A Fenabrave revisou suas projeções para o encerramento do ano com pequenas alterações para baixo. De acordo com o presidente da entidade, Alarico Assumpção Jr., embora o mercado sinalize recuperação, com quedas nas vendas menores a cada mês, o cenário econômico ainda não contribui com um avanço mais robusto. “O mercado já está ascendente e tudo leva a crer que o crescimento virá no ano que vem. Mas ainda há muito desemprego e crédito restrito”, justificou durante divulgação dos resultados as vendas do setor automotivo na quarta-feira, 5.
Para a Fenabrave, as vendas totais do setor automotivo, o que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, deverão chegar a 3,1 milhões de unidades, queda de 19,33% em relação ao volume de 2015.

Somente os negócios relacionados aos segmentos de automóveis e comerciais leve somarão 1,9 milhão, baixa de 19,5% na comparação com o ano passado. “O problema desabastecimento de peças em algumas montadoras preocupa, pois pode alterar o volume de vendas”, avalia Assumpção Jr. sem dar nomes aos bois, mas muito provavelmente deve estar se referindo aos conflitos da Volkswagen com a Keiper.
Nos segmentos de caminhões e ônibus, a Fenabrave aponta volume de 66.978 unidades para 2016, queda de 27,28% na comparação com 2015. “O resultado reflete a situação do País. O mercado de caminhão precisa de PIB para rodar e, hoje, ainda falta carga para transportar. A safra 2016/2017, no entanto, ajuda um pouco, ainda que moderadamente.”
Ainda de acordo com as projeções da Fenabrave, os emplacamentos de motocicletas alcançarão pouco mais de 1 milhão de unidades, recuo de 18,5% em relação ao ano passado. Para o presidente da Fenabrave, o desemprego e a dificuldade de créditos são os principais ingredientes que empatam a recuperação do segmento.
A federação que representa os distribuidores de veículos, no entanto, enxerga sinais retomada no que vem. Segundo Teresa Fernandes, sócia da MB Associados, empresa de consultoria que presta serviços de análises econômicas à Fenabrave, a inflação em queda, a safra agrícola em alta e o nível de desemprego baixando são alguns dos parâmetros para acreditar no crescimento do País e do setor o ano que vem. “Apesar das projeções de que o mundo crescerá abaixo do que se esperava e, com isso, pouco contribuirá com a recuperação da crise brasileira, temos um horizonte mais animador, com nível confiança crescendo e o indicador de intenção de investimento melhorando.”
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