Indústria metalmecânica de Caxias do Sul consolida recuperação

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Foto Jornalista Roberto Hunoff

Por Roberto Hunoff

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04/12/2019

Caxias do Sul, RS -- Após queda de quase 50% no faturamento nos anos de 2015 e 2016, derrubando o valor para pouco mais de R$ 12 bilhões, a atividade metalmecânica de Caxias do Sul iniciou reação tímida nos períodos seguintes, tendo fechado 2018 com R$ 15 bilhões. Com relação à média histórica dos primeiros anos da atual década o resultado é ainda 40% inferior.

 

Em pronunciamento no Fórum AutoData de Veículos Comerciais, realizado na terça-feira, 3, o presidente do Simecs, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico, Paulo Spanholi, afirmou que 2019 está sendo marcado por forte recuperação. A expectativa é a de que os valores fiquem acima dos R$ 20 bilhões: “Viramos a curva negativa e voltamos a crescer de forma consolidada”.

 

O dirigente também lembrou que a indústria de transformação, de uma forma geral, perdeu representatividade nos últimos anos e reduziu drasticamente os seus quadros. Em Caxias, por exemplo, o setor emprega 37 mil pessoas, número 25% abaixo dos anos anteriores à última crise: “Embora o cenário ainda seja de adversidades o pior ficou para trás. A confiança está retornando e os empresários já preparam investimentos na produção”.

 

O consultor econômico da entidade, Rogério Gava, reforçou a ideia da recuperação, destacando a expansão do PIB nos últimos trimestres e a expectativa de elevação ainda maior no ano que vem: “As notícias são boas, é hora de acreditar”.

 

Gava recordou que o sindicato tem região de abrangência sobre dezessete municípios, que concentram 3,3 mil empresas, a maioria de pequeno e micro porte, responsáveis por 50 mil empregos formais. O faturamento de 2018 foi de R$ 21,2 bilhões. Caxias do Sul tem 2,6 mil empresas, geradoras de 37 mil vagas e de R$ 15,2 bilhões de faturamento.

 

Na composição da receita o setor automotivo participa com 73,5%, o metalmecânico com 20,5% e o eletroeletrônico com 6%. O maior volume de vendas, 63,5%, se concentra fora do Rio Grande do Sul. O Estado absorve 20,5% e as exportações, 16%. Em empregos as indústrias metalmecânicas, que são 72% do total, participam com 53%. As automotivas, com representação de 18%, respondem por 41% dos trabalhadores. Na indústria eletrônica estão 10% das empresas e 6% dos empregos.

 

Gava ainda destacou que a remuneração média do setor, incluídos salários e benefícios, no ano passado, foi de R$ 4 mil 207, crescimento de 3,5% sobre 2017. O consultor manifestou que, no curto prazo, será muito difícil recuperar os empregos perdidos nos últimos anos. De 2014 a 2016 foram fechadas 18,5 mil vagas: “Com a crise as empresas elevaram investimentos em automação e robotização na busca de maior competitividade. Hoje, fazem mais com número igual ou menor de funcionários”.

 

Foto: Cleiton Thiele.