São Paulo – Diferentemente do ano passado, em que houve crescimento de 25% no faturamento da divisão de turbocompressores, e frente a desafios nos mercados doméstico e internacional, a BorgWarner projeta expandir suas receitas de 3% a 4% em 2026. Foi o que afirmou a Agência AutoData Melissa Mattedi, diretora geral da fábrica de Itatiba, SP.
O impulso de 2025 foi puxado em grande parte pelo início do fornecimento ao SUV Volkswagen Tera, hoje terceiro carro mais vendido no País. Atualizações da marca também contribuíram para receita mais expressiva, somadas ao maior apetite do mercado argentino, no ano passado em movimento de franca ascensão e forte demanda principalmente das marcas Peugeot e Citroën mas que, em 2026, está com o pé no freio à espera da redução de impostos, na expectativa de que os preços dos carros diminuam.
Para este ano pesam o cenário de queda nas encomendas da Argentina, as instabilidades econômicas do Brasil com os persistentes juros altos e as dificuldades no acesso ao crédito e a forte concorrência chinesa, que está abalando o mercado brasileiro – e também o argentino – com a forte entrada de veículos importados.
A executiva contou que a ideia é que a companhia possa integrar alguns desses carros quando eles começarem a ser produzidos localmente, o que deverá acontecer primeiro com modelos da GWM e da BYD, que hoje montam kits de SKD e CKD. Mas por ora nada foi fechado e apenas consultas de preços foram realizadas.
Portfólio foi ampliado com mais um modelo
Existe, porém, uma novidade que ajudará a sustentar o tímido crescimento: a presença do turbo da BorgWarner em um lançamento da Stellantis, o Jeep Avenger – ainda não confirmado oficialmente por Mattedi, que apenas divulga a inclusão do componente do motor em um novo modelo.
Como a produção do SUV compacto teve início no meio do ano e suas vendas começam este mês o reflexo ainda será sentido na receita. Fabricado em Porto Real, RJ, é o primeiro veículo da marca produzido fora de Goiana, PE, e também o primeiro eletrificado da fábrica fluminense, de onde saem os Citroën C3, Aircross e Basalt, todos com turbos da fornecedora.
2027 tem tudo para apresentar mais um expressivo crescimento
O ano que vem, no entanto, reserva novidades. A empresa assinou contrato, no fim de 2025, para fabricar dois motores que serão usados em mais de dois modelos de uma montadora que ainda não é sua cliente: “Já estamos em fase de validação para começar a fornecer os turbos no início de 2027”, contou a diretora geral, referindo-se à terceira fabricante de veículos leves de seu portfólio, que se reunirá à Volkswagen e à Stellantis.
No fim do ano passado a BorgWarner anunciou a instalação desta nova linha de turbos, transferida da Europa. O novo turbo equipa veículo flex hoje fabricado e comercializado no Brasil mas que usa o componente importado. A decisão, conforme Mattedi, trará maior previsibilidade, garantia de fornecimento e menores custos com frete.
No campo dos pesados, desde que o Euro 6 entrou em vigor, passou a fornecer turbos ball bearing para a Scania e a Volvo. Além de sistemas mais convencionais como mancal de eixo para a Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Iveco. E, no ano que vem, também terá novidades: a empresa já está desenvolvendo turbos para atender à tecnologia Euro 7 a fim de equiparar o ritmo de produção brasileiro ao europeu.
O projeto envolve uma montadora, a qual Mattedi também não pode, por ora, revelar o nome, por questões contratuais. Disse apenas que é de origem europeia.



















