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25/10/2016

Schiemer: SAE discute tecnologias e incentiva negócios no setor.

Por Michele Loureiro

- 25/10/2016

A SAE Brasil realiza a 25ª edição de seu tradicional Congresso de Tecnologia e Mobilidade no período de 25 a 27 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. Cerca de 10 mil pessoas devem passar pelo local. Neste ano, o mote é A Engenharia Criando a Mobilidade do Futuro – Intermodalidade – Conectividade – Veículos e Sistemas Inteligentes e haverá dezesseis painéis que englobam os temas. Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO para a América Latina, também comanda o evento e destacou a importância de um novo regime automotivo mais longo para o setor, com duração de dez ou quinze anos, que traga previsibilidade e incentive a vinda de novas tecnologias. O executivo conversou com exclusividade com a Agência AutoData de Notícias.

Quais são as principais vertentes do Congresso neste ano?
A ideia é que profissionais de engenharia e aficionados por tecnologia tenham um espaço comum para trocar ideias e entender as tendências para os próximos anos. Cerca de 10 mil pessoas devem passar pelos três dias de evento, que é gratuito. Questões como o aumento massivo da conectividade, a necessidade de falar em transportes intermodais e os passos para se chegar ao veículo autônomo serão discutidos durante o Congresso. Além dos tradicionais painéis, o evento terá um hub de tecnologia, onde dezenove empresas, como Bosch e BMW, irão expor suas ideias e compartilhar cases de sucesso.

O que falta para o carro autônomo se tornar uma realidade?
A tecnologia para isso já existe e está disponível, mas há uma série de fatores que precisam ser trabalhados antes que o carro autônomo vire uma realidade. Precisamos amadurecer e dar escala à tecnologia e isso requer muito desenvolvimento de engenharia e tempo de testes. Além disso, temos a questão da legislação, que difere em cada país e não é um assunto fácil de ser decidido. Por último, dependemos da infraestrutura. Acredito que países como Alemanha e Estados Unidos serão os primeiros a ter carros autônomos. Mas é uma questão de tempo até que a tecnologia chegue aos outros países. Essa é uma tendência sem volta.

O Congresso SAE terá rodada de negócios com investidores de outros países. Por que é um bom momento para investir no Brasil?
O Congresso acontece em um momento oportuno, onde há uma expectativa de retomada da economia do País. Quem quiser participar dessa recuperação tem de se posicionar nesse momento. Cerca de sessenta empresas participarão do evento, o que torna um ambiente muito bom para trocar informações e fechar negócios. Há muita gente de olho no Brasil. Para se ter uma ideia, uma comitiva de doze empresas japonesas participará do evento em busca de novas oportunidades no País.

Nos quesitos conectividade e eficiência energética, qual é a posição do Brasil frente a mercados como Estados Unidos e Europa?
Há muitos aspectos onde o Brasil não está defasado. Por exemplo, no quesito da tecnologia Euro 5 para veículos comerciais. Cada vez mais a distância entre as novas tecnologias diminui. O problema é que vivemos em um ambiente onde se faz carros com padrões altos de eficiência energética, mas a maioria da frota é antiga e desatualizada. Acredito que um programa de renovação de frota seria mais relevante do que qualquer outra medida para atender às normas de emissão. Seria mais rápido e barato também.

O público-alvo do evento são os engenheiros, que desempenham um papel decisivo na inserção de novas tecnologias na indústria automotiva. Como está a qualificação no Brasil, ainda é difícil recrutar mão de obra no setor?
A SAE tem um comitê fixo para tratar da questão da formação de engenheiros. Acreditamos que essa questão é fundamental para a indústria. Durante o Congresso teremos uma mesa redonda, que poderá ser acompanhada on-line, para discutir se o molde atual da formação de engenheiros é mesmo o mais interessante ou se há alternativas para melhorar essa capacitação. No momento o país tem uma base boa de profissionais, mas com a chegada massiva da conectividade criará uma demanda por engenheiros ainda mais especializados. Os engenheiros elétricos e especializados em mobilidade serão muito demandados.

O Inovar-Auto expira em 2017. Qual é o status das discussões sobre o assunto? Acredita que haverá uma segunda fase com os mesmos moldes?
Estamos discutindo essa questão por meio da Anfavea, que está em contato direto com o governo federal. Espero que o novo programa privilegie a tecnologia e fortaleça a engenharia nacional. Queremos que seja um programa menos burocrático e com ciclo mais longo. A indústria programa seus investimentos a médio e longo prazo. Por isso o ideal é que estejamos falando de um programa com dez ou quinze anos, que possa ser revisto em momentos oportunos, mas que seja um norte para que tenhamos previsibilidade e possamos saber o caminho certo de onde estamos indo.


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