O mercado automotivo corre o risco de não chegar aos 2 milhões de unidades negociadas este ano. A previsão é do vice-presidente da Ford para o Brasil e América do Sul, Rogelio Golfarb, em sua apresentação durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2017, realizado na segunda-feira, 17, na Amcham, Câmara Americana do Comércio, em São Paulo.
Segundo Golfarb, o que poderá impactar positivamente os volumes comercializados no Brasil é a redução da Taxa Básica de Juros, a Selic, atualmente fixada em 14,25%. A próxima reunião do Copom, Comitê de Política Monetária, ocorrerá amanhã, dia 18.
“Com a Selic nesse patamar, a taxa real no financiamento de veículos chega até 27%. É difícil vender carro desse jeito. Se o Copom decidir por reduzir o indicador, podemos ver uma recuperação do mercado a partir do segundo semestre do ano que vem”, estimou o executivo. A expectativa da Anfavea, no entanto, é de vendas 2,08 milhões em 2016, queda de 19% com relação ao mesmo período do ano passado.
No mês passado, de acordo com dados da Anfavea, foram emplacados 159,9 mil unidades e no acumulado até setembro os licenciamentos alcançaram 1,5 milhão de veículos, queda de 22,8% no comparativo ao mesmo período de 2015. “Setembro foi um mês em que ocorreu a greve dos bancários e isso impactou os negócios. Além disso, uma das associadas da Anfavea parou a produção por problemas com fornecedores”, enumerou Golfarb. “Entretanto, esses eventos correspondem a um terço do volume que poderia ter sido vendido. Há sim risco de não conseguirmos chegar aos 2 milhões de veículos vendidos este ano.”
Para ele ainda não há indícios fortes da recuperação do mercado no próximo ano e lembra que no cenário no curto prazo, os indicadores não são nada animadores, como o desemprego crescente – a taxa medida pelo IBGE chegou a 11,8% em setembro, atingindo 12 milhões de pessoas -, renda menor e produção industrial em queda. “A recuperação será mais gradual do que podíamos imaginar. Não vemos uma inflexão positiva nas vendas. No curto prazo as coisas estão bem difíceis. Se olharmos no longo prazo, ai sim, há uma luz no fim do túnel”, ressaltou o executivo.
O que pode ajudar a indústria automobilística, mas isso longo prazo, segundo o executivo, são as medidas de ajuste fiscal proposto pelo governo Michel Temer. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC 241), que institui um teto para os gastos governamentais com correções no orçamento equivalente à inflação do ano anterior, é vista por Golfarb como “corajosa” e pode mudar a curva do endividamento do Estado. “Ela é importante no momento em que coloca os investimentos governamentais estáveis. Mas a PEC só surtirá efeito se a reforma da previdência também for aprovada pelo Congresso”, ressaltou.
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