Carlos Ghosn sustenta inocência e dá a sua versão dos fatos

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Foto Jornalista  Redação AutoData

Por Redação AutoData

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08/01/2020

São Paulo – O mundo automotivo parou na quarta-feira, 8, para escutar pela primeira vez o que tinha a dizer Carlos Ghosn, ex-presidente da Aliança Renault Nissan Mitsubishi, depois de passar quase um ano preso no Japão e escapar, em fuga cinematográfica, do cárcere domiciliar sob o qual era mantido.

 

"Como vocês podem imaginar, hoje é um dia muito importante para mim", começou o executivo em seu discurso, ora em inglês, ora em francês, proferido em Beirute, Líbano, diante de multidão de jornalistas e repórteres fotográficos. "Vocês devem imaginar o quão difícil foi para mim ser afastado da minha família, da minha comunidade e das empresas."

 

O executivo sustentou durante a coletiva sua inocência diante da acusação de fraude financeira que o levou à prisão no Japão. Sobre as razões que levaram as autoridades a prendê-lo Ghosn afirmou sofrer perseguição naquele país por causa "da redução do desempenho da Nissan em 2017". Ele citou, ainda, que sua prisão prejudicou negociações que estavam em curso à época para a fusão da Nissan-Renault com a FCA, movimento que acabou ocorrendo com a rival PSA em dezembro. Disse, também, que esperava mão amiga do governo brasileiro para obter, por vias diplomáticas, a sua libertação.

 

“O presidente Bolsonaro fez um anúncio no jornal, quando alguém fez uma pergunta para ele, se ele estava pronto para falar do meu caso com as autoridades japonesas. E, se eu me lembro, ele falou que ele não quis fazer isso para não atropelar, atrapalhar as autoridades japonesas."

 

Eram esperados do executivo mais pormenores a respeito da fuga do Japão. O assunto, no entanto, ficou longe de ser explicado, pois Ghosn se limitou a dizer apenas que os "princípios dos direitos humanos foram violados" com sua prisão e que a Justiça japonesa o privou de seus documentos de defesa.

 

Após a entrevista coletiva Masako Mori, a ministra da Justiça do Japão, informou por meio de nota que as declarações de Ghosn são "absolutamente intoleráveis". Afirmou, ainda, que "o sistema de Justiça criminal do Japão estabelece procedimentos apropriados e é administrado adequadamente para esclarecer a verdade nos casos, garantindo os direitos humanos individuais básicos".

 

A nota termina dizendo que "o governo do Japão tomará todas as medidas disponíveis para que os processos criminais japoneses possam ser adequadamente atendidos, enquanto trabalha em estreita colaboração com países, organizações internacionais e outras partes interessadas."

 

Carlos Ghosn foi convocado pela Procuradoria Geral do Líbano para prestar depoimento na quinta-feira, 9, depois que as autoridades receberam uma notificação da Interpol sobre sua fuga do Japão, informou a agência de notícias estatal ANN.

 

A agência acrescentou que a intimação do Ministério Público tem a ver também com "reuniões com autoridades israelenses", em função das quais foi aberto um processo contra Ghosn no Líbano.

 

Foto: Divulgação.