Volvo quer ser líder outra vez

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Itu, SP – A Volvo mira o posto de líder no segmento dos pesados, posição ocupada nos últimos anos pela rival Mercedes-Benz. Para isto abriu mão de mudanças mais profundas no modelo pesado FH, com o qual compete nesta parcela do mercado, e entra na briga com veículo que passou por alterações pontuais no powertrain no que diz respeito ao consumo de diesel. A escolha fez a empresa ganhar tempo e foi possível porque o FH, do jeito que está atualmente, é o modelo mais vendido no País em sua categoria.

 

Na terça-feira, 16, a companhia anunciou a nova configuração do caminhão que fora desenvolvido para países onde o Euro 5 é norma de emissões vigente. Foi aplicado em seu motor software que calcula, por meio de componentes eletrônicos, o consumo necessário de combustível na injeção de forma a usar apenas o necessário para percorrer aclives e declives. Durante testes de bancada e de campo foi observado pelos engenheiros redução de até 10% no consumo.

 

Para Alcides Cavalcanti, diretor comercial de caminhões, é no campo da eficiência energética que mora a competição disputada pelos principais nomes na categoria dos pesados: “A cabine atual Volvo é relativamente nova, ainda há o que explorar em suas características técnicas. Porém percebemos que os frotistas que foram ao mercado em busca de renovação de frota definem a compra em função do consumo. A partir deste parâmetro apostamos em desenvolver uma tecnologia nova e agir mais rápido nas mudanças requeridas pelo cliente”.

 

A reação rápida apontada pelo executivo surge no momento em que a Scania, parte do tripé que domina o segmento de pesados em vendas, amadurece no mercado sua nova geração de caminhões, lançada no ano passado. Cavalcanti não traça o paralelo, mas considera que quando surgem eventos como esse é importante oferecer alternativas aos frotistas: “O segmento de pesados é o que mais cresce no País em função da demanda do agronegócio. Em situação de competição acirrada, que conflui com renovação de frota, o ideal é que se tenha uma linha atualizada”.

 

Uma vez realizada a renovação a empresa espera registrar crescimento de até 30% nas vendas de caminhões pesados, ainda que a economia não tenha construído um solo firme para que as empresas fabricantes se sintam seguras em arriscar projeções. Números da Anfavea mostram que a Volvo registrou no ano passado 9 mil 138 emplacamentos, crescimento de 81%, que a fez encerrar o período na segunda colocação em vendas. No trimestre os emplacamentos chegaram a 2 mil 906 unidades de pesados, 80% a mais do que a base baixa que foi o primeiro trimeste de 2018.

 

Cavalcanti disse que a oferta de CDC e o surgimento de linhas de crédito em bancos privados melhoraram os ânimos dos investidores, mas o quadro contrasta com um câmbio considerado elevado que encarece a venda de caminhão com insumo importado e o clima de incerteza em torno da votação da reforma da Previdência: “O cenário inibe as vendas aos clientes em expansão, não as vendas para os que se prepararam para renovar a frota, empresas que chegaram a comprar caminhão à vista. Em expansão definem a venda fatores econômicos e sociais”.

 

Pesou na escolha da Volvo por manter o FH com alterações pontuais o fato de o modelo ter forte aceitação no mercado, disse Alcides Cavalcanti. Ele fechou o trimestre como o mais vendido do mercado brasileiro, apontaram os dados da Fenabrave relativos ao mercado no período: até março foram licenciadas 1 mil 431 unidades do FH 540, o que representou uma fatia de 13,4% do mercado de pesados. Os irmãos da linha, FH 460 e FH 500, também figuraram na lista dos dez mais vendidos no trimestre.

 

O novo veículo chega ao mercado com preço reajustado em mais 8% na comparação com o praticado para sua versão antecessora, na casa dos R$ 550 mil. A elevação do preço se deu em função do aumento da demanda por pesados no mercado interno, o que levou fornecedores a cobrar mais caro por peças e componentes que integram os Volvo FH. O fato não reduz as expectativas da companhia em torno das vendas para este ano: “O frotista percebeu que o reajuste pode ser compensado mais à frente na operação. O FH, por exemplo, tem um valor de revenda interessante, e há também a questão da redução do consumo de combustível”.

 

O desenvolvimento dos novos Volvo FH consumiram parte dos R$ 250 milhões anunciados pela companhia para a fábrica de Curitiba, PR. A versão atual, afora o novo sistema eletrônico, tem novas camisas nos cilindros e um novo turbocompressor. A tecnologia é diferente da utilizada pelo modelo FH produzido na Europa para atender ao mercado daquele continente e aos Estados Unidos.

 

Foto: Divulgação.