A Mangels, fabricante de rodas de alumínio e de botijões, anunciou sua saída da recuperação judicial iniciada em 2014. Fábio Mazzini, diretor de finanças e de relação com os investidores, disse que a aprovação judicial para o fim do processo de recuperação foi possível depois da avaliação de que a companhia conseguiu cumprir os acordos com os credores firmados em 2014: “A maior parte de nossa dívida é com bancos. Conseguimos alongar os prazos de pagamento e, com isso, melhorar a situação financeira da companhia”.
A Mangels, à época do plano de recuperação, apresentava dívida consolidada de R$ 434 milhões, grande parte da qual financeira. No terceiro trimestre do ano passado, perto do prazo para a companhia concluir o plano de recuperação, essa dívida estava em R$ 549 milhões, sendo que R$ 520 milhões era bancária. O faturamento da empresa de janeiro a setembro do ano passado foi de R$ 340 milhões.
“Isso nos deu suporte para pagarmos os acordos com os credores. Em novembro do ano passado fizemos um ajuste no plano de recuperação e conseguimos mais dois anos de carência para o início do pagamento da dívida com os bancos, o que deve ser feito em oito anos. Além disso, em 2019 e 2020, pagaremos somente 50% dos juros que incidirem sobre as parcelas da dívida.”
Para o professor de direito empresarial da PUC Minas, Bráulio Cunha Ribeiro, não é comum, no Brasil, uma companhia sair da recuperação judicial. Segundo ele geralmente há a avaliação, do juiz responsável pelo plano, de que há a necessidade de mais tempo para o pagamento dos acordos com os credores. Com isso há uma “espécie de renovação do plano de recuperação. Mas a lei diz que o prazo dado para a recuperação judicial é de dois anos. Isso vai muito da interpretação do juiz”.
No ano passado, segundo dados da Serasa Experian, os pedidos de recuperação judicial no Brasil chegaram a 1 mil 863, um salto de 44,8% no comparativo com 2006, o início do levantamento da Serasa. O caso mais emblemático foi o da operadora de telefonia OI, que apresentou o maior plano de recuperação da história, com uma dívida de R$ 64,5 bilhões.
Redução de custos – O plano da Mangels deu certo porque a companhia imprimiu política de enxugamento dos custos que culminou em economia de R$ 30 milhões nas despesas totais. Somente a folha de pagamento foi reduzida em R$ 10 milhões com a redução nos cargos executivos. Em 2014, segundo Mazzini, a empresa contava com 52 diretores e, hoje, são 25 executivos:
“Fizemos o corte de cima para baixo. A empresa mudou radicalmente. Estamos com uma estrutura organizacional enxuta, cortamos gastos e estamos fazendo, progressivamente, tudo que é possível para tornar a operação mais eficiente e continuar elevando nosso nível de produtividade”.
A Mangels produz mensalmente de 120 mil a 130 mil rodas e de 120 mil a 130 mil botijões. A capacidade, no entanto, na unidade de rodas, é de 2 milhões de unidades por ano.
Outra redução que ajudou na melhora do desempenho da companhia foi a diminuição dos estoques de insumos. Segundo o executivo era prática da empresa ter um volume de aço estimado para a produção de dezesseis dias. Esse volume foi reduzido para três: “Adotamos, também, um software de gestão, o SAP, e isso nos deu todo o controle da operação. Tudo o que entra e sai tem que estar dentro do orçamento”.
Mazzini afirmou, ainda, que a companhia reviu todos os contratos com fornecedores e prestadores de serviços. Ele ressaltou, por exemplo, que a empresa rescindiu o contrato com uma agência de viagens e, agora, toda a programação de viagens é realizada por uma ex-funcionária: “O plano de recuperação que estabelecemos mudou muito mais do que a gestão na Mangels: modificamos a cultura da empresa”.
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