Projeções diferentes para o mercado de ônibus

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Caxias do Sul, RS – As duas principais montadoras de chassis de ônibus têm projeções diferentes para o mercado nacional em 2020. Em painel realizado no Fórum AutoData de Veículos Comerciais, o gerente sênior de marketing ônibus da Mercedes-Benz, Curt Axthelm, estimou recuo de 10% sobre as 20,5 mil unidades projetadas para este ano. Para Jorge Carrer, gerente nacional de ônibus da Volkswagen, o mercado deve crescer, mas sem indicar porcentual. Até outubro, os emplacamentos cresceram 48,6%, chegando a quase 17,2 mil.

 

O fator determinante para esta diferença se concentra, principalmente, na avaliação sobre o programa Caminho da Escola. Para Axthelm, depois de crescer 162% neste ano, de 1 mil 299 para 3 mil 397 unidades, haverá dificuldades de continuidade das entregas em 2020 em razão das eleições municipais, exiguidade de tempo para entrega e incerteza de disponibilidade de recursos federais. “Acreditamos em volumes menores”.

 

Carrer acredita em entregas a partir do primeiro bimestre, totalizando as 6 mil licitadas ao longo do ano.

 

No segmento de fretamento, o gerente da Mercedes estima números semelhantes nos dois anos, na casa de 1 mil unidades, e inferior a 2018 na ordem de 13%. Já Carrer acredita na retomada em função da recuperação do emprego, novas regras de acessibilidade e maior demanda em operações nas áreas rurais.

 

Em relação a urbanos e rodoviários, a expectativa de ambos é de crescimento. Nos urbanos, que têm alta acumulada de 44% até outubro, os principais fatores são licitações em algumas capitais, como São Paulo, Curitiba e Brasília; disponibilidade de crédito a juros baixos e necessidade de renovação das frotas. Os principais desafios são a perda contínua de passageiros e o possível congelamento de tarifas em ano eleitoral.

 

Nos rodoviários, com alta de 13% até outubro, a expectativa é por novo avanço, embora existam várias condicionais. A mais preocupante é a desregulamentação das linhas, que pode trazer imprevisibilidade à operação. Outra situação é a possível queda nos preços das tarifas pelo ingresso dos aplicativos. Para a indústria, no entanto, pode ser positiva a uberização no setor com o surgimento de novos clientes de menor porte.

 

Foto: Cleiton Thiele.