Caminhões médios são a bola da vez da indústria

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14/03/2019

São Paulo – O segmento médio do mercado brasileiro de caminhões promete ser alvo de atenções dos departamentos comerciais e de marketing das fabricantes. Dois motivos ajudam a justificar: a própria esperança de redução no desemprego, aumento da massa salarial e aquecimento da economia, que pode ajudar a movimentar o varejo, e a saída de um competidor importante, responsável por, nada mais nada menos, 1,9 mil unidades comercializadas no ano passado.

 

O primeiro bimestre já demonstrou um movimento de recuperação do segmento: segundo a Anfavea foram emplacados 1 mil 478 caminhões médios, crescimento de 96,3% sobre o mesmo período do ano passado. Foi o segmento que mais cresceu no mercado.

 

A Iveco promete novidades nessa faixa de mercado para os próximos meses. Segundo Ricardo Barion, seu diretor de vendas e marketing, a movimentação do varejo pode gerar uma demanda maior pelos caminhões médios. “Acredito que esse segmento crescerá 20% no ano, acompanhando a alta que projetamos para as vendas gerais”.

 

Essa projeção significaria, em volume, cerca de 1,5 mil caminhões a mais do que no ano passado, quando foram comercializados 7,6 mil caminhões médios, segundo a Anfavea. Somados aos 1,9 mil da Ford, são 3,4 mil unidades a mais para serem divididas, basicamente, por três marcas.

 

“Começamos a pensar no segmento médio há dois anos, como parte da reestruturação do nosso portfólio no Brasil”, disse Barion, que vê os modelos que carregam implementos como baú e frigorífico como potenciais compradores. “Nos próximos meses apresentaremos ao mercado um novo caminhão médio”.

 

A líder do segmento Volkswagen Caminhões e Ônibus já lançou campanha publicitária em busca de antigos clientes Ford. Segundo seu engenheiro de marketing do produto, Paulo Razori, alguns clientes deverão buscar a Volkswagen por causa do portfólio que é oferecido. “Acredito que o mercado se dividirá normalmente, com os clientes analisando qual marca será a melhor para seu negócio”.

 

Tanto Razori quanto Marcos Andrade, gerente de produto caminhão da Mercedes-Benz, lamentaram a saída do competidor. Segundo o executivo da M-B, que corre para crescer nessa faixa de mercado, o fato reflete a crise que a indústria de caminhões passou nos últimos anos.

 

A Mercedes-Benz acredita também na movimentação maior do segmento, puxada pelo aquecimento da economia. “Com a recuperação dos indicadores ligados ao consumo sentiremos os reflexos em segmentos como o médio, leve e semipesado”.

 

Segundo Andrade, a recuperação desses três segmentos já está ocorrendo, mas em ritmo mais lento do que os pesados, que devem continuar representando a maior parcela das vendas da indústria em 2019, assim como no ano passado.

 

Nova legislação. Outra mudança que pode ajudar o crescimento das vendas é a isenção do rodízio para caminhões com capacidade de carga de quatro a nove toneladas, divulgado recentemente pela Prefeitura de São Paulo. Com isso, alguns caminhões médios poderão circular na cidade, como os VUCs.

 

Mas para Barion, da Iveco, o impacto não será tão grande. “Apenas com a liberação do rodízio não acredito que empresas que operam com caminhões leves migrem para os médios. Pode até acontecer, mas acho que não trará um grande volume de compras. Caso a prefeitura libere os caminhões médios para circularem em vias que, até o momento, não podem rodar durante o dia, acho que pode haver um aquecimento maior”.

 

Andrade, da M-B, lembra que no caso dos caminhões leves, as empresas podem contratar motoristas que possuem apenas a carteira de habilitação B – no caso dos médios, a exigência é da C, que envolve custos maiores.

 

Para Razori, a mudança na legislação não trará mais vendas para o segmento, a não ser vendas pontuais que não mexerão com o patamar esperado para o segmento.

 

Foto: Divulgação.