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08/03/2017

Novo presidente da Jaguar Land Rover vê oportunidades em mercado menor

Por Ana Paula Machado

- 08/03/2017

Na sua última passagem pelo Brasil, em 2007, ainda na Peugeot Citroën, Frédéric Drouin encontrou um mercado que comemorava vendas anuais de mais de 2,5 milhões de veículos. O País, naquela época, era a menina dos olhos das fabricantes instaladas aqui e de muitas outras que desejavam estar aqui para morder um pedaço desse bolo. Agora, Drouin tem pela frente um novo desafio como presidente da Jaguar Land Rover para a América Latina, posição que acaba de assumir.

Além da realidade do mercado ser outra ele dirige uma empresa de produtos de alto luxo, com o objetivo de atender a público muito mais sofisticado e exigente que quer consumir Land Rover nacionais. E importados de forma geral.

Mas Drouin vê oportunidades na realidade que encontrou:

“Há muito o que fazer para adaptar o negócio à nova condição deste mercado. Na minha primeira passagem por aqui, em 1997, todos estavam felizes com 1 milhão de veículos vendidos. Hoje, estão todos frustrados. Os ânimos não são os melhores”.

O primeiro passo, segundo ele, é criar estratégias para trazer o consumidor para a concessionária.

A Jaguar Land Rover lançará na segunda-feira, 6, um programa de serviços de cinco anos para seus clientes: “É uma maneira de atrair esse consumidor. Muitos optam por outra empresa fabricante, mesmo tendo condições de manter um veículo de luxo como o nosso. A razão para isso pode ser o receio de ter uma manutenção onerosa ou até mesmo medo da violência nas grandes cidades”.

Os novos planos de serviço incluem revisões básicas por um preço fixo. Nomeados Jaguar Land Rover Care os planos partem de R$ 2 mil 990, de acordo com o modelo. As revisões devem ser feitas na rede de concessionárias da marca e incluem a troca de óleo do motor, filtro de óleo do motor, filtro de combustível, para veículos com motor a diesel, filtro de ar, fluido de freio e mão de obra especializada.

Drouin não estima em quanto essa ação pode se convertida em vendas, mas acredita que há potencial para atrair mais clientes e, além disso, fidelizar aqueles que já têm um Land Rover ou um Jaguar na garagem: “Esse consumidor é mais exigente e o atendimento deve ser mais personalizado”.

O que deverá representar apoio a essa tática de atrair clientes são as novas concessionárias a ser inauguradas ainda este ano: em Palmas, TO, em São José dos Campos, SP, e em São Paulo: “Temos espaço para crescer no Brasil”.

A empresa mantém, hoje, 36 revendas no País.

Além do plano de manutenção com prazo estendido a empresa oferece também blindagem de fábrica para consumidores preocupados com a segurança. A Jaguar Land Rover estabeleceu, no ano passado, parceria com duas empresas especializadas no serviço, a Guardian e a Carbon.

Previsibilidade – Em 2016 as fabricantes de carros premium comercializaram 47 mil veículos no País. A Jaguar Land Rover negociou de 7 mil 458 unidades e obteve participação de 15,8% do mercado de luxo no Brasil. A maior parte desse volume, segundo o seu presidente, foi montada na unidade de Itatiaia, RJ.

“Acredito que o mercado não cresça este ano. Haverá uma estabilidade e a recuperação virá a partir do ano que vem. Mas tudo também dependerá da nova política industrial para o setor. É importante que o novo Inovar-Auto saia do papel. Precisamos de regras claras e de previsibilidade.”

A fábrica brasileira ainda não tem linha de pintura e de funilaria. Por enquanto são montadas em Itatiaia as partes dos dois modelos, Evoque e Discovery Sport, importadas de outras unidades da companhia no mundo. Lá foram investidos R$ 750 milhões e a capacidade instalada é de 24 mil veículos por ano. No ano passad a Land Rover produziu cerca de 4,8 mil unidades na fábrica que completará um ano de operação em junho: “Nossa fábrica não está operando de forma satisfatória. Mas é importante ter produção no mercado brasileiro. Todas as concorrentes estão aqui”.

Drouin disse que a de Itatiaia foi fábrica projetada para atender ao mercado interno e que qualquer decisão sobre exportação somente será tomada após a publicação das novas regras industriais do País: “Precisamos de previsibilidade. As novas regras devem ser de longo prazo, de pelo menos dez anos. Assim conseguiremos planejar melhor o negócio no Brasil”.


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