Sistemistas atentas à eletrônica de híbridos e elétricos

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São Paulo – A indústria, hoje, se vê diante de um desafio quando o assunto são veículos híbridos e elétricos, cujo desenvolvimento será fomentado no País pelo Rota 2030. Há um longo caminho, que passa por fornecedores, regulamentação e abastecimento, para que se tornem realidade.

 

Antes disso, no entanto, é preciso vencer a barreira da segurança e da qualidade envolvendo componentes eletrônicos veiculares. O assunto foi discutido durante o 6º Fórum do IQA, o Instituto de Qualidade Automotiva, na segunda-feira, 10.

 

Representantes de montadoras de veículos e sistemistas concordaram que é preciso criar um ambiente de P&D no mercado brasileiro para que o veículo do futuro produzido aqui tenha mais qualidade do ponto de vista técnico e, assim, esteja apto a entrar em mercados mais avançados.

 

De acordo com Bruno Neri, gerente de qualidade da Bosch, indicador de que ainda é preciso melhorar no campo da eletrônica são recentes campanhas de recall: “Se há problemas atualmente com os componentes eletrônicos que atuam em poucos sistemas, como vemos nos últimos recalls, imaginem quando vier a demanda pelo carro elétrico ou híbrido, que possuirá mais eletrônica em sua composição. Temos de treinar profissionais, criar cultura do P&D para que sejam desenvolvidas boas ideias aqui no Brasil”.

 

O executivo utilizou dados do Procon de 2017 para mostrar que componentes eletrônicos foram a terceira causa mais recorrentes nas campanhas de recall feitas no período.

 

Pedro Insua, gerente de qualidade da Schaeffler, seguiu a mesma linha de raciocínio: “O Rota 2030 precisa inserir a indústria nacional no contexto da modernidade. Precisamos ser os melhores no desenvolvimento de componentes eletrônicos da mesma forma que somos hoje líderes em manufatura”.

 

Richard Schwarzwald, diretor de qualidade da FCA, lembrou que, com a incorporação de comandos eletrônicos desempenhando funções nos veículos, e com elementos que os conectam às redes, será preciso discutir segurança da informação antes de que equipes de engenharia se concentrem em projetos de veículos de motorização híbrida ou elétrica:

 

“O Rota 2030 ajudará neste sentido, mas é preciso começar o quanto antes a pensar em quão preparados estamos para elevar o nível de digitalização nos veículos. Isso leva tempo e investimento, e não há dúvidas de que estamos no caminho certo”.

 


Foto: Divulgação.