Receita de locadoras com venda de seminovos em 2017 chega a R$ 5,2 bi

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As três maiores locadoras do País – Localiza, Movida e Unidas – registraram receita líquida conjunta de R$ 5,2 bilhões, no ano passado, com a venda de automóveis seminovos -- valor 33% superior ao registrado em 2016. O volume conjunto vendido foi de 156 mil 806 unidades, maior do que o vendido no ano passado por fabricantes como Honda, Renault e Toyota.

 

A modalidade de negócio, que já supera, em receita, as outras praticadas pelas empresas – locação de veículos e gestão de frotas – há alguns anos vem provocando modificações nas estruturas das maiores locadoras e também no modelo de vendas no País. Com o aumento da incidência dessas vendas no faturamento há em curso processo de expansão do número de lojas no mercado que oferecem parcialmente ou exclusivamente veículos para venda.

 

Em 2010 a Localiza tinha em sua rede 55 lojas destinadas às vendas de veículos seminovos, número que aumentou para 99 unidades em 2017 distribuidas em 65 cidades. Com a expansão vendeu 90 mil 554 seminovos em 2017, 32% a mais do que o volume de 2016 e obteve receita líquida de R$ 2 bilhões 985 milhões. A empresa, em seu balanço anual, indicou que o número crescente de lojas se deu justamente em função do aumento do volume de vendas.

 

A Movida passou de nenhuma loja de seminovos em 2014, quando começou a operar no mercado, para 58 em 2017, quando vendeu 39 mil 641 unidades, 23% a mais do que no acumulado do ano passado. O desempenho a fez registrar receita líquida de R$ 1 bilhão 452 milhões 365 mil em 2017, volume expressivo ainda que, em seu balanço, a empresa tenha informado diminuição da margem de vendas na comparação com 2016, de 6,4% para 5,3%.

 

O 2017 da Unidas também mostrou evolução na receita com venda de automóveis seminovos: foram vendeu 26 mil 611 unidades que geraram receita líquida de R$ 855,8 milhões. O volume vendido até dezembro foi 38% maior do que o do acumulado de 2016. A empresa encerrou o ano passado com rede composta por 49 lojas de seminovos, próprias e franquias -- em dezembro de 2016 tinha 47.

 

MERCADO – As concessionárias sofreram transofrmações em sua estrutura nos últimos anos em função da crise, que fez as vendas de veículos caírem, o que acarretou basicamente a diminuição do número de lojas. Afora o cenário de mercado desaquecido as redes precisaram, também, se readequar para sobreviver ao avanço das vendas diretas no País.

 

Nos últimos três anos o número de concessionárias baixou de 7 mil 330 para pouco mais de 6 mil lojas, segundo dados da Fenabrave. Quem reuniu forças para superar a crise, segundo a entidade, deverá promover mudanças no modelo de negócio para que os pedidos possam voltar a aparecer.

 

Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, disse que as vendas diretas, muitas delas sendo feitas em maior volume às locadoras de veículos, são aceitáveis ainda que tenham provocado a saída de concessionárias do mercado: “Não sou contra as vendas diretas, ainda que hoje, da forma como elas estão sendo feitas, tenham sido responsáveis pela saída de muitos empresários do mercado”.

 

Por causa disso algumas associações de distribuidores cogitam rediscutir com suas empresas fabricantes margens maiores para o caso das vendas diretas. Outras entraram com ação na Justiça contra descumprimento de acordos prévios e competição desleal com vendas diretas.

 

Foto: Divulgação.