Semanas de trabalho mais curtas, reduções nos vencimentos, missões ao Exterior em busca de novos mercados. Os empresários do polo metal-mecânico de Caxias do Sul, RS, buscam alternativas diante do cenário de esfriamento da economia e redução na demanda por caminhões e implementos rodoviários, principais setores clientes dos produtos caxienses.
Só no primeiro trimestre foram quase 1 mil postos de trabalho cortados, de acordo com Getúlio Fonseca, presidente do Simecs, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul. Os dados oficiais de março ainda não foram fechados, mas até fevereiro as empresas do município empregavam 45 mil 820 pessoas.
“Desde setembro de 2013 foram mais de oito mil demissões”, disse Fonseca em entrevista exclusiva à Agência AutoData. “As empresas evitam os cortes e tentam flexibilizar a produção, mas não há sinais de possível melhora. A projeção de queda de até 30% na produção de caminhões afeta diretamente a nossa indústria.”
As indústrias caxienses adotam desde o fim do ano passado produção reduzida, com cinco a sete dias úteis do mês sem operar. Muitas das empresas trabalham apenas de segunda a quinta-feira e, em algumas, só há produção por três dias da semana. “Os feriados de abril serão todos estendidos. Nesses casos o regime adotado é de luz apagada: nem diretor entra na fábrica.”
No primeiro bimestre a receita da indústria local caiu 28% na comparação com o mesmo período do ano passado. Fonseca evitou falar em projeções para o faturamento: disse apenas torcer pela rápida votação do ajuste fiscal no Congresso Nacional e por uma eventual melhora no cenário a partir de julho.
Na quinta-feira, 9, o Simecs receberia a visita do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, mas o encontro foi postergado devido a problemas de saúde do titular. Na pauta estavam exportações, linhas do BNDES e reforma trabalhista. Fonseca, de qualquer forma, acredita que dificilmente o governo fará alguma intervenção a favor do setor, seja por desonerações ou incentivos.
Por isso o Simecs busca alternativas: há alguns meses uma missão de empresários esteve no Quênia e na África do Sul em busca de contratos de exportação. Nova caravana foi agendada para julho: “O dólar favorece as exportações, mas houve valorização da moeda em outros mercados também e, portanto, a concorrência continua acirrada. De todo modo buscamos novos clientes para tentar reduzir o impacto”.
O dirigente do Simecs alerta para as consequências que o atual momento poderá deixar na indústria metal-mecânica de Caxias do Sul, responsável por 60% do PIB da cidade. Segundo Fonseca já há casos de empresas em processo de concordata, o que preocupa o empresário para quando ocorrer a retomada: “As empresas menores podem não sobreviver até lá”.
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