Chery coloca operação brasileira à venda

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A Chery está à procura de um comprador para a sua operação brasileira, instalada em Jacareí, SP, onde são produzidos os modelos QQ e Celer. A companhia anunciou, na bolsa de valores de Anhui, China, na quarta-feira, 11, a intenção de venda do controle da subsidiária brasileira, ou de 50,07% do seu capital social avaliado em US$ 40 milhões 660 mil. De acordo com o documento divulgado as propostas deverão ser enviadas até 7 de novembro para avaliação.

 

A empresa pretende deixar o controle da operação em função da baixa rentabilidade. Foram investidos US$ 400 milhões na fábrica paulista, a primeira fora da China, inaugurada em 2014, ano em que o mercado brasileiro dava sinais de que entraria em queda acentuada. De lá para cá a empresa trabalhou para emplacar seus dois modelos no mercado nacional tendo que lidar, paralelamente, com sucessivas paralisações promovidas por greves e a intensificação da crise no setor, que a levou a trabalhar com 10% de sua capacidade.

 

A companhia exerceu uma reestruturação sobre sua área de vendas e, a partir das mudanças, foi traçado plano de crescimento por meio do mecanismo de vendas diretas e da chegada do modelo Tiggo 2, um SUV a ser produzido aqui neste último trimestre.

 

Dados apresentados à bolsa de valores na semana passada mostram, no entanto, que a queda nas vendas internas abalou o desempenho financeiro da companhia aqui. Em 2016 a Chery fechou no vermelho: receita de 1 bilhão 112 milhões de yuan, coisa de US$ 167,7 milhões, e prejuízo de 1,7 bilhão de yuan, cerca de US$ 256,9 milhões. Até agosto nenhum sinal de recuperação: a receita foi de 9,075 milhões de yuan, e o prejuízo de 18,7 milhões yuan.

 

São três os acionistas da companhia listada na bolsa de Anhui. A controladora Chery Automobile, empresa estatal de Wuhu, cidade onde está instalada a matriz da companhia, e que quer passar adiante o controle da operação brasileira, tem 50,07%, a Chery Investment é dona de 34,19% do capital, e a Wuhu Purui Automobile Investment detém os 15,74% restantes.

 

Os termos da negociação estabelecidos dizem que o novo controlador deverá pagar 30% do preço total à vista e o restante dentro do prazo de um ano. A expectativa é de que a venda da participação chegue a US$ 64 milhões. Quem adquirir o controle da Chery do Brasil terá o domínio sobre a fábrica de Jacareí, a rede de concessionários e as importações de modelos de veículos inéditos.

 

Fontes consultadas por AutoData disseram que a Chery já teria em mãos proposta da CAOA pelo controle da operação brasileira. A informação não foi confirmada pela empresa que produz veículos Hyundai em Anápolis, GO, e comercializa veículos Subaru e Ford. Executivos da CAOA teriam viajado à China recentemente para tratarem o negócio de perto e estariam esperando o momento político ideal para fazer o anúncio.

 

Por meio de sua assessoria de imprensa a Chery disse que não foi informada pela matriz sobre a intenção de venda do controle da subsidiária até o fim da tarde da terça-feira, 17.

 

Foto: Divulgação