Greve derruba média diária de vendas

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São Paulo - O mercado brasileiro de veículos já começou a sentir os reflexos da paralisação dos caminhoneiros, que na terça-feira, 29, chegou ao seu nono dia: até o dia anterior as vendas acumuladas somavam 185,5 mil unidades, coisa de 9 mil 315 unidades vendidas/dia, resultado de dezenove dias úteis de operação, de acordo com dados preliminares do Renavam.

 

Desde sexta-feira, 25, a trajetória descendente dos licenciamentos passou a se acentuar, com 8 mil unidades emplacadas, recuando para 7 mil na segunda-feira, 28. No mês passado a média diária de vendas foi de 10,3 mil unidades.

 

Na concessionária Volkswagen Sorana, na Zona Norte de São Paulo, o movimentou caiu mais de 60%, de acordo com o vendedor Ney Alvarenga: “Nós vendemos cerca de setenta veículos nos fins de semana e, no último, foram trinta vendas. No domingo até fechamos a loja mais cedo por falta de movimento, o que é muito raro”.

 

Na Zona Sul a concessionária Ford Caoa também observou menor fluxo de clientes, segundo o vendedor Francisco Nascimento: “Não há combustível para que os clientes avaliem os carros que pretendem comprar na concessionária e, com isto, tudo fica parado. Vendemos menos da metade do que costumamos vender em um fim de semana normal. Geralmente, no fim do mês, o movimento aumenta, mas essa greve acabou com a nossa expectativa”.

 

Na Fiat Amazonas, na Zona Leste, quase não houve movimento durante os últimos dias de greve, relatou o vendedor José Luiz da Silva: “Acho que apenas um veículo foi vendido no último fim de semana. Eu mesmo não vendi nenhum, e nossa loja está completamente parada”.

 

A falta de combustível também afetou as vendas que já foram feitas, pois os clientes não conseguem retirar o veículo, recorda Nascimento: “Costumamos colocar 5 litros no tanque quando o cliente vem retirar o carro, para que possa chegar ao posto mais próximo e abastecer. Mas nesta semana as entregas estão paradas porque não temos combustível".

 

O mesmo acontece na concessionária Volkswagen Sorana, segundo Alvarenga: “Quem tem carro para retirar está com medo, pois não há combustível nos postos. Nós conseguimos abastecer os veículos antes de a gasolina acabar e eles estão com 40 quilômetros de autonomia mas, mesmo assim, os clientes não estão retirando”.

 

Além da queda no movimento e da impossibilidade de os clientes retirarem os carros, a greve dos caminhoneiros também afeta as poucas vendas que foram fechadas durante o período, nota o vendedor da Sorana: “Como os carros não estão chegando, pois estão parados nas cegonheiras, os clientes que compraram terão que aguardar a normalização da situação para retirar seus veículos”.

 

O mesmo acontece na Fiat Amazonas, atesta Silva: “Estamos informando os clientes que compraram recentemente que a entrega dos veículos levará um tempo maior, pois a maioria está parada nos caminhões que não podem passar pela greve”.

 

Colaborou Bruno de Oliveira

 

Fotos: Divulgação.