um todo.”

No ano passado a operação do Interior paulista cresceu 25%, e para este ano, mesmo em meio a dificuldades e instabilidades econômicas, Mattedi projeta alta de 4%, com novos projetos contratados para 2027, o que traz perspectivas de maior expansão – o que deverá ser desenhado no último trimestre por seu sucessor, Vitor Maiellaro, que volta da fábrica de turbos da Polônia para ocupar, pela segunda vez, a função de diretor geral em Itatiba, quando foi chefe de Melissa Mattedi.

Vitor Maiellaro em sua primeira passagem pela empresa, quando já ocupou o cargo de diretor geral. Foto: Divulgação.

Apesar de seu sucessor ser um homem a ideia é que a companhia continue fomentando o crescimento do número de mulheres nos seus quadros: “Que possamos ter rede de apoio para fazermos o que temos vontade. E quando se trabalha em uma empresa que tem portas abertas para você fazer, é preciso fazer. Sempre que uma mulher obtém sucesso profissional isto abre portas para outras mulheres”.

Em sua gestão pequenas mudanças que fizeram diferença foi a oferta de sapatos de segurança mais confortáveis, após reclamações de operários que trabalhavam em pé o dia todo, a permissão para o uso de shorts na linha de produção em dias de muito calor, expansão e melhoria de vestiários femininos com pufes para descansarem após o almoço, em vez de deitarem no chão, e o treinamento anual em libras para todos os funcionários.

A BorgWarner tem mulheres à frente de suas operações no México, nos Estados Unidos, na Espanha e na China. E Mattedi sucederá a um homem, o espanhol Pablo Alarcón, que assumirá uma nova divisão 100% elétrica também em Portugal, onde há três fábricas da BorgWarner.

Seu contrato de expatriação na BorgWarner terá duração de três anos. Mas, ao que tudo indica, Maria Guerra tem planos maiores para ela, ao afirmar que, por ela, Mattedi não volta mais ao Brasil. Sorte a sua que, sem saber o que o destino reservava, há pouco tempo e por insistência do marido começou a gostar de comer bacalhau.

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