Librelato investe R$ 25 milhões em Santa Catarina

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São Paulo – Se pudesse escrever algo na traseira de um implemento Librelato o seu presidente, José Carlos Sprígio, anotaria a palavra otimismo. Após sofrer as agruras da crise no mercado interno, que frequentou o segmento e levou fabricantes a reduzirem número de ativos e quadro de funcionários, a companhia prepara investimento em suas linhas de produção e novos produtos para acompanhar as vendas de caminhões no País.

 

Os R$ 25 milhões que a companhia foi buscar no Finep e no BNDES é uma espécie de resposta ao mercado de que, sim, o setor de implementos demonstra poder de reação e, hoje, tem condições de acompanhar o ritmo das montadoras e do agronegócio. Após a retomada das vendas, ocorrida no final de 2017, as fabricantes de implementos não tinham musculatura suficiente para acelerar a produção nas linhas.

 

A falta de sintonia com a produção de caminhões, principalmente dos modelos pesados que seguem dando sustentação às vendas internas, levou a um cenário de maior tempo de entrega do implemento aos frotistas que foram ao mercado comprar veículos novos, gerando um gargalo – clientes passaram a postergar compras de caminhões porque as carretas não eram entregues nos prazos estipulados.

 

Nesse sentido a Librelato contratou funcionários e aumentou para três o número de turnos na fábrica de Criciúma, SC, onde é produzida a linha graneleira, hoje seu principal produto em termos de vendas, e para dois o número de jornadas na fábrica de Içara, SC, onde são produzidas as demais linhas. Com as medidas saltou de 660 funcionários para um quadro de 1,1 mil trabalhadores em 2018. Este ano, mais contratações, e já são 1,5 mil ao fim de abril. Até agosto, segundo Sprígio, a companhia alcançará a meta estabelecida de 1 mil 630 funcionários.

 

Estabelecida a mão de obra a segunda parte do planejamento da Librelato para sintonizar sua produção às demandas do mercado envolve o aporte anunciado na quinta-feira, 9. A maior parte será aplicada em manufatura, com expansão de capacidade e compra de equipamentos ligados ao conceito 4.0. Será construída uma nova área fabril em Criciúma, com 9 mil m², e haverá expansão da área administrativa em mais 3 mil 150 m².

 

Está prevista também uma nova área de pintura robotizada, que consumirá R$ 5 milhões. A empresa também aplicará recursos no desenvolvimento de novos produtos e serviços – alguns com lançamento projetado para a edição deste ano da Fenatran. Com a expansão da capacidade produtiva a empresa saltará de 7 mil unidades/ano para 11 mil unidades/ano até dezembro. Para o ano que vem a meta é de chegar até 14 mil unidades/ano.

 

De acordo com o presidente da companhia mais do que o aquecimento das vendas de veículos com aplicação no agronegócio, que puxam as vendas de implementos graneleiros da Librelato, o investimento e o clima de otimismo com relação ao futuro do mercado se deve à aprovação da reforma da Previdência, talvez o pleito mais importante da indústria nacional junto ao governo federal: “Acreditamos que a reforma, tão necessária para a economia voltar a crescer, seja aprovada até outubro”.

 

É justamente o mês em que é realizada a Fenatran, evento considerado catalisador de vendas de caminhões e implementos. José Carlos Sprígio disse que a empresa trabalha com expectativa alta acerca das oportunidades deste ano, gerando um volume de negócios que venha a ocupar ainda mais as linhas das empresas do setor, uma vez que, segundo ele, ainda há ociosidade na capacidade instalada: “Em 2017 o volume vendido durante o evento chegou a ocupar as fábricas de janeiro a outubro do ano passado. Agora talvez seja possível ter uma demanda para 2020 inteiro”.

 

O otimismo a respeito do futuro também emana do planejamento da companhia quando o assunto é faturamento. A expectativa é a de que o conjunto de medidas adotadas até agora gere faturamento de R$ 900 milhões este ano em que a empresa completa meio século de existência. No ano passado foi de R$ 570 milhões, com as vendas aquecidas de implementos graneleiros e de basculantes, esses o antigo carro-chefe da companhia. Se confirmadas as projeções o executivo sinalizou para um ganho de market share em torno de 17%.

 

Com faturamento de quase R$ 1 bilhão será possível voltar a sorrir após anos difíceis, disse Sprígio, e também fazer sorrir os frotistas que compõem a carteira de clientes da Librelato. No conselho de administração da sociedade anônima o ambiente é de entusiasmo.

 

Também será preciso, seguiu ele, levar esta atmosfera ao grupo de investidores que detêm parte do capital da companhia desde 2011: BNDESPar, FINEP, FAPES, FUNCEF, o Fundo de Pensão dos Funcionários da Caixa Econômica Federal, VALIA, do Fundo de Pensão dos Funcionários da Vale, e PETROS, o Fundo de Pensão dos Funcionários da Petrobrás.

 

Foto: Divulgação.